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Mostrando postagens de Junho, 2011

Copa 2014: qual o limite entre o público e o privado?

Assistimos recentemente à uma discussão política sobre a questão do sigilo e das licitações relacionadas à próxima Copa do Mundo no Brasil.
Diversos posicionamentos à direita e à esquerda trataram de argumentar sobre questões de urgência, de cronograma e de transparência no trato de projetos que envolverão bilhões de reais e trarão inevitavelmente impactos na economia brasileira.
Mas o mais preocupante de tudo foi a possibilidade de se garantir que a execução das obras pudesse ser isenta do monitoramento da sociedade, criando-se assim um estado de exceção favorecedor de desperdício de recursos públicos.
Ninguém deseja, é claro, que o Brasil passe a vergonha de sediar uma Copa do Mundo sem oferecer as devidas condições de infraestrutura. Principalmente quando o país ocupa hoje um especial lugar de nação que tem ampliado sua potencialidade econômica e avançado no respeito que hoje lhe é creditado como economia emergente.
No entanto, essa corrida contra o relógio para cumprir um…

Pelo resgate da Verdade Histórica

Ninguém tem o direito de apagar a memória política do país, especialmente quando se tem em conta as atrocidades cometidas contra cidadãos e cidadãs em nome de uma ideologia ou governo.
Hoje, em São Paulo, haverá a repatriação de importantes documentos que retratam os lamentáveis episódios dos chamados anos de chumbo. Documentos que expõem a vergonha de uma Nação que tem como primado de sua gente a liberdade. Atrocidades cometidas nos porões dos órgãos de segurança sob a benção dos intendentes de plantão. Dominados pelo medo e doutrinados pela ideologia da segurança nacional, agentes do Estado cometeram crimes que precisam ser expostos para que a sociedade brasileira conheça as bases de um regime que desconhecia o valor do Estado de Direito e determinava subjetivamente quem tinha ou não o direito de ter suas inalienáveis garantias constitucionais respeitadas.
Alguns dirão que não se precisa mais remexer no passado. Outros dirão que a anistia de 1979 foi um momento de reconci…

Mensagem de Pentecostes

Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Filipenses 2:2

Estou ainda ouvindo as risadas de nossos clérigos no último encontro do clero na diocese, realizado no fim de semana passado. Um momento de reflexão, partilha e de construção de uma base para o caminhar na direção de nosso concílio que se avizinha.
Refletimos sobre o silêncio como instrumento de introspecção e busca de orientação para cumprirmos o nosso papel como pastores de nosso povo. A presença de nosso irmão Renato, bispo da diocese companheira de Pelotas, atestou o potencial que nossas dioceses tem de ampliar seu comum comprometimento batismal.
Certamente que foram momentos de eternidade, parafraseando aqui uma frequente expressão de nosso Primaz. Esta semana pudemos viver a dádiva de celebrar os caminhos do ecumenismo, partilhando com outras Igrejas o sonho da unidade.
Todas estas constatações nos motivam para uma rica celebração de Pentecostes, na qual lembr…

Memória histórica: sem subjetivismos

A recente exposição sobre a história do Senado levada a efeito pela Casa causou uma reação nos meios políticos pela sutil omissão do impeachment do Presidente Collor.
Mais grave no entanto que esta amnésia histórica foi a justificativa do Presidente do Senado, Senador José Sarney, sobre a razão da mesma: irrelevante. Surpreendente a capacidade do senador e ex-Presidente de pautar a memória histórica do Brasil, desconhecendo que esta foi uma página definitiva no processo de redemocratização do país.
E quando o senador ainda acrescentou que este fato histórico não devia ter acontecido, quase me arrepiei.
O impeachment de Collor foi o grande teste da democracia brasileira. Mal se via ao longe os resquícios de obscurantismo que vivemos por vinte anos e já se tinha um dilema histórico para ser resolvido pela recém democracia civil: fortalecer as instituições democráticas ou ser conivente com um modelo de autoritarismo com cara civil.
As instituições democráticas prevaleceram e o clamor das rua…