Crescimento sim, mas não a qualquer custo!

O Presidente deve anunciar nesta segunda-feira o esperado Pacote de Aceleração do Crescimento (PAC). Sem dúvida, é uma demonstração da fixação do seu governo com a questão do crescimento que tanto frustrou expectativas tanto do próprio governo como da sociedade.
Mesmo sem ser ainda oficial a proposta, algumas medidas previstas já causam polêmica nos meios sociais e políticos.
O Presidente está certo quando se propõe a oferecer um conjunto lógico de medidas que estimulem o crescimento, evitando assim que o Brasil fique na rabeira dos países em desenvolvimento em termos de percentual de crescimento do PIB.
No entanto, é muito importante não comprometer a outra perna do processo: a sustentabilidade. Tomo o exemplo da proposta de conclusão da estrada Cuiabá-Santarém. Essa rodovia sempre foi tema de enormes desacordos entre técnicos e ambientalistas. Se o objetivo é apenas promover o escoamento da produção agrícola da região, temos ai um problema sério. Ela vai beneficiar apenas ao agronegócio que terá as porteiras da Amazônia mais abertas ainda para a monocultura da soja, desmatando a região e criando ainda mais riscos ambientais para o País. Se sem a rodovia já se percebeu como a monocultura tem invadido aquela área - desmatando enormes áreas de mata nativa, exatamente na transição entre o cerrado e a floresta amazônica - imagine-se com a conclusão e viabilização da rodovia.
Outro ponto discutível na proposta do PAC é a de uso dos recursos do FGTS para investimento econômico, como uma das alavancas para a aceleração do crescimento. O FGTS é um fundo que tem sido usado principalmente para reiversões na área social e correlatas. Da forma como alguns estão entendendo o PAC, recursos do Fundo seriam usados para investimento em infraestrutura, geralmente em projetos associados à iniciativa privada. Ora, que se cuide em não financiar a iniciativa privada com o que chamamos de capital social do FGTS. Isso representaria um desvio de finalidade e até um enorme risco de redução de investimentos sociais, diretamente ligados aos interesses dos trabalhadores.
Precisamos de crecimento sim, mas não à esmo ou a qualquer preço. Sustentabilidade ambiental e social são requisitos dos quais a sociedade brasileira não pode abrir mão.
Vamos ver como o Presidente vai equacionar esses dilemas na sua proposta.

Comentários

Roney disse…
Esta obsessão com o crescimento me preocupa pois não creio que no caso do Brasil crescimento econômico seja sinônimo de desenvolvimento...

Temos um sério problema de subdesenvolvimento e espero realmente ver o acesso à cultura, à escola e à arte priorizados até que possamos dizer que todos tem oportunidade de crescimento no Brasil.

É claro que não estou dizendo que o crescimeto econômico tenha que ser desprezado. Concordo plenamente com tudo que vc disse! :-)

Abraços!
Roberto Almeida disse…
É evidente que o país precisa crescer e se desenvolver. Não podemos passar mais uma década neste pífio crescimento, com indíces enormes de desemprego. Se não crescermos o problema mais grave da sociedade continuará(desemprego). Espero que o PAC não seja apenas um programa fantasioso de "início" de mandato, torço que dê certo e as divergências existentes que sejam sanadas com o tempo. Quanto mais Lula procurar se distanciar de certas alas de seu partido(primitivistas, retrógados), melhor será p/ o país.

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