Rumo ao 29 de outubro

A campanha está chegando ao seu fim. No próximo domingo o Brasil tem um compromisso com o futuro. Um futuro que começa no primeiro dia do ano de 2007. E começa com um não começo. Deixa eu explicar melhor: em 2003, o Presidente Fernando Henrique Cardoso passava a faixa presidencial para um ex-torneiro mecânico, sindicalista, que tinha convencido o povo brasileiro que estava pronto para governar uma sociedade marcada por profundas distâncias sociais. Isso foi um começo.....e inédito começo.
Quatro anos depois, esse homem provavelmante não passará a faixa a outrem. E por que? Porque conseguiu diminuir a distância entre pobres e ricos. É claro que o seu governo não foi um passeio no parque. Tive o privilégio de estar com esse homem, em seu gabinete, em setembro de 2003. Dele ouvi uma frase que não me esqueço até hoje:"quando assumimos o governo o Brasil estava a beira de um colapso econômico. Ou denunciávamos ao mundo o estado de insolvência econômica - e ai nosssos adversários nos chamariam de incompetentes para governar - ou enfrentávamos a crise com determinação e custo político. Decidimos enfrentar calados e demonstrar que tinhamos capacidade"
Passados exatos três anos e um mês dessa fala presidencial ao nosso grupo que o visitou naquele dia, entendo o que isso significou.
Tenho tido uma postura crítica com relação às tentativas de mitificação do Presidente Lula. Mas também não posso concordar que o demonizem. O discurso oposicionista da pretensa ética, por causa dos desmandos e irresponsabilidades de segmentos imaturos e egoístas, não pode invalidar o avanço da democracia e da inclusão.
Sou um ferrenho crítico das políticas compensatórias e acho mesmo que elas devem ser superadas por uma agenda mais institucional e menos situacional. Mas não posso deixar de reconhecer que incluir 19% das pessoas pobres na faixa de dignidade humana é um significativo avanço.
Um fato emblemático disso foi o que aconteceu ontem, assitido por milhões de brasileiros. Quando, na história dessa República, catadores de lixo usaram a tribuna da Presidência da República em um ato de apoio concreto - programa de crédito - a um dos segmentos que mais causam um preconceituoso torpor nas brancas peles da elite brasileira?
Alguns segmentos poderão chamar isso de populismo. Eu chamo de inclusão. E é por essa inclusão que o Brasil vai julgar domingo o Presidente. Se acontecer o que os institutos de pesquisa estão apontando, não teremos uma troca de faixa. O Brasil quer continuar na mesma faixa, na busca de mais inclusão e mais dignidade!

Lições de 1º de outubro

A campanha presidencial será acirrada e promete ser plebiscitária mesmo neste segundo turno. Para o Presidente, que busca a reeleição, ficaram algumas lições que não deverá repetir mais. A partir do escãndalo do dossiê, Lula cometeu dois erros graves que não se deve usar numa campanha política: a subestimação dos oponentes e, dada a conjuntura de exposição na midia de pessoas de sua campanha, fugir a um debate.
A afirmação de que iria "matar" a eleição no primeiro turno soou como empafiosa. Ao contrário do que poderia parecer uma demonstração de confiança política - aliás todo candidato deve demonstrar que acredita na vitória - a afirmação do Presidente foi mal interpretada por parte dos eleitores como uma afirmação de confiança exagerada. E isto lhe causou perdas suficientes que adiaram sua vitória.
A ausência ao debate soou diametralmente oposta à afirmação anterior. Um candidato que entende que "mata" a eleição logo de cara devia demonstrar ainda mais segurança, indo ao debate e adotando uma estratégia de ataque, deixando aos seus adversários o ônus de provar que ainda mereceriam uma chance de uma disputa mais plebiscitária.
Teremos no domingo um debate que promete revelar à opinião pública a consistência de projetos. Caberá ao Presidente a iniciativa de clarificar a diferença de propostas, porque o ônus da prova parece ficar, em qualquer circunstância eleitoral, com quem deseja continuar.
As pesquisas tranquilizaram um pouco o Presidente. Isso pode ser um bom lastro de confiança. Mas ele não deve abusar da auto-confiança. Humildade e inteligência lhe farão muito bem se quiser continuar mudando a face do País!