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Mostrando postagens de Maio, 2005

O Freio de mão no Crescimento

Os recentes números da desaceleração econômica podem representar um novo desafio ao Governo. Empurrado pelo bom desempenho do ano passado, onde a geração de empregos e o índice de 5,2% de crescimento deixaram a equipe econômica com sorriso até a orelha, o Governo continuou a adotar medidas restritivas ao crédito. Com esse freio de mão, cobrando os mais elevados juros do mundo e dogmatizando o famigerado superávit fiscal, os gestores econômicos do Governo devem se preparar para o pior.
A menos que aconteça um milagre - o que é improvável no mundo dos negócios - o PIB crescerá menos do que o necessário para recuperar a chamada década perdida. E aí, a grande bandeira de Lula de gerar milhões de empregos estará tão comprometida quanto o contexto recessivo em que assumiu o governo.
Desse jeito, a estabilidade será uma realidade distante. Tá na hora de fazer a releitura do aperto fiscal e gerar poupança interna para produção. Do contrário, a economia andará para trás e atropelará as pretenç…
um pouco de humor para descontrair

Quanto custa uma CPI? As lágrimas de um senador!

O Governo Lula está agora dependendo única e exclusivamente de sua postura ética no desenrolar da CPI dos Correios. Todo os esforços, inclusive com liberação de verbas para parlamentares no valor aproximado de R$ 12 milhões, se mostraram inócuos. E ainda teve o desfecho melancólico de um senador às lágrimas assinando o pedido de CPI.
Fala-se agora em manobras regimentais e recursos para impedir o início dos trabalhos. Honestamente desconheço esse PT.
O Presidente disse aos jornalistas - mostrando a cara - que não estava nem um pouco preocupado com a possibilidade de instalação da Comissão. Mas me parece que seus auxiliares não tiveram a mesma compreensão.
E agora o País espera pra ver como ele vai se comportar durante o processo de investigação de corrupção praticado por um funcionário de terceiro escalão diante das câmeras.
Acho que o custo dessa CPI pode se tornar muito barato para um Governo que sempre se preconiza como um governo diferente de todos os demais. Manda ver as provas, dei…

Internacionalização da Amazônia: uma tecla mal repetida!

Recentes declarações da deputada italiana Monica Frassoni, do Parlamento Europeu, sobre a internacionalização da Amazônia levantam velhas questões de como os europeus e norte-americanos querem resolver o problema da biodiversidade do mundo à custa dos outros.
Sob o argumento de qeu a Amazônia está desprotegida, não tem faltado vozes na defesa de um regime de gestão internacional para a área, o que em linguagem direta significaria a supressão da soberania brasileira sobre a maior reserva vegetal do mundo.
O Governo brasileiro tem, diante desses cada vez mais frequentes discursos, a obrigação de afirmar a absoluta inegociabilidade de nossa soberania. Se a comunidade internacional está preocupada com o futuro da reserva amazônica que trate de adotar medidas concretas que ajudem o Brasil e os governos latino americanos que têm jurisdição sobre ela.
Entre as medidas concretas, sugerimos destinar um percentual dos encargos das dívidas externas desses países para aplicar em políticas de vigilân…

O risco do Avestruz!

A semana começou terrivelemente complicada para o Governo. Talvez esse seja o pior momento da gestão Lula. Parece que a necessidade de governabilidade está chegando a um limite perigoso para as forças políticas que o sustentam. E isso não é bom para o País.
Como cidadão, me preocupa o "faz de conta que nada tá acontecendo" do Presidente. Denúncias de corrupção atingem membros do Governo a cada dia. A oposição, com ganas de ganhar espaço, está ganhando força política e a opinião pública começa a ficar insegura sobre o que é verdade ou não com relação à capacidade de gerência política eficaz do Governo. Fazer como o avestruz é fatal para um governo que sabemos, por principio e história política, não compactuar com a corrupção.
Isso é um perigo que não se pode alimentar. Crises políticas se instalam quando os dirigentes adiam decisões e dão a impressão de que estão inseguros. Ou o Presidente toma as medidas, ainda que preventivas, para afastar as sombras que rodeiam o Planalto e …

Trazeiro ou Bunda? O que é Politicamente correto?

