Political poverty: an analyses on the Rio+20

I reaffirm my disappointment with the outcome document from the official Conference Rio+20. 

The governments representation has to present clear excuses to the Civil Society. Despite all efforts, the voices from People`s Summit was sistematically ignored. The geographical distance between Aterro do Flamengo and Rio Centro was also political!

Some of the diplomatic representatives - specially from the North - try to justify that this Conference was handed in a financial turmoil in Europe and the focus from their governments were in try to manage  economic stability. The question is: stability for who?

They have no excuses. Billions of euros had been spended in save banks and governamental budgets. To maintain the same under same rules.

The fact that no clear commitment with financial changes and also with fiscal policies within the Rio+20 Final Document reveals the lack of political will to change. A lot of words and a lack of will.

Unfortunately the brazilian government also failed to push the Conference in a more progressive way and the Conference was transformed in a shamed  mis en scene !

My sense is that we lost time, money and energy to stay at the same place. No new vision on efective protection of environment. No new perspective on a concept about development. And no new advance in an ethical perspective on wellbeing!
A poor Conference: ethically and politically!

+Francisco
KOINONIA
ACT Vice Moderator

Rio+20: Do fiasco à faísca!


A última versão do documento que será apresentado para decisão na Rio+20 pelos representantes oficiais dos governos e que será o documento final da Conferência apresenta uma fragilidade conceitual preocupante. As quase setenta páginas da última versão - a oficial deverá ter cerca de 30 a 40 - são resultado de várias rodadas de negociação entre delegações internacionais que ainda não conseguiram chegar a um consenso. Interesses políticos e econômicos interferem no processo e o documento final pode se tornar uma colcha de retalhos sem uma lógica adequada entre as propostas para o futuro da humanidade.
Os grandes limites para um documento mais proativo são a falta de consenso entre os representantes das economias ricas, emergentes e pobres e a pressão de grandes corporações que cada vez mais asssumem a retórica da chamada economia verde.
Na versão do documento até o momento há um completo silêncio acerca do clamor ecumênico de que a lógica do consumo e a exclusão dos pobres devem ser superadas veementemente.  Parece que a voz das religiões não sensibiliza os poderosos deste mundo. Nas 16 vezes que a palavra consumo aparece no documento não há nenhuma referência ao consumo justo e sustentável. Nas 23 vezes que a palavra crescimento é citada no documento, deixa claro, mesmo com a adjetivação "sustentável", que não nehuma crítica ao modelo de concentração financeira e submissão cambial às moedas e países ricos.
O Banco Central Europeu acaba de aprovar um socorro de 100 bilhões de euros para a Espanha, representando um desembolso considerável para salvar instituições financeiras, como o próprio governo espanhol reconhece. Enquanto isso, o desemprego cresce e o governo acossado pelos bancos, corta despesas sociais. Isto é uma repetição da metodologia aplicada em relação à Grécia e outros países vulnerabilizados pelas regras coercitivas de um sistema injusto.
No Brasil, se assiste a euforia de um crescimento econômico que, para além da propaganda oficial, já revela que não é tão estável assim. O esforço da propaganda oficial de revelar o ingresso do país no círculo das economias emergentes não consegue esconder as enormes deficiências na qualidade de vida de nosso povo, expressas em um sistema de saúde caótico, uma educação elitista e um infraestrutura deficiente para garantir qualidade dos serviços públicos.
A Rio+20, se depender das delegações oficiais, repetirá o fracasso de outras Cúpulas. É hora de nos mobilizarmos como sociedade para exigir mais ação e menos discursos. Exigir o primado dos direitos humanos e ambientais sobre os interesses excusos das grandes corporações que avançam ávidas de lucro sobre os recursos naturais. É hora de evitar o fiasco e acender a faísca da transformação. É hora de fazer valer o direito a vivermos um outro mundo possível!

Dia do meio ambiente: cuidado com as fachadas


Neste dia mundial do meio ambiente gostaria de provocar uma reflexão sobre a conjuntura que vivemos hoje no Brasil e no mundo, especialmente quando nos aproximamos da Cúpula dos Povos na Rio+20.
Diante do cada vez maior clamor dos povos a respeito da necessidade de se fazer uma mudança radical no modelo econômico, as elites mundiais continuam desenvolvendo suas estratégias de dissimulação. A prova é que o documento que deve chegar à Rio+20, elaborado pelos governos e depois de muitas rodadas  de negociação, pode representar um tímido acordo entre as elites políticas. E certamente postergará para a próxima Conferência as decisões que já deveriam ter sido tomadas há uma década atrás. 
Só existe uma esperança para a Rio+20 avançar: a mobilização política da sociedade civil contra a dissimulação do sistema. 
O Capitalismo está em crise e, ao contrário do que muitos podem pensar, ele tem um enorme poder de se adequar às crises, mudar algumas máscaras e continuar sendo o que sempre foi: um predador da natureza e de vidas. A moda agora é batizar o filho bastardo de economia verde. E a capacidade de construir discursos legitimadores é tão grande que até algumas vozes críticas acabam por se encantar com essa nomenclatura.   
O que é economia verde afinal? Um rótulo diferente para um remédio antigo e amargo. A economia verde esconde por traz de suas pretensas mudanças hermenêuticas o mesmo projeto: explorar desmedidamente a natureza e os povos. O homos economus  não abre mão do seu poder de produzir mais riqueza sob a alegação de que é preciso crescer para melhorar a qualidade de vida dos povos. Este discurso já está com prazo de validade vencido há tempos!
A economia verde não propõe inversão do modelo energético. Não propõe um repensar do consumo. Não repensa a questão da concentração de riquezas. Pode até se preocupar com algumas coisas cosméticas do tipo reciclabilidade, padrões mais ambientalistas e socialmente aceitáveis, entre outras fachadas, mas não abre mão da necessidade de continuar enchendo as carteiras dos financistas e tecnocratas que infelizmente se adonaram dos estados nacionais. 
Economia verde é quase como se ter papel reciclado nos extratos bancários mas para o que cobram autoritariamente o que querem de seus clientes em termos de taxas e juros. 
Ou então é o mesmo que utilizar sacolas plásticas biodegradáveis mas sem mexer com os atravessadores que compram dos produtores o mais barato possível e lucram com preços exorbitantes na prateleira do supermercado. Não mexe com a monocultura que produz óleos e combustíveis vegetais, reduzindo a área de produção de alimentos. E aqui se poderia apontar inúmeros exemplos de como a fachada bonitinha apresenta um cordeiro, mas que por traz dela existe o mesmo lobo de sempre!
A Igreja e os movimentos sociais são desafiadas a mostrar a sua força na Rio+20. Precisam questionar os poderosos deste mundo a respeito de seus acordos de cavalheiros para continuar fomentando uma economia que destrói o meio-ambiente, escraviza as pessoas, e mantém uma diferença vergonhosa entre privilegiados e excluídos.