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O que vale pra VALE?

Confesso que fiquei estarrecido ao tomar conhecimento de uma representação da Cia Vale do Rio Doce contra o Governo brasileiro na OEA. Se fosse alguma ONG de direitos humanos ou alguns dos movimentos sociais ativos nesse país, com razões até de sobra para fazer isso, não seria surpresa.
Mas trata-se de uma das maiores empresas do mundo. Uma empresa que tem apresentado um desempenho de crescimento tão elevado que se constitui hoje no segundo conglomerado financeiro do aço e derivados do setor de ferro.
Lembro que a privatização da empresa foi um dos mais intensos debates ocorridos na sociedade brasileira, no auge da avalanche privaticista do Governo FHC. Sua campanha publicitária sempre exalta a importância do seu papel para o país e o seu compromisso com o meio ambiente. Geralmente campanhas caras, de peso, e sempre no estilo da legitimação de sua imagem perante a opinião pública como empresa relevante para o Brasil.
A razão para a representação contra o governo brasileiro se dá por causa da invasão de uma de suas instalações por um grupo de índios Xikrin, no ano passado, quando cerca de 200 indigenas tomaram conta das instalações em protesto contra a violação de direitos ambientais causados pela empresa.
Mas o mais ridículo na representação é o argumento de que a empresa gasta considerável volume de recursos para ajudar as comunidades nativas das regiões em que está estabelecida. E que o Governo não repassa esses recursos aos destinatários. Some-se a isso a solicitação de que o Governo tome medidas cautelares para evitar novas invasões. Alega a empresa que não existem políticas públicas adequadas para evitar os conflitos com os indígenas.
É rizível como os grandes conglomerados econômicos se apropriam de termos sem a menor coerência na compreensão dos mesmos e sem nenhuma compromisso com seus conteúdos. Isso tá virando moda num embate comunicacional onde por um lado se encontram os movimentos e organizações sociais defensoras de um projeto de desenvolvimento sustentável para o Brasil e de outro os grandes conglomerados econômicos interessados única e exclusivamente no aumento de seus lucros.
Se a moda pega, vamos ter daqui pra frente uma situação inusitada: as empresas vão querer fazer da OEA um palco para por o governo brasileiro na berlinda. Mas também será um teste para perceber qual é o real conceito sobre direitos humanos com o qual a Organização dos Estados Americanos trabalha.
Para a Vale, o que vale é o lucro. Infelizmente é nisso que dá certas 'desregulamentações' neo-liberais que criminalizam aqueles que não tem poder econômico, mas que são capazes de lutar por seus direitos!

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