O medo como método para aprofundar o preconceito

Estou impressionado com a estratégia adotada pela grande mídia brasileira em adotar um verdadeiro toque de recolher aos segmentos menos favorecidos de nossa sociedade impedindo-os de acessarem as galerias dos shoppings centers de nossas grandes cidades. E o pior, pagos e muito bem pagos pelos conglomerados financeiros que administram estes templos de consumo, impõem uma lógica do medo para se esquivar de um discurso que, no fundo é puro racismo social.

Os rolezinhos, como são chamados, são movimentos de grupos de jovens, normalmente distantes do padrão de consumo da clientela que frequenta os shoppings, que marcam seus encontros para passear assim como se fazia no passado nas praças públicas e se faz ainda hoje em alguns poucos ambientes de lazer públicos.

Mas, numa sociedade desigual como a nossa, cada vez mais os ambientes e/ou eventos culturais públicos vão ficando inacessíveis. A indústria do divertimento está cada vez mais refinada e, como é de se prever numa economia de mercado, cada vez mais cara. O poder público, por sua vez, não investe em infra-estrutura para as juventudes e cada vez mais terceiriza esta tarefa para grupos interessados em auferir lucros, gerando assim uma exclusão econômica silenciosa e perversa das periferias.

A manipulação da grande mídia usa o argumento nefasto do medo para angariar o apoio de uma cada vez mais conservadora classe média que se sente ameaçada pela possibilidade de um convivência com jovens de perfil bastante distinto do seu. Os conglomerados donos destes "templos de consumo" querem clientes e não pessoas. A eles interessa apenas quem vá ao shopping para ser seduzido pelo crédito. Os jovens da periferia não são consumidores e nem tem crédito para tal. Até imagino uma discussão entre os magnatas se perguntando entre si: se eles não vem para comprar não precisam estar aqui!!

O caminho mais fácil para a exclusão social é a criminalização. E não é de hoje que as imagens dos rolezinhos  - até vi uma hoje - são sempre associadas à baderna, vandalismo e furto. Até medidas preventivas na justiça estão sendo tomadas.

Lamentável que nossas elites ainda tenham medo dos pobres. Expresso aqui meu desagrado com esse racismo social que envergonha a nossa sociedade. Como cientista social e como cristão não posso deixar de manifestar o eu sentimento de indignação. O mercado só enxerga consumidores. Ele é cego para as pessoas.

Jovens, vocês tem o direito legitimo de irem aonde quiserem. Ensinem esta sociedade a ser tolerante com a diferença!