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Entre a Falácia e a Eficácia

Esta semana temos assitido ao que eu chamo de um conflito discursivo falacioso. Os contendores são o governo brasileiro e a FIFA. O motivo da contenda é a Copa de 2014 que cada vez mais vai ocupando o espaço e a agenda do país. E podem estar certos que esta agenda vai ocupar mais e mais a agenda do Brasil, inclusive com o risco de que outras agendas sejam relegadas a um plano inferior. É muito importante ressaltar que adoro futebol e que Copa do Mundo sempre mereceu a minha atenção. Afinal como Botafoguense e Colorado, visto as camisas e torço como um torcedor qualquer! No entanto, a despeito dessa paixão pelo esporte mais popular do Brasil, distinguo alhos e bugalhos. A Copa do Mundo é um evento público, que envolve bilhões e bilhões de reais e mexe com o DNA da política. O que realmente mobiliza esse confronto discursivo? De um lado um Secretário Geral da FIFA, uma pessoa pouco educada e com um sentimento dominado por visões colonialistas, achando que pode dizer e acontecer com o governo de um país que, se ele não sabe, é soberano e precisa ser respeitado. Até aí, ponto para o governo. No entanto, por outro lado, temos o governo que não consegue coadunar um consenso entre os políticos para votar a Lei Geral da Copa e implementar com eficácia o cronograma de obras de infraestrutura e os palcos do espetáculo maior da terra. A fala do ministro dos Esportes pode ser entendida em parte por um conflito entre egos incontroláveis, tipo bateu levou. Mas por outro lado mascara com um certo ar de nacionalismo a incompetência que o Brasil vem revelando no cumprimento de um cronograma de leis e obras que o próprio governo se comprometeu. Ninguém nega que tudo isso envolve interesses econômicos por parte de empreiteiras, grupos ligados ao setor hoteleiro, clubes de futebol e os próprios políticos. Cada um puxando pra si a brasa pra sua sardinha, afinal é um evnto impar e todo mundo quer tirar a sua lasquinha. Quando isso começou - os preparativos após o anúncio do Brasil como país sede - cheguei a escrever que seria de fundamental importancia se criar um Comitê Gestor da Copa com ampla participação da sociedade. Isso não aconteceu e ai se tem hoje um conflito surdo entre Governo e Sociedade Civil que, infelizmente não aparece na grande mídia. Os movimentos grevistas nos canteiros de obras, as manifestações de populações que moram nas áreas onde haverão remoção de favelas, a falta de uma política de realocamento dessas populações, e outros sérios problemas que a imprensa internacional, inclusive, está apontando ( recente artigo do NY Times fala sobre isso). Dessa forma, vejo esse conflito discursivo como um confronto entre falácias e eficácias. A falácia é um argumento vazio de conteúdo porque mascara a verdade. O Brasil precisa dar ao mundo um claro e evidente sinal de sua competência. O mundo inteiro estará olhando para nós e a Copa será uma verdadeira sala de visitas para turistas e torcedores do mundo inteiro. Precisamos ser mais eficientes. Quanto mais atraso de cronograma, mais dispêndio de recursos. E é bom lembrar que parte desses recursos tem origem pública. Está na hora de se abrir o olho para o que está acontecendo de fato. Ou seja, não devemos abrir tanto os ouvidos para conflitos de falácias, mas abrir os olhos para a dinheirama que está se gastando sem a eficiência que se precisa ter. Porque quanto mais se gastar, menos sobrará recursos para investir - não num evento de um mês - mas naquilo que possa significar um real benefício para o povo brasileiro. Os estrangeiros vem e vão. Mas nós continuamos aqui lutando para construir uma sociedade que se orgulhe de atender com dignidade os seus cidadãos e cidadãs!

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