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Meio Ambiente: quebra de braço entre lucro imediato e um futuro sustentável

A senadora Katia Abreu (DEM-TO) declarou hoje perante Comissões que analisam o novo Código Florestal que os ambientalistas tomaram conta dos órgãos que regulam a política de meio ambiente no Brasil. Para além de uma frase que pareceria redundante, a senadora confessa seus mais íntimos desejos de que os órgãos de regulação do meio ambiente deveriam estar em outras mãos: de preferência dos ruralistas, é claro.

Neste longo debate entre ruralistas e ambientalistas, deveria ficar claro alguns parâmetros, a meu ver. O país muito deve aos que tornaram a agricultura brasileira uma das mais competitivas do mundo. A própria senadora é presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil e tem se destacado por defender com unhas e dentes - às vezes muito bem com os dentes - os interesses desse segmento. O problema reside em como ela defende estes interesses em detrimento de interesses maiores da sociedade brasileira.

Na discussão sobre o Código Florestal, a senadora tem esposado opiniões que refletem a diferença entre políticas ambientais que gerarão um futuro sustentável para a sociedade brasileira como um todo e políticas que somente interessam aos que querem um futuro lucrativo e imediato. Para a sociedade brasileira e os ambientalistas, está claro que o novo Código Florestal carrega consigo dispositivos que representam um verdadeiro cheque em branco para o desmatamento e o comprometimento futuro de nossa biodiversidade.

A bancada ruralista no Congresso tem sido responsável pelo enfrentamento ostensivo das políticas ambientais construídas nos anos recentes e que reduziram drasticamente o desmatamento no Brasil. Sob a bandeira dos interesses exclusivos de grandes produtores, os segmentos que tratam de preservar a biodiversidade são alvos de manobras e pressões que já causaram a mudança de ministros do meio ambiente e a flexibilização de legislações, incluído ai o Código Florestal - em detrimento de outros setores da sociedade.

Chega de qualificar os ambientalistas como defensores do atraso. Chega de ignorar a devastação de áreas naturais tão importantes para se evitar as catástrofes climáticas que cada vez mais tem afetado a vida de milhões de brasileiros. Chega de desconsiderar as políticas de proteção aos povos nativos das florestas. Chega de aproveitar a indefinição sobre o novo código florestal para ampliar o desmatamento contando com a impunidade que a nova legislação propõe. Chega de criminalizar os movimentos sociais que reivindicam justiça agrária neste país.

É hora de as elites agrárias do Brasil pensarem junto com a sociedade um projeto de desenvolvimento que não troque o imediatismo dos lucros pelo futuro sustentável que interessa às futuras gerações.

Comentários

RBB disse…
Gracias. Válido para México y Uruguay.

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