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Mostrando postagens de Setembro, 2005

Severinos, picadeiros e decadência

As cenas da última quarta-feira no plenário da Câmara são um atestado definitivo da falência do modelo político atual do Estado brasileiro. Vimos cenas dignas de um autêntico picadeiro, onde os personagens protagonizaram com toda crueza possivel a ruptura dos limites da institucionalidade. Um Presidente de uma casa legislativa faz um discurso pinoquiano, encerrando uma curta carreira construida com o uso da esperteza política, e uma demagogia basista insonsistente. Exposto à opinião pública pela prática tão usual na política brasileira de favor financeiro em troca de contratos, o ex-Presidente e deputado ainda tentou passar à história como vítima. Mas não colou.
As galerias nos lembraram os tempos das claques organizadas de estudantes defendendo a ampliação da cidadania. As cenas protagonizadas pelos seguranças da Câmara nos lembraram, da mesma forma, o período do regime militar. Do bate-boca ao confronto físico, tudo que era possivel ocorrer num momento em que as pessoas perdem a razã…

Lições tristes do Katrina

As cenas de horror, publicadas pela midia internacional sobre o furacão Katrina, deixa-nos pelo menos algumas fortes e tristes lições.
A primeira delas é de que a pobreza é sempre a maior vítima desse tipo de desastre. O furacão não expôs somente o poder incontrolável da natureza. Ele mostrou que o sul dos EUA tem um corte social bastante distinto das demais regiões, com seus pobres e esquecidos pela política neo-liberal do Governo Bush. Muitas pessoas que lêem a sociedade americana de forma univoca, foram surpreendidas com a exposição da pobreza de muitos cidadãos e cidadãs americanos, abandonados por um Governo que cada dia mais aprofunda a desigualdade social e que, ao invés de investir em políticas sociais, prefere gastar bilhões lutando contra os mulçumanos lá no Oriente Médio.
A segunda delas é de que realmente Bush não tem nada de coerente com seu pseudo evangelicalismo fundamentalista, que alimenta hoje os segmentos mais conservadores do País. A insensibilidade e a falta de medi…

Crise Política e Controle Social

A presente crise política expõe com clareza cristalina o quão frágil é o relacionamento entre Sociedade Civil e Estado, em nosso País. Parece-nos que a relação entre os dois entes só tem nexos claros a partir do que se chama processo eleitoral. Consolidado o momento eleitoral que outorga aos representantes do povo o poder de gestão sobre a coisa pública, reduz-se fortemente o poder da Sociedade Civil que, sem mecanismos de fiscalização realmente eficazes, se submete ao risco de uma má gestão até o próximo momento eleitoral.
Mesmo os dispositivos legais que permitem alguma forma de monitoramento do desempenho dos gestores são frágeis e a solução de problemas geralmente demora pela letargia do poder político e do poder judiciário. Os dispositivos constitucionais, que garantem à Sociedade Civil o poder de controle sobre o Estado, têm, na maioria dos casos, poder meramente declaratório de princípios, faltando implementação efetiva.
Não negamos com isso o relativo avanço da Sociedade através…