A idéia de publicação de uma Cartilha destinada a corrigir linguagem considerada politicamente incorreta causou repercussão negativa junto a vários segmentos da sociedade, especialmente nos meios intelectuais.
Na verdade a iniciativa revela um perigoso comportamento de regular a linguagem e promover mudança cultural de cima pra baixo. Parece que se quer reproduzir aqui no Brasil a neurose linguística nascida nos EUA com relação ao que se considera politicamente correto. Aliás uma cópia de muito mal gosto.
Quebrar preconceito é uma coisa. Todos devemos, no processo de amadurecimento político, construir novas formas de relacionamento com nossos pares, o que inclui a linguagem. Mas isso consome tempo e até gerações. A linguagem escrita ou verbal tem uma complexidade tão grande e nela estão contidos uma gama tão grande de elementos conscientes e inconscientes que nenhum Estado pode regular eficazmente a fala de seus cidadãos e cidadãs.
Daqui a pouco, em se levando adiante a proposta estapafú…

Homenagem a Catulo da Paixão Cearense

Há 49 anos morria um poeta que traduziu em inspiradas letras o canto do sertanejo.
Costumo dizer que poetas tem parte com Deus, pois conseguem traduzir sentimentos com um carisma que faltam a tanta gente. Quem não se lembra desse clássico abaixo:
Luar do Sertão
(Catulo da Paixão Cearense)

Não há, ó gente, oh não
Luar como este do sertão...
Oh que saudade do luar da minha tema
Lá na serra branquejandoFolhas secas pelo chão
Esse luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão
Se a lua nasce por delas da verde mata
Mais porem um sol de prata prateando a solidão
A gente pega na viola que ponteia
E a canção é a lua cheia
A nos nascer do coração
Se Deus me ouvisse
Com amor e caridade
Me faria essa vontade
O ideal do coração:
Era que a morte
A descontar me surpreendesse
E eu morresse numa noite
De luar do meu sertão

Catulo, onde você estiver receba nossa gratidão pela riqueza de sua poesia.

Dez por um

Enquanto sua Secretária de Estado rondou por aqui falando de democracia e liberdade, o Governo Bush continua sua neurótica beligerância no Iraque.
Uma guerra construida sobre mentiras e a afirmação fálica do poder militar americano tem custado a vida de cidadãos e cidadãs iraquianas. Agora a moda, mesmo com a pseudo autonomia política do país, é adotar represálias contra os insurgentes na medida de dez por um. Explico: neste fim de semana sete soldados americanos foram mortos pela guerrilha. A resposta veio imediata: 75 pessoas foram assassinadas como insurgentes no dia seguinte.
O pior é que o mundo assiste a isso com uma normalidade assustadora. Encara as noticias sobre esses massacres com a mesma naturalidade com que vê os gols dos campeonatos de futebol de seus clubes.
Isso me faz lembrar o velho conceito de guerra de um renomado pensador: Guerra é a briga de homens que não se conhecem e se matam, em nome de homens que se conhecem e não se matam. Enquanto esses desconhecidos se engal…

Vinhos velhos em odres velhos

Hoje teve comício em Brasilia. Comício e panacéia de políticos que na oposição fazem o papel prescrito dessa encenação do Poder. Comemorando cinco anos de uma lei que até agora não teve eficácia nenhuma contra ninguém, o PSDB fez seu primeiro ato eleitoral com vistas a 2006.
O que acontecerá então? Em 2006 teremos a magnífica opção entre atores que representam papéis iguaizinhos com uma diferença apenas de cenário: os que estão em cima e os que estão em baixo.
Cada vez mais me aproximo do anarquismo, porque a democracia representativa não tem acrescentado ética e responsabilidade no exercicio do serviço público Velhos personagens com discursos invertidos. Nem melhorou a qualidade do vinho, nem dos odres onde são guardados.

Quem será a Próxima Vítima do FMI?

A sucessão de rebeliões sociais e o agravamento de crises institucionais na América Latina tem feito sucessivas vítimas governamentais.
Agora a bola da vez é a Nicarágua. O nível de mobilização social contra o Governo Polaños está ficando cada vez mais fora de controle. E a questão de fundo tem sido sempre a mesma: o mercado.
Na atual configuração economicista do mundo, onde o poder de decisão se desloca do político, dos Estados Nacionais, para os centros financeiros, é de se questionar a velha idéia de autodeterminação dos povos.
Os Governos se tornaram apenas gerentes econômicos. Não existe autonomia na construção de políticas públicas. Essas sempre são "permitidas" ou não pelo gráu de comprometimento internacional das economias nacionais. Até política de preços precisa ser definida por uma agenda que vem de fora.
Observem nosso país. Está cada vez mais preso na lógica de superávit fiscal e de políticas que atendem primeiramente os interesses da capital internacional.
Por enqua…