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Os aproveitadores da Nação e a mídia que os encobre


Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva. 

Isaías 1:23

A quantas anda o movimento pela ética na política? Verdade que temos assistido alguns avanços ainda tímidos, como o movimento que levou a aprovação da ficha limpa e as lutas em favor de mais transparência nos órgãos públicos. Mas parece que este movimento precisa enfrentar os desafios da sempre inteligente capacidade do sistema de driblar o controle social através de artifícios, lacunas da lei e decisões de alcovas.

A sociedade brasileira precisa estar cada mais atenta ao fato de que a pauta do combate à corrupção não pode continuar sendo manipulada pelos grandes órgãos de imprensa que filtram somente aquilo que interessa aos grandes capitais que os financiam. Um exemplo disso é a ênfase dada ao Mensalão do Dirceu em detrimento do Mensalão mineiro e outros mensalinhos que grassam nas gavetas de nossas polícias e de nossos promotores. 

A título de exemplo, houve um enorme silêncio quando se falava de investigações sobre desmandos financeiros que ocorriam na CBF e que praticamente nenhum grande órgão de imprensa tocou no assunto. Razão óbvia: não interessa aos patrocinadores expor a credibilidade da gestão de contratos bilionários que giram em torno do futebol e que garantem salários de muita gente dos meios de comunicação de massa. A coisa foi tão bem administrada em banho-maria que o chefe do esquema praticamente fugiu do país antes que a bomba estourasse. Ah! e havia ainda o argumento de que não se trata de um órgão essencialmente público, logo, livre do controle social. 

É indiscutível, ao meu ver pessoal, que a sigla PIG (Partido da Imprensa Golpista) mais que um adjetivo é uma realidade hoje no Brasil. Confesso que quando ouvi esta qualificação pela primeira vez, achei engraçado. Mas, com uma visão mais crítica e, claro, com as evidências que se foram acumulando, entendo hoje que ela é apropriadíssima. Âncoras respeitáveis apenas dizem o que os seus bastidores jornalísticos determinam o que dizer.

Vou dar um exemplo que me deixou pasmo nestes útlimos dias: a denúncia de gastos com passagens aéreas dos ministros do STF acompanhados de suas respeitáveis esposas para viagens dentro e fora do país não foi destaque em quase nenhum grande empresa de comunicação de massa. Tenho absoluta derteza de que se algum ministro do governo tivesse as passagens pagas para sua esposa ou esposo, ouviriamos alguns editoriais ferinos contra o que se chamaria desperdício de dinheiro público. Mas como o STF tem se convertido em vitrine das catarses do conservadorismo político no Brasil, louco para desqualificar aqueles que estão no poder, atribuindo até ao Presidente da mais alta corte do País a personificação de um famoso herói de quadrinhos americanos, não fica bem dizer que há desperdício de dinheiro público para financiar viagens dos doutos juízes mais elevados da Nação. Claro, dirão, estas despesas foram autorizadas legalmente pela própria instituição. Mas seria ético isso? Acho que precisariam avisar à sociedade que paga por isso e pedir autorização a esta mesma sociedade para administrar o dinheiro que nã lhe pertence!

Acho que a capa do personagem se foi e agora o STF precisa explicar à sociedade porque seus ministros gozam de tão alto prestígio, quando temos neste país crianças que ainda morrem de fome e funcionários da própria justiça vivendo com salários aviltantes.

É vergonhoso se viver num país onde as pessoas investidas de função pública se auto impõem salários, vantagens, e adicionais que não fazem parte do arcabouço jurídico das classas trabalhadoras. Deveriam dar exemplo à sociedade e não aviltá-la! 


Está na hora de aprofundar a discussão da estrutura do estado brasileiro e isso não se dará pela via formal dos canais legislativos comuns. É hora de nos mobilizarmos pelas redes e movimentos sociais para pressionar o Governo, o Congresso e o Judiciário a vivermos num país de civilidade. Igrejas, sindicatos, movimentos estudantis, organizações sociais e outras formas de organização precisam se articular com mais força para mudar o país. A menos que passemos a aceitar passivamente as pautas filtradas de quem não quer mudança e, pior, luta pra piorar ainda mais um país que precisa empoderar a sociedade contra um estado capturado por quem apenas deseja explorá-lo! 

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