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Mostrando postagens de 2006

O caso Saddam: pressa e catarse

A execução de Saddam Hussein se constituiu numa evidência de como a arrogância dos poderosos pode ser canalizada através de um exibicionismo exacerbado e grotesco.
Embora se saiba que Saddam Hussein tenha cometido crimes hediondos e que deveria ser responsabilizado e julgado por eles, o processo que o levou à forca foi viciado e conduzido segundo os interesses do invasor.
Aliás, a Anistia Internacional deixou claro desde o começo que a legitimidade da Corte e do Governo estava sob suspeição. A condenação e a rápida execução reuniram contornos de um casuismo que envergonham a sociedade internacional.
Somente os inimigos políticos de Saddam podem se considerar contemplados por esse processo. Dentre eles o mais realizado é, sem dúvida, George Bush.
Bush escolheu Saddam para derramar toda a sua ira e frustração pelos atentados de 11/9. Sem nenhuma comprovação de vínculo entre o ditador iraquiano e Bin Laden, Bush adicionou a mentira de que o Iraque produzia armas químicas em série. Daí para a…

Folia de Irresponsáveis!

Não poderia deixar de me manifestar sobre a vergonhosa decisão dos deputados e senadores a respeito do aumento de seus próprios subsídios. A medida é um acinte à cidadania e uma subestimação da inteligência de nosso povo. A duplicação dos salários só não é mais imoral do que as justificativas que alguns dos ilustres "representantes do povo brasileiro" apresentaram diante das câmeras. De forma cínica, jocosa e irresponsável, um certo parlamentar chegou a dizer que os proventos recebidos pelos mesmos não constitui salário, mas sim um subsídio!!
Primeiro concordo que não é salário. O que os parlamentares recebem na verdade é um vultoso financiamento de suas carreiras políticas. Salário, no meu entender é aquilo que se ganha sofridamente e com dignidade. E ainda outro parlamentar vem a público dizer que esse aumento é apenas uma forma de garantir que eles não sejam tentados a praticar ilícitos no desempenho do mandato. Isso é ainda mais acintoso, porque institui o prêmio que se c…

Os Turistas: colonialismo puro!

A despeito de vivermos no que chamamos de mundo globalizado, onde é possivel se acessar informações de maneira quase instantânea sobre tudo, o preconceito e os estereótipos continuam a ser uma marca incrivelmente incômoda.
As recentes reações ao filme "Os Turistas" feitas por intelectuais e formadores de opinião revelam um profundo preconceito que a chamada cultura média estadunidense - emesm oa européia - tem de nosso País.
Me impressiona a falta de conhecimento, até mesmo elementar, sobre nosso povo e nossa cultura. O Brasil é retratado como uma terra de ninguém, onde a bestialidade impera e onde os brancos do norte se encontram ameaçados em sua dignidade e superioridade. Isso é puro colonialismo cultural.
Para qualquer espectador que não tenha senso crítico ou conhecimento mínimo sobre nosso País, o filme é aterrorizante.
Mas não me surpreendo com isso. O Brasil, a despeito de seu tamanho e influência geopolítica na América do Sul, continua sendo um ilustre desconhecido par…

SUDENE: pra quem?

A refundação da SUDENE com certeza representa um importante passo para a tão sonhada reconfiguração sócio-econômica do País. Criada originalmente pelo senso desenvolvimentista de Celso Furtado, desempenhou importante papel como entidade de fomento para o crescimento da região nordeste até que foi capturada pelas elites coronelistas da região e convertida em balcão de negócios estapafúrdios.
Com todas as críticas que tenho ao Governo FHC, me pareceu que nesse ponto o fechamento da Superintendência foi uma medida adequada. Os escândalos das negociatas entre grandes empresas e as elites políticas do nordeste estavam causando um grande prejuízo ao erário público.
O ressurgimento dela, agora que se inicia o segundo mandato do Governo Lula, pode ser muito oportuno desde que a nova configuração realmente coloque a sociedade civil no controle das prioridades de crédito e fiscalização de suas execuções.
A meu ver, salvo melhor juízo, a SUDENE deve priorizar os investimentos em infra-estrutura. E…

O que vale pra VALE?

Confesso que fiquei estarrecido ao tomar conhecimento de uma representação da Cia Vale do Rio Doce contra o Governo brasileiro na OEA. Se fosse alguma ONG de direitos humanos ou alguns dos movimentos sociais ativos nesse país, com razões até de sobra para fazer isso, não seria surpresa.
Mas trata-se de uma das maiores empresas do mundo. Uma empresa que tem apresentado um desempenho de crescimento tão elevado que se constitui hoje no segundo conglomerado financeiro do aço e derivados do setor de ferro.
Lembro que a privatização da empresa foi um dos mais intensos debates ocorridos na sociedade brasileira, no auge da avalanche privaticista do Governo FHC. Sua campanha publicitária sempre exalta a importância do seu papel para o país e o seu compromisso com o meio ambiente. Geralmente campanhas caras, de peso, e sempre no estilo da legitimação de sua imagem perante a opinião pública como empresa relevante para o Brasil.
A razão para a representação contra o governo brasileiro se dá por …

