Os Turistas: colonialismo puro!

A despeito de vivermos no que chamamos de mundo globalizado, onde é possivel se acessar informações de maneira quase instantânea sobre tudo, o preconceito e os estereótipos continuam a ser uma marca incrivelmente incômoda.
As recentes reações ao filme "Os Turistas" feitas por intelectuais e formadores de opinião revelam um profundo preconceito que a chamada cultura média estadunidense - emesm oa européia - tem de nosso País.
Me impressiona a falta de conhecimento, até mesmo elementar, sobre nosso povo e nossa cultura. O Brasil é retratado como uma terra de ninguém, onde a bestialidade impera e onde os brancos do norte se encontram ameaçados em sua dignidade e superioridade. Isso é puro colonialismo cultural.
Para qualquer espectador que não tenha senso crítico ou conhecimento mínimo sobre nosso País, o filme é aterrorizante.
Mas não me surpreendo com isso. O Brasil, a despeito de seu tamanho e influência geopolítica na América do Sul, continua sendo um ilustre desconhecido para os que habitam acima do Equador. As gafes históricas que até Presidentes dos Estados Unidos cometeram em atos oficiais diplomáticos - tipo chamar o Brasil de Bolívia ou dizer que nossa capital é Buenos Aires - são apenas um indicativo de como somos estereotipados por uma não-identidade própria.
Quem já viveu fora do Brasil sabe o que é isso. Somos absolutamente ausentes da mídia internacional. O que se retrata do Brasil lá fora é apenas o grotesco e o alarmante. Mesmo nossos irmãos vizinhos do Sul nos desconhecem. Até mesmo em Portugal, que por razões históricas tem muito mais laços conosco, nossa imagem é a da quase não imagem.
Nacionalismos babacas à parte, precisamos construir algum processo de visibilização realista de nosso povo e de nossa cultura. E para isso talvez seja necessário que nossa própria mídia deixe de nos ler com os olhos do primeiro mundo. Por outro lado, uma política cultural que sedimente mais claramente nossa afro-indígena-latinidade também poderia derrubar alguns mitos que permeiam as cabeças vazias de quem constrói imagens no mundo anglo-saxônico.
Fica o desafio do resgate de nossa imagem como um povo que tem defeitos e limites como qualquer outro, mas da mesma forma tem virtudes que precisam ser melhor apreendidas pelos nossos vizinhos, os de perto e os de longe! Quem sabe eu não vá aos Estados Unidos, na próxima vez, com uma camiseta dizendo assim: Calma...eu sou civilizado!!!

Comentários

Luiz Alberto Barbosa disse…
Bom comentário. Realmente a imagem do Brasil é quase nula e, geralmente quando aparece algo na mídia tem a ver com futebol, Carnaval e Violência. E o pior, geralmente o nosso governo e nós mesmos alimentamos estas imagens no exterior. Somos um povo tido como exótico, lascivo, corrupto e preguiçoso. E assim a vida continua.
Anônimo disse…
Para mudar nossa história é necessário primeiro por os pés no chão encarando que o Brazil é estranho para seu próprio povo, que te sido expulso de condições básicas de vida social, e assim anda errante. Nota-se que o Brazil é ignorado porque isso é interessante para os donos do país. O que se reque é uma mudança revolucionária. Quando o povo resolver reclamar a riquesa que tem sustentado poucos, inclusive do primeiro mundo, aí teremos identidade; aí seremos conhecidos. Isso NOS interessa?
Roberto Almeida disse…
Evidentemente que dos +- 5 milhões de turistas estrangeiros que vem ao Brasil, com certeza a grande maioria não vê o país de forma tão negativa, gostam daqui e sempre retornam. No quesito turismo o que queima a nossa imagem é a violência e a falta de atitudes mais drásticas por parte dos governantes. O nordeste tem sido um excelente destino p/ os estrangeiros como portugueses, italianos, alemães, espanhóis, argentinos...ruim p/ o Rio de Janeiro. Um outro detalhe, é que muitos Brasileiros preferem passar férias no Caribe, Europa ou EUA- deixando de conhecer primeiramente seu próprio país.

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