quinta-feira, maio 23, 2013

Punir: o caminho mais fácil para o inferno!

Estava assistindo hoje a noite o programa eleitoral do PSC e fiquei estarrecido com a apologia à campanha pela redução da maioridade penal. Os argumentos já são conhecidos por um silogismo perverso do tipo: se pode votar pode respeitar as leis, entre outros.
A sigla deveria se repensar. Um partido que se denomina Social e Cristão assume uma plataforma reacionária e de enfrentamento fácil do problema da criminalidade apontando uma solução meramente punitiva para a situação dos jovens e adolescentes em conflito com a lei.
Este é o tipo de proposta que é defendida por aqueles que ignoram completamente a responsabilidade do Estado e da sociedade com seus filhos. Num país como o nosso que pretende ingressar no seleto grupo das sociedades desenvolvidas é triste observar que alguns dos seus agentes públicos busquem o simplismo da lei sem assumirem a responsabilidade de oferecer as condições mínimas de educação e dignidade aos nossos jovens. Políticas públicas para a Juventude ainda estão no plano das intenções e se arrastam há anos dentro dos gabinetes dos políticos e das comissões legislativas sem no entanto serem assumidas com seriedade. O Estatuto da Criança e do Adolescente, considerado marco de civilidade da sociedade brasileira, não tem sido implementado de fato para garantir o que ele próprio mais deseja assegurar. Não se garante direitos somente com textos jurídicos. Garante-se direitos com políticas efetivas.
Mas passemos agora para um outro aspecto. O das instituições que se encarregam de ressocializar os adolescentes e jovens em conflito com a lei. Estas estão sucateadas, dominadas pelo despreparo da maioria de seus agentes. Ao invés de garantir a ressocialização, acabam repetindo o modelo dos estabelecimentos prisionais do país: aguçam a revolta e a escolarização no crime.
É isso que queremos de verdade? O custo de uma opção punitiva para os de menor idade apenas aumentarão a espiral de internados e não garantirão um futuro mais seguro para a sociedade. A prática da violência custa muito mais aos cofres públicos do que implementar políticas públicas de base que garantam a dignidade de nossas crianças e jovens.
Numa sociedade dominada pela ideologia consumista, onde o mercado tudo vende, do lazer até a educação, que transforma nossas gerações mais novas em multidões de indivíduos seduzidos pelas "coisas" e serviços que não podem adquirir, sem oferecer adequados recursos de empoderamento dessas gerações, não pode simplesmente achar que instrumentos punitivos resolvam a questão da violência.
Chega a ser hipócrita o comportamento das elites em se garantir com seus privilégios e garantir-se por trás de um arcabouço legal que pune adolescentes em tenra idade sem que se garanta desde a infância, para estes, as condições de igualdade e dignidade. É mais fácil pagar impostos para fortalecer os aparelhos de segurança do que pagar impostos para educar com qualidade as novas gerações. Para estes segmentos talvez seja mais seguro investir em centros de ressocialização do que em salas de aula. Se esquecem, no entanto, que o custo com a repressão é maior do que o custo da educação.
Infelizmente, em nosso país, as crianças e adolescentes são mais vítimas da violência do que autores de violência. A meu ver, esta discussão de reduzir a maioridade penal é uma fuga articulada das responsabilidades que temos como sociedade com nossas crianças e adolescentes. Punir é o caminho mais fácil. Mas lembrando um ditado popular, repito: o caminho mais fácil sempre acaba levando ao Inferno!

sábado, março 23, 2013

Cabral: 513 anos depois a história se repete!