Rumo ao 29 de outubro

A campanha está chegando ao seu fim. No próximo domingo o Brasil tem um compromisso com o futuro. Um futuro que começa no primeiro dia do ano de 2007. E começa com um não começo. Deixa eu explicar melhor: em 2003, o Presidente Fernando Henrique Cardoso passava a faixa presidencial para um ex-torneiro mecânico, sindicalista, que tinha convencido o povo brasileiro que estava pronto para governar uma sociedade marcada por profundas distâncias sociais. Isso foi um começo.....e inédito começo.
Quatro anos depois, esse homem provavelmante não passará a faixa a outrem. E por que? Porque conseguiu diminuir a distância entre pobres e ricos. É claro que o seu governo não foi um passeio no parque. Tive o privilégio de estar com esse homem, em seu gabinete, em setembro de 2003. Dele ouvi uma frase que não me esqueço até hoje:"quando assumimos o governo o Brasil estava a beira de um colapso econômico. Ou denunciávamos ao mundo o estado de insolvência econômica - e ai nosssos adversários nos c…

Lições de 1º de outubro

A campanha presidencial será acirrada e promete ser plebiscitária mesmo neste segundo turno. Para o Presidente, que busca a reeleição, ficaram algumas lições que não deverá repetir mais. A partir do escãndalo do dossiê, Lula cometeu dois erros graves que não se deve usar numa campanha política: a subestimação dos oponentes e, dada a conjuntura de exposição na midia de pessoas de sua campanha, fugir a um debate.
A afirmação de que iria "matar" a eleição no primeiro turno soou como empafiosa. Ao contrário do que poderia parecer uma demonstração de confiança política - aliás todo candidato deve demonstrar que acredita na vitória - a afirmação do Presidente foi mal interpretada por parte dos eleitores como uma afirmação de confiança exagerada. E isto lhe causou perdas suficientes que adiaram sua vitória.
A ausência ao debate soou diametralmente oposta à afirmação anterior. Um candidato que entende que "mata" a eleição logo de cara devia demonstrar ainda mais segurança, i…

A erudição e seus riscos....Bento XVI e os mulçumanos!

A erudição do teólogo vitimou o Bispo de Roma de forma inequívoca. Diante de uma platéia acostumada a ouvir - mesmo em tom conservador como lhe é mister - suas falas cheias de uma clareza quase impecável de argumentos, Bento XVI jamais imaginou que pudesse meter-se numa encrenca internacional nunca vista antes envolvendo um papa.
Ele foi traído pelo "ego" da intelectualidade que o fez experimentar uma "amnésia" de apenas alguns segundos, e que lhe custou e custará ainda muito desgaste.
Mas esse episódio pode revelar um fato completamente novo para a história do magistério de Roma. Pela primeira vez, um Papa é forçado a admitir que comete erros. Não falo aqui no erro teológico-doutrinal. Mas no erro político. No campo da teologia, não se pode trabalhar com verdades absolutas e pretensamente infalíveis ad eternum. A teologia sempre está sujeita a transformações que os tempos e as culturas lhe impõem. A própria Igreja Católica Romana tem atestado isso através de difere…

Lições (não aprendidas) do 11/9

Passados cinco anos da tragédia das torres gêmeas, o mundo não apresenta nenhum sinal de mudança qualitativa na maneira como o poder é gerenciado. Ao invés de gerar a necessidade de diálogo entre os atores antagônicos da modernidade, o 11/9 gerou ainda mais ódio e empáfia.
Os inúmeros ofícios memoriais realizados nos Estados Unidos na segunda-feira, como gestos de reconhecimento ao sacrifício de tantos inocentes, na verdade poderiam ser muito mais profundos e autênticos se viessem acompanhados de gestos de reconciliação. Se os mortos pudessem ser ouvidos, certamente estariam dizendo: deixem de hipocrisia! Não nos usem para gerar ainda mais ódio!Não nos usem para justificar a guerra santa contra os representantes do Mal, porque o Mal não está nos inimigos, mas em vocês mesmos, nos sentimentos mais profundos de cada um de vocês!
Meia década depois, temos muito mais viúvas e órfãos do que aquele(as) que perderam seus parentes no World Trade Center. Afeganistão, Iraque, Cisjordânia, Líbano,…

Reflexões sobre a Campanha...

Enquanto o Presidente exibe uma cara de quem vive no paraíso eleitoral, contrastando com a que exibia há um ano atrás no auge da crise do mensalão, seu principal opositor começa a dar sinais de quem já está nas cordas.
A razão é simples e a expus desde que comecei a comentar a campanha presidencial: Lula sabe manejar muito bem a chave do cofre e a imagem de mídia. Sentado em números e em frases de efeito, o Presidente tem somente uma tarefa até o dia primeiro de outubro: passar a imagem de quem ainda não concluiu a sua tarefa.
A fragilidade de Alckmin é evidente. Nem o discurso de Eloisa Helena abala a tranquilidade que Lula adquiriu a partir do inicio do ano, com a reversão da opinião pública em relação ao seu governo.
No entanto, esse clima de inexpugnabilidade do Presidente pode gerar uma campanha pobre e desmotivadora para o eleitorado, como está sendo exposta pelos programas eleitorais na midia.
Nem parece o confronto de quatro anos atrás, quando se tinha um divisor ideológico mais…

O Líbano pede socorro!

