Precisamos de juízes sábios e não de néscios detratores


Os lábios do tolo entram na contenda, e a sua boca brada por açoites. Provérbios 18:6

Em consonância com o que já foi expresso reiteradamente pela Câmara dos Bispo de nossa Igreja à luz da conjuntura política e os recentes episódios do processo de julgamento levado a efeito no último domingo pela Câmara dos Deputados, gostaria de fazer algumas considerações:

1. A sessão que decidiu por ampla maioria da Câmara dos Deputados a continuidade do processo de impedimento da Presidenta da República revelou o estado deprimente da limitação dos senhores deputados e deputadas em perceber os aspectos técnicos da peça de acusação e os levou a uma manifestação de votos baseada única e exclusivamente em uma vingança política contra a Presidenta.
 
2. Os argumentos de caráter religioso, ideologicamente preconceituoso e preocupantes em relação às apologias feitas em plenário traduzem apenas o nível despolitizado e até mesmo reacionário em relação às conquistas que a sociedade brasileira tem conseguido ao longo de anos.

3. A manipulação de valores tradicionais como Deus, família, nação e moral revelou que temos o recrudescimento do fundamentalismo religioso e moral que interessa somente àqueles que defendem posturas totalitárias, cínicas e profundamente desrespeitosas contra o povo brasileiro que aprendeu a valorizar a dignidade humana e os direitos e garantias sociais.

4. O discurso vago e palanqueiro contra a corrupção sem definição clara de objeto, responsabilidades e atores mostra uma imaturidade que beira ao ridículo, pois os mesmos que faziam suas catlinárias nada convincentes são eles próprios citados, indiciados e réus por crimes de corrupção.

A sociedade brasileira é chamada a julgar estes arautos por sua hipocrisia e espalhafato midiático. 

O processo de impedimento da Presidenta segue para o Senado e cabe à sociedade brasileira pressionar aquela Casa a resgatar a dignidade da Instituição Legislativa. Que seja restaurada a garantia de ampla defesa, a definição técnico-jurídica da substância acusatória, o restabelecimento da seriedade no processo e o compromisso com o Estado Democrático de Direito. É hora de se voltar ao trilho do respeito à Constituição.

A sociedade brasileira precisa afirmar que não precisa de procuração para fazer valer as conquistas que ela entende como necessárias para o avanço da democracia em nosso país! Não precisamos de espalhafatos midiáticos, nem de palanques do ódio, do preconceito, do autoritarismo e da hipocrisia. Precisamos de serenidade cidadã. Precisamos da seriedade no trato da coisa pública. Precisamos de juízes sábios e não de néscios detratores.