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Mostrando postagens de Abril, 2006

Perdas e ganhos na semana política

Uma avaliação muito sintética da semana aponta ganhadores e perdedores no contexto político brasileiro.
Sem sombra de dúvidas foi o ex-ministro Palocci o grande personagem perdedor da semana. Creio que na história recente da política brasileira, ninguém caiu em tamanha desgraça política em tão curto espaço de tempo. Do gabinete do Ministério para um indiciamento policial. Mesmo aqueles como José Dirceu ou mesmo Roberto Jefferson que perderam mandatos não sofreram com tanta rapidez o desgaste de uma queda tão brusca. O deleite da oposição foi incalculável, mas não tão animador como esperava, pela conjugação de outros eventos que ameaçasse a figura do Presidente.
Perdeu também o candidato do PMDB, Antony Garotinho, com as denúncias de triangulação de favores políticos e econômicos entre o governo do Rio de Janeiro, fundações e os financiamentos recebidos para a campanha. Resta ver o impacto que isso terá na sua imagem. Mas ainda que venha a ser mínimo, ele com certeza terá que lutar muito…

Lula X FHC: o retorno?

A fala do novo coordenador político do Governo hoje é um sintoma de como o jogo do poder promete lances imprevisíveis pelos meses que faltam para a manifestação das urnas. A aparente insegurança da candidatura Alckmin e a falta de acordo entre PSDB e PFL tem dado aos aliados políticos do Presidente farto combustível para a construção de uma estratégia do tipo "dividir para ganhar".
E, para tanto, a personalidade e experiência de Tarso Genro cai como uma luva. Primeiro ele levantou dúvidas sobre a consistência da candidatura Alckmin. Depois jogou lenha na fogueira atribuindo ao PSDB a pecha de partido indefinido, aliás reforçando a velha tese corriqueira de "partido em cima do muro". E, por último, jogou a corda: FHC para Presidente.
Para quem está acostumado às estratégias psicológicas em contexto de disputa de poder, a afirmação do coordenador político do Governo é uma isca que certamente FHC não vai engulir. Mas causa estrago. Como se sabe que o ex-Presidente é pe…

Eldorado de Carajás: Dez anos de impunidade!

De um lado, policiais despreparados para ações de evacuação. Investidos de uma autoridade sem limites, e com armas pesadas. Comandados por um homem acostumado a ler a realidade sob aótica maniqueísta de bons e maus, de ordem e desordem. Uma ordem superior definitiva e inapelável, até por ser superior: retirar a qualquer custo.
Do outro, um grupo de acampados acuados pelo medo de um desfecho imprevisível. Vivendo o isolamento completo e criminalizados pela elite latifundiária. Sem perspectivas de nenhuma negociação, diante de um ato jurídico claro e indiscutível.
De um lado o poder de fogo, do outro as foices e enxadas, gastas pelo esforço cotidiano de arar a terra para produzir a subsistência.
Cenário preparado para um confronto. E o confronto se deu com 19 corpos abatidos no chão da Pátria, mãe gentil (será?). Outros tantos mutilados.
Essa é a descrição muito tosca de um dos episódios mais tristes da história contemporânea de nosso País.
Fazem dez anos do Massacre de Eldorado dos Carajás…

Feliz Páscoa!

Mesmo em meio aos mensalões, uso indevido do poder, exclusões de tantos e tantas num Brasil tão rico e tão mal gerenciado.
Mesmo em meio a tanto desperdício , desfaçatez de políticos, encenações de compromisso com a justiça.
Há uma esperança que não quer calar. Há um desejo coletivo de um País mais justo, mais solidário e que use adequadamente as potencialidade de seus recursos e de seu povo.
Que esta Páscoa nos inspire a uma nova vida.
Que a Páscoa nos ensine que é preciso caminhar para a frente, na busca do que cada brasileiro e brasileira precisa: dignidade!
A última palavra divina é de Vida. A morte não tem a palavra final!
Feliz Páscoa a todos e todas!

Por um Sistema Nacional de Controle de Gestão Pública

O escancaramento do processo de apropriação privada do Estado para fins distintos daqueles que constituem a missão dos gestores públicos nos leva a concluir que mudanças substantivas devem ser feitas.
Ao ler o artigo de Cláudio Abramo, coordenador da ONG Transparência, me deparei com algumas das sugestões apresentadas pela recém concluída CPMI dos Correios. E expresso aqui a minha concordância com a análise dele, propondo, no entanto , uma via diferenciada com relação à criação de um Sistema Nacional de Combate à Corrupção.
Pela proposta, esse sistema é repressivo e praticamente teria como componentes representantes de órgãos públicos, coordenados pelo Tribunal de Contas. Penso que a idéia deve ser aperfeiçoada.
Primeiro porque ela ignora o papel da Sociedade Civil, dando aos agentes públicos poderes de fiscalizar outros agentes públicos. Não se avança no aumento do controle social sem envolvimento da Sociedade.
Segundo, porque a melhor maneira de se combater a corrupção não é apena…

Eleição Presidencial: Os desafios da estratégia do Presidente (III)

Nos artigos anteriores comentei sobre as variáveis econômica e religiosa no embate eleitoral que vamos viver até a eleição. E como a estratégia de campanha do Presidente deverá enfrentar esses desafios. Aqui analiso o perfil de "bom moço" que tem o candidato Alckmin. Um dos mais tensos pontos da campanha eleitoral deste ano será a vitrine da ética. E nesse ponto é bom saber que o Presidente não tem sido beneficiado. A crise em torno de denúncias de corrupção e de práticas ilícitas de assessores tem mantido Lula no canto do tabuleiro. Os peões da oposição ocuparam o centro do tabuleiro, adquirindo visibilidade na mídia e encurralando o Governo de forma sistemática. Bispos e Torres foram atacados, caindo inclusive a Torre Palocci, fazendo crer que a derrota se tornaria inevitável. Mas surpreendentemente o Presidente parece inatingível. A recente pesquisa Datafolha revelou uma variação para menos dentro da margem de erro, o que representa estabilidade. Qual a causa de …

Despreparo de agentes públicos: porta aberta para a corrupção

Recente pesquisa divulgada pelo Interlegis revela um quadro nada animador da estrutura do Poder Legislativo Municipal no Brasil. O despreparo e a improvisação temerária caracterizam não somente a gestão como o desempenho parlamentar daqueles que são a casta mais próxima do eleitorado: os vereadores e vereadoras.
O resultado disso é um desastre para os cofres públicos e o desperdício de recursos nas esferas menos poderosas de capacidade fiscal que são os municípios.
Aliás, o problema não se restringe às Câmaras Municipais. Os processos de auditagem de verbas federais administradas pelos municípios revelam coisas terríveis: em mais de dois terços deles, existem sérios problemas de gestão, dando lugar ao cometimento de deslizes administrativos com grave prejuizo da comunidade.
No âmbito do Conselho de Transparência e Combate à Corrupção, no qual represento a ABONG, temos ouvido relatos que nos deixam pasmos e a necessidade de criação de um programa de capacitação de gestores públicos torna-…