Juventude merece respeito! Chega de criminalização

Vivemos tempos obscuros. Há uma tônica quase medieval em nosso país, onde a única verdade que vale para quem tem o poder nas mãos é o seu projeto de poder . São tempos de discurso único, dos donos da Casa Grande.

A maneira como a mídia nojenta do Brasil, propriedade de um punhado de plutocratas que cabem num fusca, tem se comportado de forma cínica. A cobertura das ocupações das Escolas contra a reforma educacional e a PEC 241 merece a qualificação de palhaça. Primeiro porque buscam ignorar ao máximo este movimento. Segundo porque buscam descaracterizá-lo vinculando os estudantes ao PT (aliás, uma fixação freudiana que merece uma profunda análise científica) e, terceiro, criminaliza-o com uso inapropriado, ilegal e bruto como se lidassem com criminosos.

O problema é que os criminosos não estão dentro das Escolas, nem das Faculdades e Institutos Federais. Eles estão nas instancias de poder e são eles que tem o insano controle da polícia. Ameaças, prisões arbitrárias, violação de direitos tem sido o prato cheio de quem  quer virar definitivamente uma página ainda em construção da democracia brasileira.

A foto de jovens e adolescentes algemados ganhou as páginas da mídia internacional. Esta é a fotografia que retrata o Brasil de agora. Um tempo excessão, de abuso descarado do poder. E, não me venham dizer que isto é discurso de petista, pois não sou filiado a nenhum partido político. A única filiação que tenho é a de ser membro de um movimento chamado de Movimento de Jesus. Este é um movimento que se preocupa com coisas como justiça, verdade e dignidade humana, além, é claro de acreditar num mundo melhor para todas as pessoas.

Virou moda acusar aqueles que ainda não sacrificaram suas consciências no altar do Deus Capital de petistas, de inimigos e de não estarem vivendo a fé cristã. Os críticos preferem simplificar  a adjetivação porque isso mostra que não precisam pensar muito, porque tem medo de suas próprias consciências.

Defendo o movimento da Juventude brasileira que deseja um país melhor, uma educação de qualidade e um direito irrestrito de construir um Brasil onde privilégios da Casa Grande não se aprofundem. Onde os ricos não ganhem mais à custas de senhora e senhores aposentados, dos trabalhadores, dos que mendigam nas filas dos hospitais. 

Portanto, meu apoio, meu estimulo aos jovens de boa vontade, daqueles que estão vivendo uma Ditadura civil plutocrática. Lutem, ocupem, protestem porque vocês precisam ser respeitados. Vocês não são criminosos, nem vilões. Vocês são cidadãos e merecem respeito. Vocês me representam, assim como todas as pessoas que desejam uma sociedade melhor e um futuro melhor. Que a foto do Brasil não seja a de vocês algemados, mas livres para pensar, construir e fazer a Senzala deste país celebrar uma autêntica liberdade!

PEC 241: futuro sombrio e o re-construir utópico do povo brasileiro

A aprovação da PEC 241 pela Câmara dos Deputados representa uma comprovação de que a aliança política entre partidos e as elites que os representam vai consolidando um projeto de desmonte do Estado brasileiro, à custa das maiorias empobrecidas.

A receita é amarga e comprova que a Casa Grande está eufórica para destruir qualquer esforço da Senzala em ampliar direitos. A exemplo de outras elites latino-americanas, a elite brasileira está se deleitando em recuperar os seus privilégios com a maior rapidez possível, tirando da gaveta projetos que haviam esbarrado na firme resistência dos governos progressistas.

A esperança agora se volta para o Senado que deverá também analisar a PEC e - não tenho muita esperança sobre isso - reverter este processo de enxugamento de políticas públicas afirmativas. Pelos próximos 20 anos a população pobre do Brasil pagará uma conta elevadíssima para manter os privilégios de poucos.

A Direita terá, com base numa legalidade destituída de legitimidade, a garantia de que os ricos se tornem mais ricos através através do enxugamento de políticas sociais e o beneplácito que considera o mercado absoluto senhor da sociedade.

