A grande Mídia e o medo dos porteiros

Marx estava certo! O econômico determina tudo! Calma pessoal, não se trata de uma profissão de fé religiosa no marxismo ortodoxo e sim uma constatação de como a mídia dos magnatas tem se portado a partir do final da Copa do Mundo com relação ao período eleitoral brasileiro. O econômico em transformação no Brasil está deixando as elites com medo: medo dos porteiros! 

As organizações Marinho e outra afins do ramo, através de seus canais de TV e jornais tem sido porta-voz de um discurso econômico aterrorizante. Uma vez que não pode atacar os programas sociais do Governo, a menos que exista algum escândalo que chame a atenção, volta-se para a esfera econômica destacando dados, gráficos (alguns dos quais não resistem à acurada análise de quem tenha um mínimo de massa cinzenta) e análises que só mostram os piores momentos. Isso me lembra uma certa edição de um debate presidencial anos atrás. 

Não estou aqui para defender a eficácia do Governo, e nem sou filiado a partido político algum. Quero apenas revelar que possuo um pouco de inteligência! Apenas uso aqui as categorias de análise do discurso para revelar que o Brasil - e não somente ele - tem enfrentado dificuldades conjunturais que precisam e devem ser enfrentadas com seriedade e competência. Aliás, sucessivos governos brasileiros tinham que pedir de joelhos ao FMI que nos desse salvo conduto para continuar a gerir com soberania a nossa economia. Vivíamos sempre sobressaltados com as visitas da delegação do Fundo que vasculhava nossas contas e desenhavam para nós as suas formulas. 

Ou então prendíamos a respiração quando as agências de medição de risco iam emitir suas notas. Tinha governo que ficava com as mãos suando para que os "professores" fossem misericordiosos conosco.

Não me recordo que nesses tempos a mídia magnata fizesse tanto alarde com números macroeconômicos. Mas os tempos mudaram. Os pobres diminuíram - pelo menos em termos de renda - e as reservas internacionais do país subiram astronomicamente. Os bancos, que precisavam de programas de socorro com dinheiro público agora nadam em lucros, vivendo como nunca a lógica do livre mercado. Os porteiros naquela época não podiam ir a Paris. Chinelões e bermudas não frequentavam aeroportos. Pra estudar em países do exterior só se tivesse família rica. Negros, pobres e minorias não tinham preferencia pra adentrar na Universidade. Os nossos Presidentes eram militares, ou então filhos da aristocracia, alguns até com pós doutorado na França. 

Mas os tempos mudaram. Certamente que nosso país tem muito ainda a percorrer especialmente em termos de políticas públicas, de maior cuidado com o meio ambiente, de maior protagonismo das minorias. Precisa de reforma política que acabe com o caráter censitário das eleições, que faça uma criteriosa seleção de nossos gestores, que ensinem o nosso povo a ser realmente soberano e colocar os gestores em seu devido lugar: o lugar de servidor do povo e não de capataz das aristocracias. 

O Brasil precisa caminhar pra frente, e com uma velocidade ainda maior. Só que isso incomoda as elites. E o que estamos assistindo é banco fazendo campanha eleitoral, é midia aristocrática manipulando a realidade em favor de interesses das grandes corporações do capital, da indústria, da construção civil e do agro-negócio. 

Hoje vivemos uma realidade de disputa de discursos, de disputas de agendas ainda mais forte. De um lado os poderosos que sentem saudades da senzala, da submissão, da ignorância quanto a direitos, enfim de subalternos porteiros que apenas sabem abrir a porta. Do outro, movimentos sociais que amadureceram nos embates políticos, jovens que querem avanços e os porteiros que vão a Paris.  Hoje eles apenas não abrem portas para seus patrões: eles os olham na horizontal e cobram mudanças. Eles que pagam impostos - ao contrário de alguns ricos - sabem que eles são os verdadeiros patrões num novo Brasil. 

Como dizia o velho chavão, me atrevo a dizer: porteiros brasileiros uni-vos! E não custa enviar seu recado através das redes sociais pedindo a certos conglomerados de comunicação e seus ancoras que deixem de subestimar a inteligência do povo!

Francisco de Assis