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Memória histórica: sem subjetivismos

A recente exposição sobre a história do Senado levada a efeito pela Casa causou uma reação nos meios políticos pela sutil omissão do impeachment do Presidente Collor.
Mais grave no entanto que esta amnésia histórica foi a justificativa do Presidente do Senado, Senador José Sarney, sobre a razão da mesma: irrelevante. Surpreendente a capacidade do senador e ex-Presidente de pautar a memória histórica do Brasil, desconhecendo que esta foi uma página definitiva no processo de redemocratização do país.
E quando o senador ainda acrescentou que este fato histórico não devia ter acontecido, quase me arrepiei.
O impeachment de Collor foi o grande teste da democracia brasileira. Mal se via ao longe os resquícios de obscurantismo que vivemos por vinte anos e já se tinha um dilema histórico para ser resolvido pela recém democracia civil: fortalecer as instituições democráticas ou ser conivente com um modelo de autoritarismo com cara civil.
As instituições democráticas prevaleceram e o clamor das ruas e da sociedade foi ouvido. Não houve ruptura do Estado de Direito e a democracia se consolidou com uma transição legal e legítima de poder.
Não querer destacar este evento na história do Brasil é, no mínimo, uma tentativa de subestimar a luta de milhões de brasileiros e brasileiras pela defesa de instituições democráticas sólidas e de uma consciência de soberania popular.
O senador José Sarney assumiu o risco de receber mais uma vez uma censura política da sociedade brasileira que não se submete mais ao subjetivismo de pessoas que "acham" o que seja relevante ou não para o registro da história política do nosso país.
Ainda bem que a pressão funcionou e o senador foi obrigado a autorizar a inclusão do impeachment de Collor na galeria de fatos e fatos da história do Senado.

Comentários

Lílian LInhares disse…
Caro Dom xico,
Compartilho destas inquietações sobre situações de autoritarismos sutis em nosso país.Nos modelos e anti-modelos de poder a ditadura ainda traça seus desenhos.
Um abraço.
Lílian Linhares.

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