Decretado o cessar-fogo, começa o trabalho de resgate da auto-estima de um povo marcado por guerras de ocupação. Um país destruído por um conflito que nada tem a ver com os interesses dos cidadãos libaneses. Uma guerra encomendada por um Estado que é a miniatura do Império de Bush.
É inacreditável que um país sofra por décadas um um processo de ocupação e destruição sem que a sociedade internacional assuma a responsabilidade pelos seus prejuizos.
Tudo que foi construido depois da desocupação pelas tropas israelenses volta a ser destruido criminosamente sem nenhuma punição, nenhuma reparação das vidas e da economia .
Com certeza, ninguém ganhou esse conflito. Israel descobriu que lutar contra uma guerrilha melhor aparelhada não é um passeio , como foi a Guerra dos Seis Dias. O orgulho judeu está afetado e a cobrança sobre seu governo já se faz sentir na opinião pública.
As manifestações de rua, pelo mundo, mostram o quanto a sociedade civil está incorfomada com uma guerra in…

Beco sem saída: a estratégia equivocada de Israel

Mais de 1000 mortos, a maioria deles civis e crianças libanesas. Uma onda de críticas da sociedade internacional e a exigência de um cessar-fogo imediato. A incapacidade de construção de um consenso entre as potências sobre uma efetiva suspensão do conflito. Uma resistência além do calculado por parte do Hezbollah, revelando um crescimento objetivo de seu poder estratégico.
Fico imaginando se Israel não se arrepende agora, sem possibilidade de volta, de ter subestimado os riscos a que se submeteu quando iniciou a ofensiva contra o sul do Líbano.
A imagem de potência militar do Oriente Médio, calcada sobre campanhas heróicas, rápidas e eficientes contra seus desafetos árabes está definitivamente comprometida. A barbárie de uma ação militar que vitimiza covardemente civis, violando regras consensuais de guerra convencional e justificada com nenhuma consistência retórica, põe hoje Israel nas cordas.
Não fora a questionável conjugação de regras e forças desiguais dentro do Conselho de Segura…

Israel: permissão para matar inocentes!

É absolutamente vergonhoso o jeito com que os líderes das maiores nações do planeta estão tratando a agressão israelense ao Líbano. Enquanto vidas de civis estão sendo destruídas, das quais cerca de 45% são crianças, de acordo com a ONG Save the Children, o ocidente fica propondo a criação de um cordão humanitário no sul do Líbano. Chega de tibieza no enfrentamento da questão.
Apoiado incondicionalmente pelo Governo Bush, em sua mania persecutória contra o terrorismo internacional, Israel usa a única linguagem que conseguiu desenvolver desde sua fundação: a da força e da prepotência.
Que o digam os palestinos da faixa de Gaza e agora os libaneses. E tudo isso sob o cínico argumento de que está se defendendo. Destruir um país, abater civis em bombardeios frequentes e indiscriminados, e levar milhares de libaneses a uma fuga tresloucada para lugares mais seguros não parece ser uso de legítima defesa.
A desculpa de que o que busca é a libertação de soldados capturados pelo Hezbolah só pode…

O efeito Helô

As implicações da pesquisa DataFolha sobre as campanhas eleitorais ainda estão por vir. Mas uma coisa é certa: esta eleição tem um novo e talvez decisivo personagem-chave, a senadora Heloisa Helena. O que ela reúne em torno de sua candidatura? 1.O descontentamento de setores populares e organizados à esquerda da coalizão que elegeu Lula, diante dos avanços modestos do Governo. 2. O avanço do protagonismo das mulheres na luta contra uma cultura patriarcal ainda muito forte na política oficial, constituindo-se a candidatura da senadora em um ponto de convergência das organizações feministas. 3. Seu estilo pessoal marcado pela sinceridade e simplicidade, evitando retóricas cosméticas na abordagem dos temas que mais causam inquietação a candidatos de esquerda que não querem perder votos nas classes média e rica. Com esses qualificativos a senadora pode se tornar - como já avaliei em artigo pretérito - um incômodo para um certo triunfalismo da candidatura do Presidente, pois pelo …

A dança dos números

A primeira pesquisa eleitoral após a oficialização das candidaturas à Presidência confirma a tendência, já exposta antes, de termos uma eleição definida no primeiro turno. Embora ainda tenhamos a campanha na TV e no rádio como elementos que podem alterar preferências, os números divulgados hoje apresentam algumas características que é preciso notar:
1. O Presidente continua estável e com tendência de melhora - comparando os atuais números da CNT/Sensus com os anteriores se observa dois detalhes importantes: a de crescimento da preferência pelo candidato dentro da margem de erro para cima e o crescimento, também dentro da margem de erro para cima, da aprovação do Governo.
2. Alckimin finalmente consegue agregar votos de tendências que não tem candidato próprio. Isso é um dado importante porque revela que setores do PMDB e do PPS despejam sua preferência pelo mais importante candidato da oposição.
3. Heloisa Helena se estabiliza como o terceiro nome na preferência do eleitorado e se conver…

Degradação do trabalho: denúncia contra a C&A

Por trás dos atraentes preços de seus produtos, muitas vezes ao alcance das classes C e D, algumas lojas de marcas escondem práticas realmente condenáveis. A exploração do trabalho de imigrantes, ou mesmo de jovens e crianças, algumas vezes até mesmo detentos, constuituem uma prática bastante usual para fugir às implicações legais, à formalização de relações trabalhistas e seus compromissos sociais.
Fiquei estupefato com uma denúncia trazida à tona pelo Observatório Social e o jornal Brasil de Fato de que a famosa loja C&A, da qual já fui cliente, explora, através de malharias clandestinas, o trabalho de inúmeras mulheres em São Paulo. Principalmente imigrantes, originárias da Bolívia e outros países latino americanos, geralmente em situação irregular e completamente dominadas pelos chamados "coiotes" - grupos que intermediam imigração ilegal no país - os quais as submetem a regime de semi-escravidão. Essas mulheres recebem míseros R$ 0,20 por peça de roupa, o que as obr…

Desfecho pífio da era Parreira!