O Estado perderá a sua função social e se converterá no guardião da propriedade e do lucro das empresas. Um processo de lesa pátria levado a efeito com a chancela do Parlamento, da Justiça e da Mídia. Um modelo que causará danos irreversíveis ao povo brasileiro. Isto é mais uma evidencia de que processo que foi deslanchado imediatamente após as eleições de 2014 e que teve o respaldo de um Congresso repleto de senhores e senhorinhas habitantes da Casa Grande.

À Esquerda resta se repensar. E se articular mais uma vez. Reconstruir os processos de luta, de pressão, de formação de quadros para enfrentar os adversários raivosos. E esta luta não pode ser apenas para alcançar os aparelhos de Estado, pois já se sabe que eles não tem força suficiente de mudar as estruturas, uma vez que a política (estrito senso) é exercida dentro de regras definidas pelo poder econômico. Todas as políticas afirmativas aplicadas pelos governos progressistas não conseguiram se consolidar como políticas de Estado. Basta mudar de mãos que elas se desfazem. O poder do dinheiro é capaz de colocar nas instancias de decisão institucional (Legislativo e Judiciário principalmente) pessoas sociopatas.

A aparente neutralidade da Lei na verdade privilegia os privilegiados e nem a Constituição (que deveria ser a regra principal) é respeitada. O grande capital controla tudo: os recursos naturais, a propriedade e o dinheiro. Cada vez mais me convenço de que a democracia representativa não cumpre um papel transformador da vida nacional.

Temos um grande desafio pela frente. E o caminho será árduo, sofrido como as dores de nosso povo, mas é preciso caminhar rumo à utopia! Ela nunca morre porque está no coração da humanidade! Ela está viva no coração da nossa juventude, do povo trabalhador, do povo que não aceita assimilar a condição de explorado.

Resistir contra o Ensino a serviço do Mercado





Os tristes fatos que estamos assistindo em nosso país revelam o quão difícil é lutar por direitos. Com mais de mil escolas e quase 80 universidades ocupadas contra uma reforma educacional imposta de cima pra baixo, sem discussão com a sociedade e destinada a mudar a proposta de formação de futuras gerações, os estudantes e professores não merecem ser tratados com violência pelo aparelho militar do Estado e nem com desdém pela mídia elitista.

A primeira vítima já está configurada: um adolescente morreu dentro de uma Escola em Curitiba. Até quando o governo manterá seu insano autoritarismo de achar que nosso país aceitará retrocessos no campo das conquistas que construimos na última década? Temos conhecimento de que infiltrados neste movimento estão procurando amedrontar estudantes e professores para enfraquecer a mobilização. Estas pessoas devem ser identificadas e isoladas para que se identifique seus mandantes.

Precisamos, como sociedade, denunciar, resistir e lutar por meios legítimos contra o autoritarismo apoiado pela mídia que insiste em ignorar o Brasil real pautada pelos interesses de uma elite conservadora, retrógrada e que só pensa nos seus privilégios. O movimento de resistência pacífica precisa continuar e usar de todos os meios legítimos de organização. Deixemos o ônus da violência para aqueles que não tem outro argumento melhor!

Quem pensa no país, pensa um projeto de longo prazo. Um país em que a educação seja instrumento de formação de consciências críticas, inovadoras e dispostas a estabelecer um projeto de inclusão, de redução das desigualdades sociais.

O Brasil pertence a todos os brasileiros. Um país onde a educação não se converta em um projeto de cauterização de mentes, de emburrecimento de gerações que sejam incapazes de ler o que está visível aos olhos: um povo escravizado pelo Deus Capital. Cidadãos e cidadãs submissos é o pior cenário que podemos imaginar para o Brasil do futuro.

Minha solidariedade aos estudantes, professores e familiares diante dessa perda tão traumática - as circunstancias ainda estão sendo levantadas - e meu desejo de que este movimento consiga se espraiar pelo país e afirmar um rotundo "não" ao projeto de reforma educacional proposto pelo governo ilegítimo de Temer. Enquanto nos Palácios segue a jornada de jantares com uma agenda de lesa pátria, tomando medidas de arrocho às custas de estudantes e trabalhadores, nas escolas e instituições federais a resistência ganha força contra a tentativa de descaracterizar conteúdos pedagógicos de nossa Ensino.

