Agora é tudo ou nada

A denúncia de apoio financeiro de Cuba para a campanha eleitoral de LULA assume contornos especialmente definitivos para o futuro de seu governo e de seu projeto de reeleição. A gravidade da denúncia coloca em jogo também a discussão sobre a ética da liberdade de imprensa. A revista VEJA tem se caracterizado por oferecer denúncias em diversas frentes, na maioria das vezes documentadas, outras não. A acusação de que o PT havia recebido dinheiro das FARC permanece no ar, sem comprovação definitiva e com o ônus da prova não assumido. Agora vem essa de Cuba. Claro e evidente que as relações entre o Brasil, Cuba e Venezuela constitui uma ameaça aos interesses dos EUA na América Latina. Não se trata aqui de julgar os governos de Cuba e Venezuela por suas posturas anti-americanas: afinal possuem razões de sobra para assim se firmarem. São países amigos, com interesses econômicos na relação com o Brasil e a afinidade mais próxima com um Presidente mais à esquerda, é absolutamente normal. Não tem havido nenhum desrespeito à autonomia de cada um, sempre pautadas as relações dentro do arcabouço do Direito Internacional e da diplomacia. Evidentemente que essa afinidade assusta os conservadores. E ai pululam as fantasias. Se a denúncia de apoio financeiro não tiver provas evidentes, é preciso punir os responsáveis pela denúncia. Afinal expuseram duas nações soberanas a uma intriga eleitoreira. A revista deverá ser cobrada judicialmente a apresentar provas da acusação. Precisa-se aplicar nesse país as regras de um jornalismo consequente e responsável. Não se pode mexer impunemente com questões que afetam a estabilidade institucional do País. Agora, se for verdade, entendo que o Governo LULA acabou. O Presidente estará inexoravelmente assumindo a violação das leis e das regras democráticas às quais tem o dever de respeitar e guardar, conforme juramento de posse. Em sendo verdade os fatos denunciados por VEJA, o Presdiente cometeu crime de responsabilidade. Como candidato era seu dever zelar pela lisura e origem adequada dos recursos de sua campanha. O País espera uma resposta definitiva com relação à denúncia. Se for falsa, a VEJA deverá ser exemplarmente punida. Se for verdadeira, o Presidente deverá assumir as implicações de seu impedimento.

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