O país do futebol vive a ressaca da desclassificação. Mais uma vez a partida com a França revelou algo que nós brasileiros não nos acostumamos tão facilmente: nosso futebol burocrático, pálido, sem graça e sem raça. O Brasil nessa Copa não convenceu ninguém, apesar do pregmatismo adotado por Parreira sob o herético argumento de que o que vale é ganhar e não encantar. Futebol é arte. Não há arte sem a força da criatividade, da liberdade e da libido.
A era Parreira definitivamente deve ser sepultada, como ele mesmo se referiu ao dizer que o defunto deveria ser enterrado com dignidade. Contrariando o técnico, eu diria que o defunto deve ser enterrado com indignação. O desfecho dessa campanha não poderia ser mais melancólico. Não pelos méritos da França, mas pelos deméritos de um time de estrelas cadentes.
Em substituição a essa geração de estrelas, dominadas pela fama e preocupadas únicamente com suas carreiras individuais, deve-se redescobrir os novos talentos. E o Brasil sempre foi um c…

Foi dada a largada!

Agora é oficial. As candidaturas estão definidas e o calendário eleitoral começa a valer com todas as sua nuances estratégicas. O palanque discursivo, antecedendo o palanque concreto dos comícios, já está valendo. O Presidente agora está exposto como candidato oficial e não poderá confundir a sua postura de chefe do Executivo com a de candidato à reeleição. Os instrumentos da caneta e do dinheiro já não poderão ser usados com tanta eficácia a partir de 1° de julho, conforme determinam as regras eleitorais. O território agora é o do discurso, do programa de Governo, do manejo inteligente das réplicas e tréplicas como num tribunal.
A construção de uma imagem de competência, aliada à imagem de eficácia na gestão dos rumos do País, será testada cotidianamente até o dia do pleito. E nesse território o Presidente larga com vantagem. As pesquisas lhe dão ampla vantagem que não poderá ser considerada com desdém.
Mas se uma campanha é feita de construção de imagens, também é constituida de poder…

Mulheres no Topo: Primeira Arcebispa!

A eleição de uma bispa para presidir uma das mais importantes Províncias da Comunhão Anglicana foi sem dúvida um momento histórico para a Igreja Cristã. A Comunhão Anglicana se constitui em um conjunto de 37 Províncias que congregam cerca de 80 milhões de anglicanos em todo o mundo. Conjugando traços tanto católicos - especialmente na liturgia e estrutura - quanto protestantes - na força do laicato e na razão - este ramo do Cristianismo tem avançado no enfretamento das questões ligadas à ética e ao gênero, provocando a reflexão (nem sempre consensuais) de outras tradições cristãs.
O primeiro grande passo dado pela Comunhão Anglicana no campo das ordens, foi a permissão de mulheres em todos os níveis do ministério sacerdotal. Na maioria das Provínicias, as mulheres tem acesso em condições iguais aos homens ao sacerdócio. Em outras - embora em menor número - as mulheres têm acesso aos postos de bispas.
A escolha de uma bispa, a Revma. Katharine Jefferts, 52, bispa de Nevada, para presidir…

Durou pouco....infelizmente!

Para os que, como eu, acreditaram que a decisão do TSE - de regulamentar a proibição de livre balconato nas eleições de outubro - seria um primeiro passo para o fortalecimento da democracia, nada mais decepcionante do que o inopinado recuo de quem tem nas mãos o poder de regular o processo eleitoral.
Volta tudo ao que era antes. Tristemente, por sinal.
Não se tem democracia representativa forte sem partidos fortes, com propostas claras e alianças políticas que não desfigurem seus programas. Todos os teóricos políticos são unânimes em afirmar que a base de um sistema representativo está posta na clareza programática e política dos partidos que se submetem ao crivo eleitoral, expondo seu programa de governo para a implementação de políticas públicas.
A verticalização é um instrumento válido, embora ainda insuficiente, para evitar que partidos distintos entre si no tocante a modelos e projetos de governo se aliem com base exclusivamente na estratégia eleitoral. É o balconato político - onde…

Hora de assumir!