A solidez do movimento precisa ser ainda mais ampliada com o apoio da sociedade. Trata-se de mostrar que nossa juventude quer um Brasil melhor para todos os brasileiros. E esta causa da juventude é nossa também!


A interrogação venceu!

As eleições municipais em seu primeiro turno foram concluídas. A euforia da grande mídia está estampada porque a boca de urna sucessivamente articulada e programada com a ajuda da PF e da Justiça, causou um tsunami no Partido que ela mais detesta. O PT perdeu cerca de dois terços de suas prefeituras em todo o país.

Mas há um dado que a mídia não considera relevante, embora não deva escapar a uma análise mais profunda. A soma de votos nulos e brancos, bem como a abstenção alcançaram índices muito elevados em comparação com pleitos anteriores.

Senão vejamos. Em São Paulo, o candidato eleito teve menos votos do que o número de abstenções, de votos em branco e nulos. Se não deslegitima o resultado, pelo menos o compromete. No Rio de Janeiro, embora o resultado final só aconteça no segundo turno, o candidato Crivela teve menos votos que a soma dos nulos, brancos e abstenções. Em Belo Horizonte, o candidato João Leite e seu concorrente para o segundo turno  tiveram juntos menos votos que as abstenções, votos brancos e nulos.

Esta constatação fere inapelavelmente a saúde da democracia brasileira. Praticamente dobrou - comparando-se pleitos anteriores - o número de eleitores que optaram por não votar ou se eximir claramente sua preferência política.

O que isto representa? Certamente um desencanto com o modelo político brasileiro e um desinteresse em fortalecer um processo de participação efetiva na escolha de gestores públicos. Isto é muito preocupante porque leva à omissão de importante parte da sociedade em usar o único poder de decisão que possui para mudar os destinos de sua cidade, de seu estado e do seu País.

Mas quem é responsável por isso? Há um conjunto de fatores e entre eles enumero um que para mim está muito claro. A grande mídia desempenhou um papel fundamental nisso. Desde 2005, portanto há onze anos atrás, ela elegeu como seus alvos os políticos da esquerda brasileira apontando suas câmeras e seu trabalho investigativo para os escândalos que, apesar de envolver pessoas de todas as orientações políticas, foi sempre conduzida por um anti-petismo odioso. Com a ajuda de um Judiciário extremamente partidarizado, garantiu o espetáculo de cada dia que ocupava seus tele-jornais e as principais manchetes de jornais e revistas. A fixação anti-petista seguiu seu rumo com o apoio irrestrito das elites.

O discurso contra a corrupção (dos outros) conquistou uma classe média realmente mediana em termos de compreensão do que é realmente um processo político. Foi capaz, inclusive, de manipular um aparente movimento de massa para impressionar o cidadão comum. Conheço pessoas próximas a mim que caíram nesta armadilha!

Este clima anti-petista e contra qualquer coisa que soasse de esquerda contaminou o eleitorado médio brasileiro. A espetaculosidade do golpe aprofundou ainda mais o desgosto do eleitor que não tem militância partidária especifica. Ficou para muitos a sensação de que a mídia não estava tão imparcial ao omitir de seu foco outros tantos políticos de orientação conservadora que estão envolvidos na lama da corrupção e nas pautas conservadoras que desejam somente governar com um discurso amanteigado e reduzir, na verdade, os avanços que o País alcançou nos últimos anos.

Este grupo decidiu não votar, votar em branco ou simplesmente anular seu voto. Trata-se de um eleitorado vivendo a descrença com o voto ou a revolta com a rotina política. Isso é preocupante porque dá lugar à uma perigosa omissão que é terreno fértil para germinar uma cultura fascista. Aliás, uma cultura que é muito desejada pelas elites para manter inalterada a dominação econômica e política de um povo.

Vivemos assim mais um episódio de despolitização da sociedade brasileira. Os eleitos ganharam as eleições - isto é fato - para não parecer que estou apenas decepcionado com a derrota da esquerda no Brasil. Mas a derrota não é somente da esquerda. É uma derrota da sociedade brasileira.