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A novidade para a sucessão em 2010

As recentes pesquisas sobre preferência do eleitorado para a sucessão presidencial em 2010 revelam novos e interessantes aspectos que precisam ser considerados.

O primeiro ponto é a inesperada superação do caráter plebiscitário entre o PT e o PSDB materializado nas candidaturas de Serra e Dilma. Até um mês atrás, mais ou menos, o cenário se apresentava como uma eleição pela aprovação ou rejeição do fenômeno Lula, através de sua candidata, contra a oposição liderada pelo PSDB.

As demais candidaturas continuariam reunindo forças minoritárias dentro do espectro político sem ameaçar a polaridade entre as candidaturas de Serra e Dilma. Mesmo com a possibilidade de mudanças "por dentro" na aliança oposicionista do tipo Serra ou Aécio, o cenário tinha uma variável pouco considerável. Fora desse contexto, a oposição mais à esquerda não apresentava nenhuma possibilidade de avanço significativo.

A saída de Marina Silva do PT e a possibilidade de sua candidatura pelo PV é o fato novo que certamente trará um componente desafiador para aqueles que pensavam que não haveria mudanças consideráveis nas estratégias políticas das duas frentes que já se preparavam para um embate entre a continuidade e o retorno. Um embate de oito anos (FHC) contra outros oito anos (Lula).

Com certeza assitiremos a uma reconfiguração da disputa política. A senadora do PV está - desde que seu nome passou a constar da lista de consultas de opinião - surgindo consistentemente como um novo vetor estatístico em ascendente trajetória. Pelo menos em três pesquisas recentes ela só apresentou variação para cima - entre 3 e 6% de votação espontânea.

Paralelamente a esse novo fator Marina, está surgindo um declínio pequeno nas preferências eleitorais pelo governador de São Paulo e pela Ministra da Casa Civil. Apesar de não se poder dizer que haja direta transferência matemática para Marina das perdas de Serra e de Dilma - até porque transitam em faixas ideológicas distintas - é importante destacar que se essa tendência se mantiver Marina tem fôlego para embolar a disputa.

O maior trunfo de Marina Silva é a sua agenda ambiental. Até o momento a questão ambiental sempre foi um item secundário na pauta política do Estado brasileiro. Toda a euforia desenvolvimentista que se assiste no país nos últimos 15 anos está fundada na estabilidade econômica gerada pelo Real e na ampliação da agenda social realizada nos últimos sete anos da era Lula. Tanto numa como noutra a questão ambiental não se afirmou como transversalidade. Esse pode ser o novo componente que não pode ser desprezado por quem deseja legitimar-se perante a opinião pública.

Marina tem a seu favor a coerência de uma vida ligada ao tema e mesmo sua participação no governo Lula foi um atestado de que pautas ambientais ainda são cosméticas na política econômica. A sua saída do governo por contrariar obviamente interesses triunfalistas dos defensores do desenvolvimentismo lhe dá credenciais muito legítimas. Ela saiu como ministra e se credencia a pleitear um retorno como Presidenta.

Temos um longo caminho pela frente até as eleições. Mas com certeza o debate político deixará de ser um simples embate entre triunfalistas do desenvolvimentismo e triunfalistas do financismo. A ambos Marina Silva pode dirigir um questionamento embaraçoso: aonde vamos com esses dois modelos? Que tipo de mundo queremos garantir no próximo século?

 

 

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