Muito oportuna a decisão do TSE de normatizar com mais clareza a questão da verticalização nas eleições.
Especialmente porque obriga os partidos políticos a se definirem como siglas que precisam ter coerência eleitoral nas eleições gerais desse ano. Nossa história partidária está cheia de exemplos de alianças disformes, ao sabor de interesses de poder em maior gráu que os interesses de governo. Um partido político que se pretende ser nacional tem que ter projeto nacional e local. Isso significa que mesmo não desejando disputar a Presidência da República, o partido tem que assumir o custo político de apoiar ou não um projeto político nacional. E se a opção é não ter candidato ao Executivo Federal, assumir o ônus de não alugar-se a qualquer outro partido simplesmente pela ótica do utilitarismo eleitoral.
Aliás, todos os partidos políticos deveriam ter a obrigação de apresentar propostas e candidaturas a todos os níveis, até porque estariam sujeitos ao crivo dos elei…

Eleições 2006: Crônica anunciada

Chegamos a junho. Isso significa que estamos a exatos três meses da eleição presidencial. O quadro que tracei desde o início do ano parece alterado até para mais com relação ao que é probabilisticamente esperado. Isso significa que se nenhum fato fora de controle acontecer, o Presidente será reeleito com relativa facilidade. Até com a possibilidade de ganhar no primeiro turno. Além das estratégias adotadas desde o inicio do ano, conforme demonstrei em artigos anteriores, surgiram novos fatos que corroboram a reeleição e o mais forte deles é a incapacidade de a oposição construir uma agenda política consensual e programática. As divergências de egos nos arraiais tucanos e peemedebistas por si só ajudam o Presidente a continuar navegando em céu de brigadeiro. As CPIs, convertidas em palanque perderam a credibilidade que poderiam ter tido se adotassem realmente uma metodologia mais investigativa dos fatos, do que uma vitrine de ávidos por mídia. Some-se a isso o golpe moral do Con…

"A gente aprende rápido aqui"

Essa frase talvez venha se tornar uma emblemática afirmação para caracterizar o baixo gráu de estima que tem hoje uma das instituições que deveria se constituir num sólido alicerce da democracia. Foi dita pelo advogado Sérgio Wesley da Cunha, diante da CPI do tráfico de Armas, ao ser confrontado com a seguinte frase de um deputado: "você aprende rápido com a malandragem". Não me cabe aqui defender o advogado por suas vinculações aparentemente mais que profissionais com o crime organizado. Nem justificar a atitude do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Mas no mínimo é estranho que uma Casa Legislativa com a importância que tem, após ter absolvido vergonhosamente parlamentares acusados de corrupção, tenha ainda algum arroubo de pontificar diante de terceiros sobre prática de malandragem. As recentes acusações de um escândalo de desvio de verbas públicas atingem quase 60 parlamentares e, se brincar, todos acabarão sendo absolvidos também. Ao responder que "aqu…

Lembo, Limbo e Elites brancas

Quem leu a entrevista do governador Cláudio Lembo à Folha e teve o cuidado de perceber o texto oculto do seu desabafo, vai chegar à conclusão de que ele é o retrato de um homem amargurado pela solidão do poder, experimentando um limbo ao qual poucos sobrevivem. Aliás, ele afirma isso categoricamente em uma curta resposta, mas a espalha sutilmente pelo resto da conversa.
Alçado ao governo do estado por conta da candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência, Lembo teve o presente de grego que ninguém deseja. Literalmente foi investido da função de almoxarifar o estado até que o novo governador receba de suas mãos a chefia do Palácio dos Bandeirantes. E nesta função, foi abandonado por seus aliados, inclusive os de seu próprio partido. Estão de olho sim em outro Palácio e com outras prioridades.
O desabafo do governador traz consigo talvez uma das frases que mais vão incomodar seus aliados durante a campanha eleitoral. A de que a elite branca é a grande responsável pelo que anda acontecendo…

Cadê a Sociedade Civil?

Após o terror do fim de semana, o que estamos assitindo agora é uma corrida atabalhoada da classe política para discutir medidas mais rigorosas para evitar que os bandos do crime organizado ajam com a liberdade que tem agido.
Por seu lado, os governos ficam a discutir quem tem mais poder de controle sobre a segurança pública. Razões de ordem federativa são apontadas para justificar "orgulhos" políticos feridos, em pleno jogo de cena eleitoral.
Ontem à noite o governador de São Paulo declarou abertamente que os atentados e rebeliões tinham acabado, e que tudo tinha saido muito bem, conforme o que fora planejado. Desconheceu completamente o fato de que mais de 80 vidas foram perdidas, entre policiais, criminosos e civis.Para isso teve apenas uma insensivel definição: fatalidade!
É dificil enfrentar essa situação sem nos conscientizarmos de que há um aboluto descaso com a sociedade civil.
Pelo preceito constitucional, a Segurança Pública é dever do Estado e direito e responsabilida…

A Falência da Segurança Pública no Brasil

Os lamentáveis atentados do fim de semana contra o frágil sistema de segurança do Estado representam um sério alerta para os governos no que tange à sua responsabilidade com a segurança pública. Em uma escalada ousada e sem precedentes em termos de quantidade de ações e flexibilidade física das mesmas, ocorrendo ao mesmo tempo em diversos lugares, o crime organizado deu mostras do que realmente é capaz.
São Paulo e outros estados experimentaram cenas que mais pareciam estar ocorrendo em zonas de conflito como Bagdá. São mais de 52 mortes contabilizadas, igual número de feridos e rebeliões em vários presídios.
A constatação previsível é de que o aparelho de Estado não está preparado para enfrentar ações articuladas e, nessa perspectiva, transmite um perigoso sintoma de insegurança aos cidadãos que cada vez mais desembolsam recursos para pagar segurança privada, ramo que tem crescido geometricamente nos últimos anos.
Torna-se urgente uma séria e eficiente política pública de segurança que …

