Flores para calar a violência

A tragédia que se abateu sobre a Noruega nos deixa pasmos diante de uma realidade inexplicável. A despeito de todas as tentativas de análise sob diversos ângulos, o que fica em nossas mentes e corações é um profundo sentimento catatônico. Uma sociedade com um dos perfis mais pacifistas do mundo foi atingida em sua psiquê coletiva por um golpe covarde e inesperado de um indivíduo dominado por um ódio desmensurado. Uma pessoa que. sem dúvidas, poderiamos dizer completamente dominada pelo que se pode chamar de sombra da morte.

Um inimigo declarado da tolerância e da civilidade. Um aprisionado de uma ideologia quase inconcebível para os novos tempos. Um típico caso de transtorno de personalidade que, segundo algumas estatísticas psiquiatricas atinge de 0,5 a 3,0% da populaçao em geral. São pessoas que geralmente não despertam nenhuma suspeita e que podem estar convivendo conosco em circunstâncias absolutamente normais. Para acionarem o seu potencial violento e destrutivo necessitam apenas ser capturados pela sua sombra psicológica que tem no ódio o combustível que vai se alicerçando até sua manifestação final.

Para além do que se pode explicar pelos resursos da ciência psicológica, o que fica porém é a dor de um povo que chora seus mortos inocentes. Entre eles muitos jovens que estavam participando de um acampamento na ilha de Utoya. E o que estes jovens estavam fazendo? Era nada mais nada menos do que uma preparação para o exercíco de uma cidadania responsável. Buscavam assim se capacitar para a construção de uma sociedade inclusiva, baseada no respeito à vida, aos direitos individuais e coletivos e na superação da discriminação das populações imigrantes. Um tema que tem distinguido na Europa e nos Estados Unidos os segmentos da direita e da esquerda.

Chama a atenção a forma como o povo norueguês reagiu ao terrível massacre. A comoção traduzida num gesto de tristeza, mas cheio de um corajoso não à violência injustificada. A marcha das flores ensina-nos que a violência deve ser combatida com maturidade e serenidade. Um exemplo de unidade que transformou a dor de uma nação inteira em um grande jardim de esperança. Uma grande familia que, a despeito de seus filhos mortos, preferiu reafirmar seu compromisso com a paz.

Que Deus acolha as vítimas inocentes e que fortaleça cada vez mais a sociedade norueguesa a continuar o seu compromisso na luta contra o mal. Nossa fé no Deus da vida proclama que as forças do mal não prevalecerão contra nós. Nossa solidariedade ao povo da Noruega e o desejo de que cenas dessa magnitude não se repitam e que a dor seja substituída pela esperança na qual as armas sejam substituídas pelas flores!

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