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Dia Mundial de Combate ao trabalho infantil: contra a exploração econômica das crianças!

O trabalho infantil tem sido fonte de lucro para muitas empresas em torno do mundo. Contrariando todas as recomendações legais, éticas e mesmo a manifestação das organizações baseadas na fé, as grandes corporações sempre driblam a fiscalização e continuam a manter milhões de crianças fora da escola para produzir com baixo custo as riquezas que aumentam ainda mais as desigualdades.

No mundo, o segmento que mais explora esse tipo de trabalho é o setor primário, basicamente a agricultura e o extrativismo, seguido pelo comércio e pelo setor industrial. Não se pode medir com exatidão os danos causados pelo trabalho infantil. Além do dano na formação emocional, através de um estilo de vida que desconhece etapas sadias de conhecimento e socialização, existe o dano cultural pela absoluta incompatibilidade entre jornada de trabalho e processo educacional. A isso se somam os riscos relativos à segurança do trabalho para os quais as crianças estão muito mais vulneráveis que os adultos.

"Se as crianças ainda estão presas nas cadeias de fornecimento internacionais, se as crianças ainda são escravizadas, se as crianças ainda são vendidas e compradas como animais - às vezes por menos que o preço dos animais - para trabalhar nos campos e fazendas, e lojas e fábricas, ou para as famílias como trabalhadoras domésticas, isso é uma mancha na humanidade ”, disse Kailash Satyarthi, um ativista dos direitos da criança indiano.

A maior concentração de trabalho infantil está na África e na Ásia, que, somadas representam cerca de 130 milhões de crianças vivendo esta vergonhosa situação. Nas Américas, este número chega a pouco mais de 10 milhões. No Brasil, esta massa de trabalho ilegal pode alcançar 2,7 milhões de crianças. Abaixo podemos ver uma sintética apresentação do problema no país:


Como Igrejas, o que temos feito neste contexto vergonhoso de exploração do trabalho infantil? No Brasil, a menos que me provem o contrário, o enfrentamento dessa pauta ainda é muito tímido. Num país, onde a precarização do trabalho é assumida sem o menor pudor por parte das elites políticas e econômicas, o problema se agrava. O contigenciamento de recursos para a fiscalização das relações de trabalho nos assusta pela possibilidade de agravamento das violações referentes a trabalho escravo e ao trabalho infantil.

Fica a minha preocupação e o desejo que tenhamos de alguma forma que incluir esta pauta da exploração do trabalho infantil na agenda das Igrejas e Organizações embasadas na fé. A razão é inequívoca, sob a luz do Evangelho: as crianças foram acolhidas por Jesus e Ele mesmo nos exigiu assumirmos a inocência, a fragilidade e a receptividade delas como sinal do reino de Deus!


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