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Pra que pressa? Cante com as estrelas, se puder!

Nestes tempos natalinos é possível observar-se uma característica muito comum nas pessoas: a pressa. Pressa para que o ano termine logo. Pressa para cumprir os compromissos sociais. Pressa para chegar antes de outras pessoas aos artigos que serão os presentes de Natal para a família e os amigos. Pressa pra chegar logo ao destino das férias. Enfim, parece que o relógio das pessoas aumenta a velocidade fazendo-as escravas de um ritmo que consome as energias emocionais e se tornam fonte de desconfortável stress.

Enquanto isso, no ventre de uma Maria, cresce um menino que chegará a um mundo tenso de correria também por causa de um tal de censo que o Imperador determinou a todos os seus súditos (tanto os de boa  quanto os de má vontade). Também ai temos a pressa do sistema, querendo saber quantos são os contribuintes para engordar o caixa do Império e alimentar o poder e o controle sobre as pessoas.

José e Maria foram apanhados por este turbilhão. Tiveram que sair praticamente de uma banda para a outra do país. Sofreram as consequências de uma migração forçada. O furdunço era tão grande que nem lugar para se hospedar tiveram. Essa é  a saga do Império: desenraíza as pessoas, tornam-nas migrantes em seu próprio ser.

Mas ali estava o Menino que devia nascer exatamente para contradizer toda essa lógica maluca de um sistema que trata as pessoas como engrenagem. O sistema foi tão nefasto que nem um lugar mais digno para o bebê nascer proporcionou.

Estavam ali Maria, José, o Menino e os animais. Tendo o céu por teto. Isso me lembra e muito os tetos de tantos sem-teto que temos hoje me nosso país. Só que o Império não recebeu a Glória! A Glória foi destinada aquele menino e à sua abençoada família. Não foi para Cezar que os céus cantaram. Não foi para Cezar que os pastores destinaram o cântico de alegria. Ali, longe do burburinho, houve paz e quietude. Enquanto os agentes do Estado se debruçavam ávidos sobre números em suas tabuletas, os bilhões de corpos celestes cantaram que finalmente a nova criação chegou.

Minha intenção nesta reflexão é perguntar sobre a qualidade de que Natal que a gente precisa viver. Certamente não é o cenário das lojas apinhadas de gente se batendo. Nem o das pessoas estressadas correndo atrás do tempo para saciar o deus mercado. Eu preferiria que pudéssemos viver o Natal da comunhão com Deus de verdade. O Natal da comunhão com a Natureza e com um Menino que sorri livremente, sem amarras, irresponsável até diante de um sistema que já queria contá-lo em suas estatísticas!

Naqueles tempos, longe da Jerusalém cheia de luzes e de palácios iluminados, uma família recebia a vênia de toda a Criação. Num lugar onde as luzes celestes podiam ser vistas sem serem ofuscadas pelas luzes da cidade. Onde uma criança anarquicamente ria daqueles que se achavam os donos do mundo.

Que tal vivermos um Natal de mergulho nesta liberdade que Deus nos dá através de Jesus menino? E, se porventura, o stress te dominar nestes dias, pare, sacuda a cabeça e diga a si mesmo: ei! para que tanta correria se posso aproveitar melhor a festa de forma e me sentir mais gente, com mais fé e louvando o Deus Emanuel! Se junte às estrelas e cante de alegria ao Deus amoroso que tanto nos quer bem!

+Francisco, Santa Maria

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