É bom ficar de olhos abertos. Está em curso no Congresso Nacional uma PEC nº 157 que cria um instrumento absolutamente estranho dentro do universo dos chamados Poderes Constituintes. Trata-se da proposta de criação de uma Assembléia de Revisão Constitucional, com duração de um ano, a partir de 2007. Muito esclarecedor é a Nota Técnica 104 do INESC (www.inesc.org.br).
Não que eu seja contra a possibilidade de revisão da Constituição. Afinal, normalmente, a CF tem sido alterada através de mecanismos revisórios, de acordo com o que ela mesmo prescreve. O problema está na ampla abrangência que esta PEC dá a essa proposta Assembléia, capaz de alterar principios e dispositivos como se fosse uma plena Assembléia Constituinte.
E aqui cabe esclarecer que o Poder Constituinte tem claros e precisos contornos definidos pelo Direito Constitucional. Primeiro é um poder originário, ou seja não pode estar vinculado a nenhum outro poder nem com nenhum deles se confundir. Segundo, precisa receber um mandato especifico conferido pelo povo devendo extinguir-se ao final do exercício de seu munus.
A PEC, de autoria do deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP), emendada por outros dois deputados está em vias de ser submetida ao plenário da Câmara dos Deputados. Várias críticas já foram feitas por juristas e constitucionalistas apontando para o fato de que, em sendo aprovada pelas duas Casas - conforme exigência processual - a emenda acabará atribuindo ao Congresso Nacional, a ser eleito esse ano, poderes extraordinários que não se coadunam com sua competência substantiva.
Some-se a isso o amplo espectro de principios constitucionais que poderiam ser alterados ao sabor dos embates corporativos da classe política, pondo em risco os avanços conseguidos pela Sociedade Civil na Carta de 1988.
Pela PEC, originalmente, a competência dessa Assembléia só não poderia abolir a forma de Estado, o voto secreto e universal, a separação dos Poderes e os Direitos e Garantias Individuais. Dessa forma todos os demais dispositivos constitucionais estariam não somente sujeitos a uma "revisão" mas igualmente a uma "abolição".
Como sociedade organizada, devemos nos posicionar com muita firmeza diante desse assunto. Até porque é de se perguntar se esse Congresso Nacional, com quase 20% de seus membros acusados de envolvimento com esquemas escusos como o Mensalão tem legitimidade para aprovar essa PEC.
Um espaço para o livre pensar...sobre tudo e sobre todos! A space for free thinking..
sexta-feira, março 03, 2006
quinta-feira, março 02, 2006
Pelo controle social dos Partidos e Campanhas
O TSE está para definir hoje as regras que vão reger a transparência das contas de campahas políticas este ano. Uma das medidas estudadas é obrigar os candidatos a manterem permanentemente atualizadas os gastos de suas campanhas a cada 15 ou 30 dias, disponibilizando-as pela internet.
Mais que oportuna, essa medida permitirá a qualquer pessoa que tenha acesso a um computador acompanhar a contabilidade dos candidatos identificando o quão caras são as campanhas políticas.
A medida, porém, para ser realmente eficaz, deveria não somente abranger os gastos dos candidatos, mas igualmente suas receitas, através da identificação das fontes pagadoras, sejam elas empresas ou pessoas físicas. Do mesmo modo, para garantir a total transparência do processo eleitoral, deveria incluir as receitas partidárias, inclusive contando com os ingressos do Fundo Partidário e de outras fontes.
Em sendo dado esse passo, certamente eliminariamos o risco de ver mais uma vez a adoção do tradicional Caixa Dois, que alimentou candidatos da oposição e do governo nesta patrimonialista estrutura da democracia representativa brasileira.
A crise do mensalão certamente representou um importante papel no processo de uma gradativa tomada de consciência da sociedade a respeito do controle social sobre os partidos e seus políticos. A compreensão de que parte de nossa classe política se apropria do aparelho de Estado para benefício pessoal e familiar é cada vez mais corrente. As campanhas políticas, com suas contabilidades obscuras tem se tornado meios de enriquecimento ilícito de candidatos e de seus favorecidos. O dinheiro fácil de doações, à margem do fisco e do controle social, necessariamente não precisa ser gasto, pois a indústria de notas frias também oportuniza a circulação de valores incalculáveis, passando de mão em mão e terminando num visivel e inexplicável crescimento patrimonial.
A Democracia brasileira tem nas eleições desse ano a oportunidade ímpar de começar a ser mais transparente e a afastar dos processos eleitorais os "espertos" de antes. Que venham os candidatos e candidatas que não tem medo de transparência!
Mais que oportuna, essa medida permitirá a qualquer pessoa que tenha acesso a um computador acompanhar a contabilidade dos candidatos identificando o quão caras são as campanhas políticas.
A medida, porém, para ser realmente eficaz, deveria não somente abranger os gastos dos candidatos, mas igualmente suas receitas, através da identificação das fontes pagadoras, sejam elas empresas ou pessoas físicas. Do mesmo modo, para garantir a total transparência do processo eleitoral, deveria incluir as receitas partidárias, inclusive contando com os ingressos do Fundo Partidário e de outras fontes.
Em sendo dado esse passo, certamente eliminariamos o risco de ver mais uma vez a adoção do tradicional Caixa Dois, que alimentou candidatos da oposição e do governo nesta patrimonialista estrutura da democracia representativa brasileira.
A crise do mensalão certamente representou um importante papel no processo de uma gradativa tomada de consciência da sociedade a respeito do controle social sobre os partidos e seus políticos. A compreensão de que parte de nossa classe política se apropria do aparelho de Estado para benefício pessoal e familiar é cada vez mais corrente. As campanhas políticas, com suas contabilidades obscuras tem se tornado meios de enriquecimento ilícito de candidatos e de seus favorecidos. O dinheiro fácil de doações, à margem do fisco e do controle social, necessariamente não precisa ser gasto, pois a indústria de notas frias também oportuniza a circulação de valores incalculáveis, passando de mão em mão e terminando num visivel e inexplicável crescimento patrimonial.
A Democracia brasileira tem nas eleições desse ano a oportunidade ímpar de começar a ser mais transparente e a afastar dos processos eleitorais os "espertos" de antes. Que venham os candidatos e candidatas que não tem medo de transparência!
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