Um país inteiro exposto à vergonha por atitudes de um governo preocupado única e exclusivamente com um evento que durará pouco mais de um mês. As cenas assistidas ontem apenas revelam o quanto de desrespeito se comete contra os indígenas neste país. Literalmente abandonados pelas políticas públicas de um governo que está comprometido com aquilo que chama de desenvolvimentismo, os povos ancestrais deste país sofrem as consequências da criminalização, do preconceito e da flagrante violação de seus mais básicos direitos. 
Num país mais sério, o governador do estado do Rio de Janeiro seria sumariamente processado e afastado do cargo por autorizar uma operação policial espúria, desmedida e  violenta no despejo dos indígenas da Aldeia Maracanã, nas dependências do antigo Museu do Índio. Mas este é o país dos poderosos que, com o uso da máquina e da força policial, se colocam a serviço de interesses do grande capital. Seus atos, ainda que questionáveis juridicamente - e que causam danos a terceiros - raramente são punidos com rigor. Escorados por maiorias parlamentares, o que os blinda contra o risco de responsabilização política, gestores públicos pouco se importam se suas ações ampliam a exclusão dos menos favorecidos. 
Projetos megalomaníacos, normalmente ligados a interesses de grandes empreiteiras ou de grandes produtores rurais tem vitimado trabalhadores sem  terra, quilombolas e indígenas.
É lamentável que o Brasil se torne conhecido por tratar tal mal os ancestrais da Pátria. Não é de hoje que se vê que a cidadania tem sido desrespeitada quando os opositores são fracos, ou tem apenas a favor de si as vozes dos movimentos sociais. Eu fico imaginando se o governador Cabral agiria com o mesmo rigor se fosse o caso de expulsar moradores abastados de um condomínio fechado, situado dentro de terras públicas - a gente sabe que exitem alguns - especialmente nas terras de marinha (que são terras públicas também).
Infelizmente, no caso da Aldeia Maracanã, prevaleceu a força do interesse econômico do projeto urbanístico para a Copa do Mundo. Urbanístico em termos, pois não há nenhuma evidencia de que a população do Rio de Janeiro venha ser beneficiada concretamente com a obra. A área servirá de estacionamento e para shopping. E aqui vem a lógica perversa das elites: carro vale mais que índio! 
A história se repete tristemente: quando o primeiro Cabral aqui aportou, sabe-se o que aconteceu. Tomou-se a terra, suas riquezas, sua cultura e se impôs uma nova ordem colonialista que seguiu seu traço infalível. Agora temos um segundo Cabral que continua seguindo o traço infalível da expropriação, da arrogância e da violência! Alguém pode me dizer se será sempre assim? 

segunda-feira, dezembro 31, 2012

Ano Novo: troque seu espelho por uma janela!


Neste recesso de fim de ano, aproveitei para realmente descansar. Estava precisando de verdade desconectar um pouco e refletir. Longe do escritório e usufruindo de momentos de relax com a família. Fazendo coisas triviais, dormindo bem e esquecendo um pouco os papéis institucionais. Ficando um pouco "sumido" das redes sociais e evitando os emails que evocam compromissos, tensões, entre outras demandas.
Percebi que neste curto espaço de tempo necessito fazer uma reviravolta na minha cosmovisão. E chego à conclusão de que se podemos realmente virar o ano com um compromisso de vida renovado, preciso trocar meu espelho por uma janela. Explico: o espelho sempre nos revela a nós mesmos, nosso rosto, nossa aparência e nossos estresses. Há pessoas que estão escravizadas pelo espelho. Umas porque precisam se enxergar a si mesmos e se admirarem à exaustão. Numa sociedade onde a estética é sempre uma regra áurea para o que se quer entender por satisfação, o espelho se torna um parceiro da angústia ou do prazer narcísico. Angústia para o que se sentem inferiorizados e prazer para os que estão dominados por suas próprias máscaras. 
As janelas nos projetam para fora, para o mundo e para a vida. Quando se olha através das janelas a gente ver um mundo numa dinâmica que nos absorve e que nos convida a interagir com ele. A gente se "esquece" da gente. A gente se torna um ser seduzido pela interação com este mundo para além da gente mesmo, e com o qual sentimos o desejo de interagir. Se o que vemos nos agrada, sentimo-nos agradecidos a Deus. Se o que vemos nos desagrada, pulsa em nós o desejo de transformar as coisas e tocarmos a realidade com nossas mãos. 
Em outras palavras, o espelho estreita e as janelas ampliam. Pergunto a você meu irmão e minha irmã: em 2013 terás a coragem de olhar através das janelas? Ou continuarás preso pela lógica dos espelhos? 
Que 2013, para além das palavras de ordem estereotipadas que costumamos ouvir das pessoas (tipo: que o mundo tenha mais paz, mais amor, mais isso ou aquilo) represente uma oportunidade de ampliarmos a nossa "enxergância" (neologismo de um querido colega reverendo). 
O mundo não terá paz, nem amor, nem nada de novo além daquilo que já tem se as pessoas continuarem a ter apenas o espelho como referencial. O mundo poderá, sim, se aperfeiçoar, se as pessoas saírem de frente de seus espelhos e se voltarem para as janelas! Elas nos projetam sim para fora e para a ação! 
Um Feliz 2013 a todos os meus amigos e amigas. Aos colegas bispos, ao clero e ao povo da DSO aos quais agradeço o carinho e a paciência para com este pastor, ao povo e clero de nossa IEAB e a todas as pessoas com as quais eu tenho uma relação de amizade, carinho e partilha de vida. Estando estas pessoas longe ou perto,  não importa, o mais importante é que se tornem pessoas capazes de trocar espelhos por janelas! 
Um agradecimento especial a Talita, companheira de todas as horas! Que ela e eu possamos sempre continuar olhando através das janelas.

