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Cabral: 513 anos depois a história se repete!



Um país inteiro exposto à vergonha por atitudes de um governo preocupado única e exclusivamente com um evento que durará pouco mais de um mês. As cenas assistidas ontem apenas revelam o quanto de desrespeito se comete contra os indígenas neste país. Literalmente abandonados pelas políticas públicas de um governo que está comprometido com aquilo que chama de desenvolvimentismo, os povos ancestrais deste país sofrem as consequências da criminalização, do preconceito e da flagrante violação de seus mais básicos direitos. 
Num país mais sério, o governador do estado do Rio de Janeiro seria sumariamente processado e afastado do cargo por autorizar uma operação policial espúria, desmedida e  violenta no despejo dos indígenas da Aldeia Maracanã, nas dependências do antigo Museu do Índio. Mas este é o país dos poderosos que, com o uso da máquina e da força policial, se colocam a serviço de interesses do grande capital. Seus atos, ainda que questionáveis juridicamente - e que causam danos a terceiros - raramente são punidos com rigor. Escorados por maiorias parlamentares, o que os blinda contra o risco de responsabilização política, gestores públicos pouco se importam se suas ações ampliam a exclusão dos menos favorecidos. 
Projetos megalomaníacos, normalmente ligados a interesses de grandes empreiteiras ou de grandes produtores rurais tem vitimado trabalhadores sem  terra, quilombolas e indígenas.
É lamentável que o Brasil se torne conhecido por tratar tal mal os ancestrais da Pátria. Não é de hoje que se vê que a cidadania tem sido desrespeitada quando os opositores são fracos, ou tem apenas a favor de si as vozes dos movimentos sociais. Eu fico imaginando se o governador Cabral agiria com o mesmo rigor se fosse o caso de expulsar moradores abastados de um condomínio fechado, situado dentro de terras públicas - a gente sabe que exitem alguns - especialmente nas terras de marinha (que são terras públicas também).
Infelizmente, no caso da Aldeia Maracanã, prevaleceu a força do interesse econômico do projeto urbanístico para a Copa do Mundo. Urbanístico em termos, pois não há nenhuma evidencia de que a população do Rio de Janeiro venha ser beneficiada concretamente com a obra. A área servirá de estacionamento e para shopping. E aqui vem a lógica perversa das elites: carro vale mais que índio! 
A história se repete tristemente: quando o primeiro Cabral aqui aportou, sabe-se o que aconteceu. Tomou-se a terra, suas riquezas, sua cultura e se impôs uma nova ordem colonialista que seguiu seu traço infalível. Agora temos um segundo Cabral que continua seguindo o traço infalível da expropriação, da arrogância e da violência! Alguém pode me dizer se será sempre assim? 

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