Bispos: uma experiência em Canterbury


"O papel primordial de um bispo é fazer com que as pessoas confiem em Deus" (Arcebispo Rowan Williams)


A frase acima, dita em uma reunião privada entre o Arcebispo Rowan Williams e os 27 bispos que fizeram o curso para novos bispos, deu o tom do que foi uma experiência memorável para mim.
O curso para novos bispos é oferecido anualmente pelo Instituto da Catedral de Cantuária e tem por finalidade capacitar bispos no início de seus ministérios.
Uma experiência inesquecível que nos proporciona viver a espiritualidade anglicana nas raízes de nossa Igreja. Uma intensa vida devocional, com Eucaristia diária e a participação nos ofícios matutinos e vespertinos da Catedral. Além disso, os encontros propiciam ferramentas importantes para aquelas pessoas que foram chamadas a exercer o ministério do episcopado, com todas as suas responsabilidades e desafios. De cânones comparados à liturgia, de vida pessoal e familiar à relação com suas Catedrais e de vida pública à relação com seu clero, vamos estudando e ouvindo a experiência de outras pessoas, construindo assim uma base para que possamos atender com humildade este especial chamado para sermos sinais de unidade em nossas dioceses.
Visita aos escritórios da Comunhão Anglicana e ao Palácio de Lambeth nos dão a visão da riqueza e diversidade de nossa Igreja. A convivência com colegas de distintas culturas e jeitos nos enriquece a cada momento, criando laços de afeto, respeito e reverência de uns para com os outros. É uma relação que cultiva o sentimento de interdependência e de colegialidade que transcende nossas fronteiras diocesanas e provinciais e cria um verdadeiro sentimento de corpo.
Para mim, e tenho sempre dito que um bispo não se forja apenas na sua eleição e sagração - pelo contrário, continua aprendendo cada dia a ser um bispo de Deus para o povo de Deus - a experiência do curso me mostrou que o poder de um bispo é tanto maior na medida em que leva o seu povo e a sociedade que o cerca a confiar em Deus, como bem disse o Arcebispo. É Deus que deve estar no centro de nossa vida e ministério. Qualquer tentativa de ocuparmos o lugar de Deus - ou nos tornarmos seu exclusivo representante - levará nosso ministério ao fracasso.
Uma das coisas que me impressionou foi a acolhida da Catedral. O Deão Robert Willis e o Coordenador do curso, Rev. Cônego Edward Condry, foram de uma atenção primorosa para todos nós. Mesmo em meio à beleza e solenidade da vida e da liturgia da Catedral, revelaram uma simplicidade e uma capacidade de servir, tornando ainda mais autêntica a capacitação de nós bispos de sermos pessoas servas ao invés de pessoas servidas.
Isso me faz refletir sobre o papel de nossas igrejas locais como comunidades de acolhimento - e precisamos aperfeiçoar isso em nossa própria Província e dioceses.
As pessoas que se aproximam de nossas igrejas locais precisam realmente aumentarem a sua confiança em Deus, especialmente em uma cultura de individualismo, glamour falso e competição.
Que possamos bispo, clero e povo em nossa diocese servir mais, acolher mais e deixar que Deus manifeste com mais vigor o seu amor por todas as pessoas!

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