+Francisco

sábado, dezembro 29, 2012

Os Santos Inocentes continuam a existir!


Refletindo neste dia em que se celebra os Santos Inocentes, não posso deixar de reverenciar a memória de todas as crianças e adolescentes vítimas de todas as formas de violência.
Vimos neste ano cenas chocantes de crianças assassinadas pelos opressores na Siria, na Palestina e na África. Vimos uma adolescente atingida pelo Taliban, pelo simples fato de defender o direito de meninas frequentarem uma escola. Vimos o massacre de crianças en Newtown indagar-nos sobre até onde se permite a liberdade da loucura, numa sociedade onde armas são artigos de fácil aquisição. E recentemente temos a luta pela vida de um menina de dez anos atingida por bala perdida no Rio de Janeiro.
Fica então a pergunta: como se pode permitir que nossas crianças e adolescentes continuem à mercê dos distúrbios de uma sociedade que deveria protege-las?
Violência com armas constitui a segunda maior causas de morte ou lesão grave aos menores.
Fico triste pelo fracasso do esforço em se acordar um Tratado Internacional sobre comércio de Armas, buscado pela ONU. Apesar do esforço ecumênico, de Ongs, e de pacifistas, a insensibilidade dos grandes produtores de armas - os Estados Unidos à frente - inviabilizou qualquer avanço para além dos discursos. Apesar de se multiplicar discursos sobre o tema, não se consegue passar para a ação concreta.
Até quando, diante da ineficácia dos governos e o afã por lucros ou mesmo conflitos alimentados pela lucrativa indústria de armas exporão o elo mais frágil de nossa sociedade?
Continuarão nossos inocentes a sofrerem as consequências disto? Continuaremos a assistir o clamor das mães de Ramá? (Mt 2:18)
Que os santos inocentes velem por nós! Como Igreja, devemos assumir o compromisso de proteger os mais frágeis. Que o nosso clamor não seja apenas regado pelas lágrimas de dor pelas inocentes vitimas da violência institucionalizada em nossa sociedade. Que nosso clamor seja como os dos profetas e profetizas: cheio de vigor e de esperança contra os poderosos que assistem insensiveis às tragédias que vitimizam crianças e adolescentes.
Que a memória dos inocentes da palestina do séc I bem como de todos aqueles que perderam suas vidas em razão da violência possa estar sempre presente em nossa mente e coração, para não cairmos na insensibilidade de acharmos que os eventos de Newtown, Palestina, Pakistão e em todos os lugares do mundo são estatísticas apenas desconfortáveis!  

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Pra que pressa? Cante com as estrelas, se puder!

Nestes tempos natalinos é possível observar-se uma característica muito comum nas pessoas: a pressa. Pressa para que o ano termine logo. Pressa para cumprir os compromissos sociais. Pressa para chegar antes de outras pessoas aos artigos que serão os presentes de Natal para a família e os amigos. Pressa pra chegar logo ao destino das férias. Enfim, parece que o relógio das pessoas aumenta a velocidade fazendo-as escravas de um ritmo que consome as energias emocionais e se tornam fonte de desconfortável stress.

