Hora de assumir!

Muito oportuna a decisão do TSE de normatizar com mais clareza a questão da verticalização nas eleições.
Especialmente porque obriga os partidos políticos a se definirem como siglas que precisam ter coerência eleitoral nas eleições gerais desse ano. Nossa história partidária está cheia de exemplos de alianças disformes, ao sabor de interesses de poder em maior gráu que os interesses de governo. Um partido político que se pretende ser nacional tem que ter projeto nacional e local. Isso significa que mesmo não desejando disputar a Presidência da República, o partido tem que assumir o custo político de apoiar ou não um projeto político nacional. E se a opção é não ter candidato ao Executivo Federal, assumir o ônus de não alugar-se a qualquer outro partido simplesmente pela ótica do utilitarismo eleitoral.
Aliás, todos os partidos políticos deveriam ter a obrigação de apresentar propostas e candidaturas a todos os níveis, até porque estariam sujeitos ao crivo dos eleitores sobre sua capacidade de conduzir um programa coerente de País. Esse desafio poderia provocar um didático teste para a construção de propostas claras e ajudaria a consolidar a idéia mesma de Partido Político.O argumento dos que acham essa regra inadequada é a fragilidade econômica de alguns que não tem pernas para sustentar uma campanha nacional. Mas aí é que reside o problema. Muitas vezes esse argumento acaba facilitando a construção de costuras políticas esdrúxulas, baseadas em relações de interesses locais, estimulando a prática de favores baseada em uma visão imediatista de captura de máquinas públicas.
A decisão do TSE, embora não contemple essa radicalidade, já significa um avanço. Resta ver como o PMDB, partido que têm navegado entre candidatura própria e nenhuma candidatura, buscando construir alianças locais baseadas numa geopolítica de apropriação de poder, vai responder a essa demanda. Senão, será forçado a alianças locais e descompromisso com as alianças nacionais que lhe fragilizarão na busca de cargos no Executivo federal. Diante disso, a tese da candidatura própria pode ser retomada ou então a vice-presidência com a frente governista.

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