quinta-feira, dezembro 01, 2011

Mensagem de Advento

Ao clero e povo da Diocese Sul Ocidental



Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.
2 Tim 1:7



Irmãos e Irmãs!



Vivemos um recomeço do ciclo nos convida a buscar com humildade o que Deus espera que façamos por palavras, atos e pensamentos. Toda a Criação se renova e ansiosamente deseja a plena comunhão com Aquele que é a razão e o fundamento de todas as coisas visíveis e invisíveis.

E que sentimentos povoam nossos corações neste Advento? Certamente o primeiro deles é o de gratidão. A graça de Deus não nos abandonou em nenhum momento neste ano que vai terminar. Mesmo em meio a tantos desafios que cada um de nós enfrentou, Deus jamais nos abandona.

Nossa diocese tem diante de si um caminho aberto para se fortalecer e cumprir com sua missão. Mas para que isso aconteça precisamos reconhecer que nem sempre temos sido fiéis ao chamado de Deus de nos entregarmos inteiramente à sua vontade. Temos falhado na qualidade do serviço e temos nos contentado em fazer apenas aquilo que podemos fazer. Só que nosso Deus não se cansa de fazer muito mais do que merecemos ou almejamos. E, a exemplo da parábola dos talentos, temos agido como aquele servo que guardou o talento porque teve medo.

Os grandes desafios estão à nossa frente. Sustentabilidade, Expansão, Juventude, Formação e Capacitação se encontram entre as prioridades que temos elegido dentro do Plano Pastoral de Ação. Precisamos por o coração nestas coisas. E para além do coração, precisamos colocar nossos dons materiais para garantir que nossa diocese cresça na direta proporção daquilo que precisamos fazer como Igreja.

Que neste Advento possamos construir um claro compromisso com Deus que se manifesta na plenitude e simplicidade de uma criança. Que neste Advento deixemos de nos contentar com a `normalidade` e criemos coragem para avançar na missão.

Que neste Advento deixemos de lado a conformação paralisante que nos faz sempre dizer que as coisas são assim mesmo. Que nossa Igreja não tem jovens. Que nossa Igreja é pobre e não tem recursos. Que nossa Igreja só pode fazer mais se tiver projetos apoiados por recursos que vem de fora (vejam a crise que afeta a Europa e Estados Unidos). Em suma, cada vez que este tipo de discurso ocupa as nossas mentes, afirmamos para nós mesmos que nada é possível fazer. E ai o nosso Senhor nos dirá a terrível palavra que disse ao servo medroso!

Desafio nossos queridos irmãos e irmãs a darem o salto de fé e de obediência - relembrem nossa Carta Pastoral ao Concílio - e ajam como Maria: Lucas 1:38: “Aqui está a serva do Senhor; faça-se comigo conforme a tua palavra”.

Bispo, clero e laicato está em nossas mãos deixar que o Advento nos prepare para um ano de muita fé e esperança e muito trabalho. Agrademos ao Senhor e louvemos o seu nome por seu imenso amor para conosco. Mas que seja um louvor verdadeiramente encarnado, de palavra e ação!

Santa Maria, 01 de dezembro de 2011

+Francisco, Santa Maria

segunda-feira, novembro 28, 2011

Juventude: extermínio e descaso das autoridades

Assim como na Amazônia, em cada rincão brasileiro estamos assistindo o descaso das políticas públicas que protejam e dignifiquem a nossa juventude. A carta denúncia abaixo é apenas uma faceta do que acontece diariamente, encarado por muitos como eventos normais. É hora de se dizer: basta!

CARTA DENÚNCIA

“Será que ninguém vê
O caos em que vivemos?
Os jovens são tão jovens
E fica tudo por isso mesmo
A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber...”

(Trecho da Música Aloha, Legião Urbana)



A Rede Ecumênica pela Promoção e Direitos da Juventude- REJU Amazônia, vem a
público manifestar sua indignação com a crescente onda de extermínio de jovens na
Região Metropolitana de Belém.

Belém vive um momento de profunda comoção e reflexão diante dos fatos ocorridos
no último fim de semana (19/11) no distrito de Icoaraci, com a execução de seis
adolescentes. Um crime brutal e desumano. Infelizmente essa chacina não foi a
primeira e não será a última a ser registrada nos jornais de nossa cidade, pois todos
os dias o que a mídia revela (quando revela), são adolescentes e jovens, vitimas do
tráfico, da polícia, de violência, manifestações de ódio, racismo, homofobia e
discriminação pelas condições de pobreza em que vivem, a verdadeira
espetacularização da violência.

A violência urbana subverte e desvirtua determinadas funções das cidades, retira
recursos públicos já escassos, acaba com vidas, especialmente as dos jovens e dos
mais pobres, e dilacera famílias. De potenciais cidadãos, passamos a ser consumidos
pelo medo, pois o mercado que mais cresce é o de materiais e equipamentos de
segurança. É o processo de acumulação do capital em busca de novos nichos de
mercado, atingindo outros segmentos, na procura voraz de cada vez alcançar níveis
mais elevados de lucro.

A violência é compreendida apenas em seus aspectos de segurança e repressão, não
sendo considerados aspectos como da pobreza, considerada a mais trágica das
formas de violência, que, contraditoriamente, não é combatida, tampouco observa-se
a intenção de eliminá-la.

A insegurança causa reações adversas como a sensação de descontrole; pequenos
atos são motivos para ações violentas, a qual vem estimulando a ação de um Estado
penal, através de encarceramento e fortalecimento de mecanismos de controle
repressivos e punitivos. Logo, a ausência do Estado, através de garantia de direitos e


aplicação de políticas sociais, proporciona o descontrole que se alastra, sendo
enfrentado por um controle estatal repressivo.

A impunidade e inoperância do estado deixam nossa população refém do medo e do
silêncio. Nossa juventude quer viver! Quer ser feliz! Quer ser tratada como gente! É
vergonhoso o que estamos oferecendo aos nossos jovens: Policiais matando jovens,
escolas abandonadas, sistemas públicos de saúde e de educação que não atendem a
ninguém, muito menos a população de baixa renda! Segundo o observatório da
violência de 2011 o numero de homicídios no Pará quadruplicou em dez anos, a
Região Norte carrega o peso de mais de 4.856 casos de homicídios e Belém, a capital
que mais mata jovens na região, com 61,7%. Reforma política já!

A Rede Ecumênica pela Promoção e Direitos da Juventude na Amazônia, se solidariza
com as famílias dos adolescentes assassinados e se une a varias manifestações de
organizações populares, exigindo agilidade na apuração dos casos.

Basta de ver todos os dias nossos jovens serem eliminados pelo tráfico e pela polícia
no Brasil.



Belém, Pará, 24 de novembro de 2011

Rede Ecumênica pela Promoção e Direitos da Juventude- REJU AMAZÔNIA.

Compõe a REJU AMAZÔNIA

Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Belém- PECLB

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil- Diocese da Amazônia- IEAB

I Igreja Presbiteriana Independente de Belém- IPI

Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Belém- ICAR

Igreja Metodista- Núcleo de Missão de Belo Horizonte em Belém

Instituto Universidade Popular- UNIPOP



www.redeecumenicadajuventude.org.br