Enquanto isso, no ventre de uma Maria, cresce um menino que chegará a um mundo tenso de correria também por causa de um tal de censo que o Imperador determinou a todos os seus súditos (tanto os de boa  quanto os de má vontade). Também ai temos a pressa do sistema, querendo saber quantos são os contribuintes para engordar o caixa do Império e alimentar o poder e o controle sobre as pessoas.

José e Maria foram apanhados por este turbilhão. Tiveram que sair praticamente de uma banda para a outra do país. Sofreram as consequências de uma migração forçada. O furdunço era tão grande que nem lugar para se hospedar tiveram. Essa é  a saga do Império: desenraíza as pessoas, tornam-nas migrantes em seu próprio ser.

Mas ali estava o Menino que devia nascer exatamente para contradizer toda essa lógica maluca de um sistema que trata as pessoas como engrenagem. O sistema foi tão nefasto que nem um lugar mais digno para o bebê nascer proporcionou.

Estavam ali Maria, José, o Menino e os animais. Tendo o céu por teto. Isso me lembra e muito os tetos de tantos sem-teto que temos hoje me nosso país. Só que o Império não recebeu a Glória! A Glória foi destinada aquele menino e à sua abençoada família. Não foi para Cezar que os céus cantaram. Não foi para Cezar que os pastores destinaram o cântico de alegria. Ali, longe do burburinho, houve paz e quietude. Enquanto os agentes do Estado se debruçavam ávidos sobre números em suas tabuletas, os bilhões de corpos celestes cantaram que finalmente a nova criação chegou.

Minha intenção nesta reflexão é perguntar sobre a qualidade de que Natal que a gente precisa viver. Certamente não é o cenário das lojas apinhadas de gente se batendo. Nem o das pessoas estressadas correndo atrás do tempo para saciar o deus mercado. Eu preferiria que pudéssemos viver o Natal da comunhão com Deus de verdade. O Natal da comunhão com a Natureza e com um Menino que sorri livremente, sem amarras, irresponsável até diante de um sistema que já queria contá-lo em suas estatísticas!

Naqueles tempos, longe da Jerusalém cheia de luzes e de palácios iluminados, uma família recebia a vênia de toda a Criação. Num lugar onde as luzes celestes podiam ser vistas sem serem ofuscadas pelas luzes da cidade. Onde uma criança anarquicamente ria daqueles que se achavam os donos do mundo.

Que tal vivermos um Natal de mergulho nesta liberdade que Deus nos dá através de Jesus menino? E, se porventura, o stress te dominar nestes dias, pare, sacuda a cabeça e diga a si mesmo: ei! para que tanta correria se posso aproveitar melhor a festa de forma e me sentir mais gente, com mais fé e louvando o Deus Emanuel! Se junte às estrelas e cante de alegria ao Deus amoroso que tanto nos quer bem!

+Francisco, Santa Maria

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Um Natal diferente!

E depois do terremoto um fogo; porém também o SENHOR não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada.1 Reis 19:12