Nacionalismo de Ocasião

A subida de tom nas diversas falas que estão interagindo no caso da nacionalização do gás, parece estar criando um clima de guerra fria entre o Brasil e a Bolívia. Evidentemente que as falas representam distintos interesses, cada qual com seu ponto de vista voltado para o próprio umbigo.
Por um lado, o Governo Morales exerceu legitima autonomia de um Estado soberano que tem o direito de tratar como entende melhor a gerência de recursos naturais sob sua jurisdição política. E o fez de olho no processo constituinte que se avizinha e no qual pretende reconstruir as bases do Estado boliviano. A prova disso é que a medida conta com apoio da grande maioria dos seus eleitores, aliás mais do que dos seus eleitores, pois alcança cerca de 70%, em média, contra os 54% que nele votaram.
Por outro lado, o Governo brasleiro, que adotou desde logo uma postura conciliatória, fiel à sua história de conciliação e diálogo como método de enfrentamento de divergências diplomáticas. A questão em foco, por s…

Legitimidade Zero

As recentes atuações da Polícia Federal e a descoberta da chamada Operação Sanguessuga revelam que vivemos uma crise institucional que já extrapolou todos os limites de tolerabilidade. Mal saímos do espetáculo do mensalão, agora surge o espetáculo dos sanguessugas. Um rastro de rapina da República que pode envolver quase um quinto do Parlamento. Pelo menos 62 parlamentares são citados nas investigações. E ainda ouvimos um senador da República declarar em público que o Congresso não pode ser desmoralizado por um cidadão que tem se furtado a comparecer à CPI que preside. Ilustre senador, este Congresso já está desmoralizado. Vivemos uma institucionalidade do faz de conta, como bem disse o Ministro Mello, em sua posse como Presidente do TSE. Até quando neste país o dinheiro público vai ser apropriado em detrimento dos excluidos? Até quando essa briga de egos políticos vai manipular a opinião pública, fazendo da mídia um palco para uma péssima versão de um Estado Espetáculo? Não…

As lições de Garotinho

Se se confirma a suspenção da greve de fome de Garotinho hoje, conforme se anuncia, algumas lições amargas serão tiradas pelo candidato. A primeira delas é de que ela foi precipitada. Estranhamente, o gesto do ex-governador não condiz com seu curriculo acostumado a confrontos e acusações. Sua trajetória é de rompimentos e mudanças de sigla que, mais ou menos, o manteve no cenário político nacional até hoje. A segunda é de que definitivamente ele comprometeu sua candidatura. O gesto radical, de defesa da honra, não veio acompanhado de esclarecimentos convincentes de seus laços com financiamento político viciado. A tentativa de comprometer internacionalmente o processo político brasileiro foi um tiro no pé. E a última lição amarga é de que não se enfrenta a mídia sem munição adequada. Faltou inteligência quando escolheu a grande mídia como alvo de seu protesto. Porque nem a pequena mídia ficou do seu lado. Pelo contrário, seu gesto foi caricaturado, achincalhado - até de form…

Lula X Morales: um teste da Política Externa brasileira

A estatização dos recursos naturais na Bolivia era uma crônica anunciada desde que Evo Morales conquistou a Presidência através de uma acachapante vitória. A questão era quando ele iria agir. Eleito sobre uma pauta de reivindicações nacionalistas de uma nação marcada pela expropriação de seus recursos naturais, sem nenhuma contrapartida social, responsável pelos maiores índices de pobreza da América do Sul, Morales precisava de um gesto público de soberania. Sobrou para a Petrobrás. E para o Governo Lula. O desfecho desse incidente não será imediato. Para muitos que esperavam medidas retaliatórias do Governo brasileiro o episódio promete ser longo e amplamente negociado. Lula não optará pelo confronto, pois sabe que esse é um campo minado. Ao invés, buscará construir uma saída política conjugada com outros aliados no continente. Afinal, Morales precisa do apoio de aliados políticos como Chavez, Kirchner e o próprio Lula, de quem recebeu efusivo apoio.Nenhuma ação unilatera…

Perdas e ganhos na semana política

Uma avaliação muito sintética da semana aponta ganhadores e perdedores no contexto político brasileiro.
Sem sombra de dúvidas foi o ex-ministro Palocci o grande personagem perdedor da semana. Creio que na história recente da política brasileira, ninguém caiu em tamanha desgraça política em tão curto espaço de tempo. Do gabinete do Ministério para um indiciamento policial. Mesmo aqueles como José Dirceu ou mesmo Roberto Jefferson que perderam mandatos não sofreram com tanta rapidez o desgaste de uma queda tão brusca. O deleite da oposição foi incalculável, mas não tão animador como esperava, pela conjugação de outros eventos que ameaçasse a figura do Presidente.
Perdeu também o candidato do PMDB, Antony Garotinho, com as denúncias de triangulação de favores políticos e econômicos entre o governo do Rio de Janeiro, fundações e os financiamentos recebidos para a campanha. Resta ver o impacto que isso terá na sua imagem. Mas ainda que venha a ser mínimo, ele com certeza terá que lutar muito…

Lula X FHC: o retorno?

