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Mensagem de Ano Novo


Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem. (Neemias 2:18)

Que dizer de 2013? Certamente esta resposta depende do ângulo que olhemos um ano intenso de desafios para o Brasil. Não foi diferente no Mundo. Resolvi fazer uma modesta leitura que dirijo aos meus irmãos e irmãs anglicanos e aos meus amigos e amigas das organizações ecumênicas e de serviço nas quais me sinto incluído.
Neste ano, o mundo assistiu a continuidade de conflitos indesejáveis em várias regiões. Levantes, protestos violentos e até uma guerra química encheram as manchetes. Economicamente foi um ano de esforços para salvar a crise financeira da Europa e Estados Unidos, bem como por aqui também. Esta salvação, no entanto foi uma subida no cavalo pelo lado errado. Priorizou-se a macro-economia e se descuidou das soluções micro, ou seja, aquelas que dizem respeito à vida das pessoas em suas necessidades básicas. Parece que a lógica do sistema está apenas preocupada com o edifício, sem se preocupar com seus moradores.
Em nosso país, vimos uma onda de protestos reivindicatórios que poucos resultados alcançou. Um Congresso manietado por seus próprios interesses corporativos, salvo algumas exceções, não ouviu com sinceridade as vozes da rua. Mesmo mantendo políticas sociais, o governo não avançou na política de desconcentração fundiária, mantendo a permanente tensão no campo e ficou indeciso entre a pressão política do agronegócio e dos setores que defendem a sustentabilidade do meio ambiente. Adiamentos para o futuro foram visíveis e o futuro imediato é o eleitoral, onde desfilarão mais uma vez as promessas e propostas dignas do país de Alice.
Ouviremos ainda por muito tempo o lamento das vítimas do descaso, dos que esperam com suas dores o atendimento mínimo de seus direitos fundamentais. Lamentos dos que estão na fila do INSS ou dos hospitais. Lamento dos indígenas que veem sua terra violada por interesses escusos de minorias e por projetos faraônicos lesivos ao meio ambiente. O lamento das periferias, cada vez mais empurradas para longe, expulsas de suas ocupações de tantos anos, para dar lugar a projetos imobiliários que não se destinam a elas. O lamento das famílias que tiveram seus filhos sacrificados no altar do consumismo da diversão sob os olhos complacentes com o não cumprimento de regras de segurança pública. Enfim, não tenho aqui a pretensão de listar todas as mazelas que sofremos como cidadãos do mundo, mas servem estes exemplos apenas como demonstração de que muito temos que fazer até que a sociedade imponha a sua agenda àqueles que tem a obrigação de respeitá-la! Tanto aqui como alhures!
Mas, como homem de fé, visualizo sinais de esperança para o ano que está às portas. E esses sinais vem da Igreja. Isso mesmo, da Igreja, que queira ou não, ainda tem um profundo papel pedagógico na consciência das pessoas. Temos um novo Papa que traz ventos novos e que traz de volta para a agenda da Igreja Católica o tema do serviço aos menos favorecidos do mundo. Temos um novo Arcebispo de Cantuária que traz para a agenda da Igreja Anglicana o tema da Justiça e da Ética para uma sociedade que só se preocupa com o lucro. Tivemos uma Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas que afirmou o compromisso com a Justiça e a Paz, retomando uma agenda se aproxima mais autenticamente do Evangelho.
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil experimentou uma radical mudança no método de abordagem de suas prioridades, iniciando um profundo processo de escuta das bases através da metodologia do Indaba, culminando num Sínodo que traduziu um desejo de renovar o compromisso com a Missão.
Por tudo isso, dou graças a Deus, sabendo que temos um ano novo no qual só depende de nós realizar o que Deus espera que façamos. Normalmente, desejamos que o Ano Novo nos traga conquistas. Talvez caiba aqui dizer o inverso: Desejo aos irmãos e irmãs que conquistemos 2014. Que possamos potencializar o tempo e os dons que Deus continua nos dando e usufruir todo o banco de horas, dias e meses que temos pela frente para transformar os reinos deste mundo no Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo!

++Francisco


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