Tenho refletido ultimamente sobre o impacto dos festejos natalinos na vida das pessoas de maneira geral. Numa sociedade cada vez mais dependente do consumo e da aparência (meios pelos quais o mercado se alimenta) este período do ano é o de maior concentração de tensões psicológicas que passam quase despercebidas por alguns.
Poucas pessoas - certamente vistas com estranheza pela maioria - conseguem escapar ao frenesi desta estação que tem mais a ver com rituais sociais do que propriamente com o ilustre aniversariante: o próprio Deus em forma de criança.
Estava conversando com uma pessoa por estes dias e o que ouvi dela me inspirou escrever umas linhas sobre o Natal. Esta pessoa me dizia que estava com a agenda cheia de compromissos e com uma lista de compras que não sabia como ia dar conta. Ai eu perguntei a ela: você precisa mesmo cumprir à risca toda essa agenda? você precisa mesmo se sacrificar financeiramente para cumprir expectativas de outras pessoas? Nisso tudo onde está o seu bem estar espiritual?
Não preciso dizer que ela me olhou com olhos de espanto e tratou de desconversar sobre as respostas. Não a censurei por isto. Nem queria causar culpa nela, apenas levá-la a refletir sobre o valor agregado, em termos espirituais, que ela poderá contabilizar quando ultrapassarmos a barreira do primeiro dia do novo ano.
Por isso, me proponho aqui a provocar uma reflexão sobre como poderiamos celebrar um Natal diferente. Um Natal que nos traga o encontro não somente com  o Menino Deus mas também conosco mesmos.
Algumas dicas podem ser úteis. Que tal desenvolver desde agora em diante o hábito de gastar dez minutos por dia desligado de tudo, em um ambiente relaxante, conversando com Deus sobre o que é mais importante para a nossa vida?
Ou então, que tal reservar tempo igual diariamente para avaliar em que avançamos ou não na nossa maturidade espiritual. Deus é uma realidade presente na nossa vida ou apenas quando estamos em apuros? Nos bons momentos atribuímos a nós mesmos os méritos,  esquecendo de Deus? Conseguimos enxergar o que é espiritual mesmo no meio do burburinho da vida material? 
Até mesmo, se você não sente a coragem necessária para realizar as reflexões acima propostas, pode reservar estes mesmos dez minutos para uma leitura de um Salmo, ou mesmo os relatos bíblicos do Nascimento do Salvador. Pode ser por partes. Não precisa querer abarcar tudo de uma vez. A Palavra de Deus nos atrai se nos abrimos para lê-la com a devida atenção! Eu tenho que certeza de que este passo pode ajudar você a dar outros passos. 
Faça isso e verá o quanto avançará. Mas lembre-se: é importante perseverar, criar o hábito, disciplinar-se! E lembre-se: Deus nos quer proporcionar paz e alegria, aquela mesma que fez toda a Criação e os céus cantarem o Glória in Excelsis Deo. E tenha certeza que ninguém canta tal canção com verdadeira alegria estando sob tensão e stress! 
Não deixe a correria, o stress e as expectativas sociais deste tempo retirarem de você a singeleza da comunhão com Deus e consigo mesmo! Vá ao encontro do Menino Deus em sua santa e humilde manjedoura!

+Francisco
 
 

sábado, agosto 11, 2012

Homenagem aos Pais


Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor. João 15:9

Numa sociedade de enorme mutação tecnológica e onde papéis sociais são transformados numa velocidade intensa, precisamos ter a compreensão do papel da paternidade em nossos dias.
Tomo como ponto de partida meu próprio pai. Um homem do campo, filho de uma década marcada por grandes transformações políticas no Brasil, Severino, sim, nordestino e camponês, viveu uma trajetória de sobrevivência memorável.
Não lhe foi dada oportunidade para estudar, mas isso não impediu de ele aprender na maior escola e me transmitir coisas tão fundamentais que nenhuma escola ou universidade ensina: caráter!
Esta é a mais fundamental responsabilidade de um pai - e eles dividem isso com as mães! Transmitir aos filhos os valores fundantes que determinam a qualidade da relação destes com o mundo e a sociedade.
Valores como honestidade, inconformismo com a injustiça e respeito podem ser construidos no cotidiano de uma relação de diálogo e de vivências simples. Desde o colo, ou nas brincadeiras que constroem uma cumplicidade que deixam marcas indeléveis na alma dos filhos.
Mais que nunca, com as mudanças de papéis que a sociedade tem causado entre homens e mulheres, é importante cultivar a intimidade na relação entre pais e filhos. Esta relação, para além das aparências, constrói os valores que permanecem para sempre.
A meu pai, que está na companhia de Deus agora, o meu agradecimento por tudo que me ensinou. Aos pais que estão presentes no cotidiano das famílias, elevo as minhas orações a Deus para que deixem um legado que não tem preço. Um legado de amor, de honestidade,  de cidadania para que continuemos a busca de um outro mundo possível.
Peço a Deus também que me conceda o dom de cuidar espiritualmente dos meus filhos e filhas e ser para eles exemplo de amor e perseverança em cultivar os valores necessários para a solides do testemunho de nosso povo.
Estou em viagem para representar nossa Igreja na Nicarágua, mas estarei com o meu pensamento ligado a cada um dos nossos irmãos e irmãs neste domingo dos pais. Que Deus abençoe as nossas familias e conceda uma graça especial a cada um de nossos pais, tanto os biológicos quanto os da fé!
Um abençoado Dia dos Pais!