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Divagações sobre diálogo e conflito: o caso Osama

O mundo inteiro assistiu ao Presidente Barack Obama anunciar que o terrorista mais procurado da História havia sido morto por forças especiais americanas no Paquistão. Isso sem sombra de dúvidas levanta uma questão que merece nossa atenção sobre a discussão da relação entre diálogo e conflito.
Não se pode questionar o efeito devastador do atentado de 11 de setembro na vida do povo norte-americano e em como esse fato criou o conceito de guerra permanente contra o terror.
No entanto, pode-se questionar sim a estratégia que o governo dos EUA adotou como resposta a esse infame evento da história da humanidade.
O que se viu na sequência foi uma sucessão de ações militares dos Estados Unidos no mundo sempre sob a justificativa de eliminação do terror como objetivo final. Nesta esteira não faltou recursos para custear operações caras e um endividamento público acarretando uma crise econômica que atingiu praticamente todas as economias do mundo, incluindo a própria.
O montante de recursos gastos nestes dez anos seria suficiente para se implementar um programa de desenvolvimento voltado para as economias pobres do mundo, inclusive as do mundo islâmico com as quais os EUA tinham relações amistosas e que poderiam abrir um caminho de diálogo com os radicais islâmicos, sedentos em manter a sua guerra santa.
Ao invés disso, Bush e Obama não foram muito diferentes na condução de suas políticas internacionais. A saída do Iraque não foi uma concessão, mas uma saída "à francesa" para se livrar de uma incômoda invasão.
A morte de Bin Laden não significa uma vitória, mas apenas uma vingança que rapidamente vai ser vista como inócua, pois não acabará com o ódio dos radicais islâmicos e poderá desencadear ainda mais represálias contra cidadãos norte-americanos no mundo inteiro.
Somente o diálogo pode evitar que se assista a novas ações violentas e isso trará consigo o custo de vida de inocentes. Para cada dólar gasto no fomento da diplomacia evita que se gaste 50 vezes mais com ações militares. Além do mais, a mudança de cenário político no norte da África e no Oriente Médio poderá isolar ainda mais os Estados Unidos no cenário internacional, dado que por anos apoiou regimes autoritários e violadores de direitos humanos.
Obama precisa urgentemente praticar o que ele mais defendeu em sua campanha: o diálogo e respeito às diferenças. A aparente espiral de popularidade que ele ganhou com o anúncio da morte de Bin Laden se desfará na direta proporção em que aconteçam represálias aos Estados Unidos.
Além do mais, colocando aqui uma pontinha de Teologia, a estratégia de se aplicar a lei do olho por olho não constitui o mais adequado caminho para uma sociedade que se diz embasada em valores cristãos.

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