Foi dada a largada!

Agora é oficial. As candidaturas estão definidas e o calendário eleitoral começa a valer com todas as sua nuances estratégicas. O palanque discursivo, antecedendo o palanque concreto dos comícios, já está valendo. O Presidente agora está exposto como candidato oficial e não poderá confundir a sua postura de chefe do Executivo com a de candidato à reeleição. Os instrumentos da caneta e do dinheiro já não poderão ser usados com tanta eficácia a partir de 1° de julho, conforme determinam as regras eleitorais. O território agora é o do discurso, do programa de Governo, do manejo inteligente das réplicas e tréplicas como num tribunal.
A construção de uma imagem de competência, aliada à imagem de eficácia na gestão dos rumos do País, será testada cotidianamente até o dia do pleito. E nesse território o Presidente larga com vantagem. As pesquisas lhe dão ampla vantagem que não poderá ser considerada com desdém.
Mas se uma campanha é feita de construção de imagens, também é constituida de poderes de destruição de imagens. O jogo discursivo leva sempre em conta atrair a opinião pública para os argumentos mais coerentes, mais precisos, mais eficazes na sua capacidade de se identificar com o ideário mais inconsciente dos eleitores. Nessa disputa simbólica é importante não cometer erros. A destruição simbólica dos adversários tem de ser feita com muita competência.
Essa eleição será, sem sombra de dúvidas, um jogo perigoso para quem quiser adotar uma postura mais agressiva com relação aos demais candidatos. O Presidente tem dado sinais de que não vai usar linguagem agressiva, repetindo de certa forma sua estratégia passada do "Lulinha Paz e Amor". A oposição tem dado sinais de que ainda não sabe que estratégia adotar, pois sabem que a tentativa de destruição simbólica de Lula poderá ser suicida. Se atacar demais corre o risco de perder feio, sendo acusada de preconceituosa com a imagem de um operário que venceu na vida. Se não atacar, passa a sensação de que é frágil e incapaz de oferecer alternativa.
Em suma, essa campanha promete ser um enorme desafio, especialmente para a oposição. Para o Presidente, no entanto, ela não pode ser encarada como um passeio, pois dependerá da sua capacidade de apresentar algum diferencial programático, uma vez que muitas de suas promessas de 2002 não foram cumpridas e será cobrado sobre isso, especialmente por parte dos movimentos sociais organizados. Outra postura de risco para a campanha do Presidente é o risco de um certo ufanismo. Se sua campanha soar como petulante ou empafiosa, poderá correr riscos sérios.
Resta ver como se definirão as estratégias publicitárias, cada vez mais influentes no processo eleitoral!

Comentários

Mauri Cruz disse…
Xico, com esta astúcia tu poderias ser marketeiro político, hein... andas perdendo dinheiro reverendo. Belo texto.
Roney Belhassof disse…
Olá! O trabalho tem me afastado dos blogs que gosto de ler, mas hoje tirei um tempinho para os 10 melhores! :)

Quando você falou de destruição da imagem me lembrei de um dos donos de uma das primeiras e empresas onde estagiei. Ele não era lá muito ético, mas tinha uma qualidade que sempre me pareceu interessante.

Quando o cliente dizia que tinha uma proposta mais barata ele se aprumava e dizia para fazer com o outro se a questão era apenas verba porque a qualidade do serviço da empresa dele tinha um preço.

Queria ver campanhas políticas onde os candidatos se preocupassem apenas em mostrar seus projetos de governo e nos convencer que são os melhores para o país.

Infelizmente acho que você está certo e a campanha que mais funciona com nossos eleitores é a que vai mais fundo em seu imaginário e se baseia mais na difamação do que na razão.

Mesmo os políticos que tem projetos sérios devem acabar se rendendo a estas estratégias mais agressivas.

Por hora estou preferindo entregar meu voto a um candidato que não vi envolvido em falcatruas e que tem um bom projeto de governo. Devo votar no Cristovam Buarque a menos que alguém me alerte para algo sobre ele.

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