A fala do novo coordenador político do Governo hoje é um sintoma de como o jogo do poder promete lances imprevisíveis pelos meses que faltam para a manifestação das urnas. A aparente insegurança da candidatura Alckmin e a falta de acordo entre PSDB e PFL tem dado aos aliados políticos do Presidente farto combustível para a construção de uma estratégia do tipo "dividir para ganhar".
E, para tanto, a personalidade e experiência de Tarso Genro cai como uma luva. Primeiro ele levantou dúvidas sobre a consistência da candidatura Alckmin. Depois jogou lenha na fogueira atribuindo ao PSDB a pecha de partido indefinido, aliás reforçando a velha tese corriqueira de "partido em cima do muro". E, por último, jogou a corda: FHC para Presidente.
Para quem está acostumado às estratégias psicológicas em contexto de disputa de poder, a afirmação do coordenador político do Governo é uma isca que certamente FHC não vai engulir. Mas causa estrago. Como se sabe que o ex-Presidente é pe…

Eldorado de Carajás: Dez anos de impunidade!

De um lado, policiais despreparados para ações de evacuação. Investidos de uma autoridade sem limites, e com armas pesadas. Comandados por um homem acostumado a ler a realidade sob aótica maniqueísta de bons e maus, de ordem e desordem. Uma ordem superior definitiva e inapelável, até por ser superior: retirar a qualquer custo.
Do outro, um grupo de acampados acuados pelo medo de um desfecho imprevisível. Vivendo o isolamento completo e criminalizados pela elite latifundiária. Sem perspectivas de nenhuma negociação, diante de um ato jurídico claro e indiscutível.
De um lado o poder de fogo, do outro as foices e enxadas, gastas pelo esforço cotidiano de arar a terra para produzir a subsistência.
Cenário preparado para um confronto. E o confronto se deu com 19 corpos abatidos no chão da Pátria, mãe gentil (será?). Outros tantos mutilados.
Essa é a descrição muito tosca de um dos episódios mais tristes da história contemporânea de nosso País.
Fazem dez anos do Massacre de Eldorado dos Carajás…

Feliz Páscoa!

Mesmo em meio aos mensalões, uso indevido do poder, exclusões de tantos e tantas num Brasil tão rico e tão mal gerenciado.
Mesmo em meio a tanto desperdício , desfaçatez de políticos, encenações de compromisso com a justiça.
Há uma esperança que não quer calar. Há um desejo coletivo de um País mais justo, mais solidário e que use adequadamente as potencialidade de seus recursos e de seu povo.
Que esta Páscoa nos inspire a uma nova vida.
Que a Páscoa nos ensine que é preciso caminhar para a frente, na busca do que cada brasileiro e brasileira precisa: dignidade!
A última palavra divina é de Vida. A morte não tem a palavra final!
Feliz Páscoa a todos e todas!

Por um Sistema Nacional de Controle de Gestão Pública

O escancaramento do processo de apropriação privada do Estado para fins distintos daqueles que constituem a missão dos gestores públicos nos leva a concluir que mudanças substantivas devem ser feitas.
Ao ler o artigo de Cláudio Abramo, coordenador da ONG Transparência, me deparei com algumas das sugestões apresentadas pela recém concluída CPMI dos Correios. E expresso aqui a minha concordância com a análise dele, propondo, no entanto , uma via diferenciada com relação à criação de um Sistema Nacional de Combate à Corrupção.
Pela proposta, esse sistema é repressivo e praticamente teria como componentes representantes de órgãos públicos, coordenados pelo Tribunal de Contas. Penso que a idéia deve ser aperfeiçoada.
Primeiro porque ela ignora o papel da Sociedade Civil, dando aos agentes públicos poderes de fiscalizar outros agentes públicos. Não se avança no aumento do controle social sem envolvimento da Sociedade.
Segundo, porque a melhor maneira de se combater a corrupção não é apena…

Eleição Presidencial: Os desafios da estratégia do Presidente (III)

Nos artigos anteriores comentei sobre as variáveis econômica e religiosa no embate eleitoral que vamos viver até a eleição. E como a estratégia de campanha do Presidente deverá enfrentar esses desafios. Aqui analiso o perfil de "bom moço" que tem o candidato Alckmin. Um dos mais tensos pontos da campanha eleitoral deste ano será a vitrine da ética. E nesse ponto é bom saber que o Presidente não tem sido beneficiado. A crise em torno de denúncias de corrupção e de práticas ilícitas de assessores tem mantido Lula no canto do tabuleiro. Os peões da oposição ocuparam o centro do tabuleiro, adquirindo visibilidade na mídia e encurralando o Governo de forma sistemática. Bispos e Torres foram atacados, caindo inclusive a Torre Palocci, fazendo crer que a derrota se tornaria inevitável. Mas surpreendentemente o Presidente parece inatingível. A recente pesquisa Datafolha revelou uma variação para menos dentro da margem de erro, o que representa estabilidade. Qual a causa de …

Despreparo de agentes públicos: porta aberta para a corrupção

Recente pesquisa divulgada pelo Interlegis revela um quadro nada animador da estrutura do Poder Legislativo Municipal no Brasil. O despreparo e a improvisação temerária caracterizam não somente a gestão como o desempenho parlamentar daqueles que são a casta mais próxima do eleitorado: os vereadores e vereadoras.
O resultado disso é um desastre para os cofres públicos e o desperdício de recursos nas esferas menos poderosas de capacidade fiscal que são os municípios.
Aliás, o problema não se restringe às Câmaras Municipais. Os processos de auditagem de verbas federais administradas pelos municípios revelam coisas terríveis: em mais de dois terços deles, existem sérios problemas de gestão, dando lugar ao cometimento de deslizes administrativos com grave prejuizo da comunidade.
No âmbito do Conselho de Transparência e Combate à Corrupção, no qual represento a ABONG, temos ouvido relatos que nos deixam pasmos e a necessidade de criação de um programa de capacitação de gestores públicos torna-…

E agora Presidente? De céu de brigadeiro ao Inferno de Dante?

O desfecho ocorrido ontem com a demissão do Ministro Palocci pode ter desdobramentos muito sérios para as pretensões do Presidente Lula. Isso vai depender da reação da opinião pública a respeito do afastamento do ministro. Há duas formas de se encarar o mais novo fato político. Uma positiva e outra negativa. A positiva é ter demitido por quebra de confiança, baseada em clara responsabilidade criminosa. Mesmo com o volume cada vez maior de denúncias contra o Ministro, o Presidente pode argumentar que manteve a confiança em seu auxiliar baseada na ausência de provas materiais de prática de corrupção. Pode alegar que se tratava de uma luta política para por o Ministro e o Governo na defensiva, diante dos resultados eficientes da política econômica.
A negativa é se o Presidente passar a idéia de que só demitiu porque não tinha mais saída. Se assim for, passará a idéia de que manteria o ministro de qualquer jeito, se não houvesse prova de seu conhecimento da prática do crime de quebra de s…

CPI do fim do mundo e debaixo dos lençóis

Entre marchas e contra-marchas, a CPI dos Bingos, chamada de fim do mundo, protagonizou semana passada o que pode se tornar um embate digno de um filme de espionagem. Saído do anonimato, como um desses personagens populares, capazes de encarnar certos paradigmas tipo Davi e Golias, o caseiro Francenildo ocupou a midia como responsável por desmentir um dos mais poderosos homens da República. Baseado em um currículo de simplicidade, tornou-se de repente o grande personagem da oposição para manter o fogo cerrado sobre o Governo. Suas declarações, incluindo detalhes picantes, ao gosto de um não assumido voyeurismo de senadores, deputados, e jornalistas, pareciam dotadas de uma força capaz de desmoronar a até agora confiável imagem do ministro Palloci.
Não tenho certeza se as informações do caseiro realmente poderão ser úteis no desvendamento de qualquer vínculo entre o ministro e o que a CPI dos Bingos tenta investigar. Mas com certeza, o que poderia ser dito, se não fosse a liminar que …

Eleição Presidencial: os desafios da estratégia do Presidente (II)

Entre os aliados do candidato Geral do Alckmin se encontra um segmento que não pode ser desprezado pela sua força. A política brasileira acostumou-se nos últimos anos a valorizar os votos dos religiosos. Foi assim no famoso "Centrão" dos tempos de Sarney, composto pela chamada bancada evangélica que ficou caracterizada por famosos acordos políticos no Congresso. Não é de hoje que algumas expressões da hierarquia católica romana se manifestaram em pleitos, emitindo julgamentos políticos sempre embasados em convicções religiosas ou ausência delas, nos candidatos. Quem não se lembra da famosa interpelação a FHC, num debate, onde a resposta a respeito de sua crença em Deus custou-lhe muitos votos? Quem não se lembra da campanha feita contra Lula, em alguns meios evangélicos, na primeira eleição de 1989, a respeito de ser comunista e ateu? Recentemente a CNBB, através de representantes da hierarquia católico-romana, se manifestou contra a política econômica do Governo Lu…

Eleição Presidencial: os desafios da estratégia do Presidente (I)

Ao contrário do que pensam alguns, a candidatura Alckmin não é tão frágil como parece. Apesar da preferência de parte dos aliados do Governo em enfrentar um candidato com limitações discursivas e de pouco carisma, como seria o Serra. O Presidente, percebendo desde já a potencialidade do seu maior adversário, já determinou aos seus aliados uma profunda discrição. Como hábil jogador político - apesar de o acusarem levianamente de ser inculto - Lula sabe que terá que mover as próximas peças com muita habilidade. Como expressei anteriormente nesse blog, os movimentos do Presidente foram eficazes até agora com a definição do maior nome para enfrentá-lo, entre os demais que ainda serão definidos - leia-se aqui o candidato do PMDB que sairá nas prévias de domingo. Analisarei aqui, em etapas, as três forças que são visíveis em Geraldo Alckmin: o apoio da FIESP, a apoio da Igreja Católica - leia-se aqui a ala conservadora - e o estilo de bom moço, com um discurso ético. Nesse post anal…

Lições de Barra do Ribeiro

Primeiramente quero expressar minha discordância quanto à equivocada forma de protesto que levou à destruição os laboratórios do Horto de Barra do Ribeiro, na última quarta-feira. Mas com igual veemencia expresso minha indignação com a parcialidade com que a mídia trata a questão dos conflitos agrários. O estado de Direito deve ser respeitado como garantia de regras civilizadas entre os segmentos componentes de uma sociedade políticamente organizada, sendo a pressão social legitima em defesa de direitos fundamentais que estejam sendo desrespeitados pelos agentes públicos e privados.
Ao cobrir a destruição dos laboratórios de Barra do Ribeiro, a grande mídia mostrou o que quiz e escondeu o que quiz também. Primeiramente esqueceu de falar do perfil político da Aracruz, marcado por ações criminosas contra indígenas e quilombolas em seus centros espalhados pelo país, seja na Bahia, seja no Espírito Santo, seja no Rio Grande do Sul.
Esqueceu de mostrar o favorecimento econômico que esta em…