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Mostrando postagens de Janeiro, 2006

A Estratégia Política do Presidente: Quarto Movimento

O Presidente sabe que seu adversário nas eleições de outubro será do PSDB. As próprias pesquisas indicam isso. A questão é saber quem vai pro confronto. E o Presidente, com certeza preferia dar o troco ao partido que o derrotou duas vezes seguidas, vencendo Serra mais uma vez. A única variável ainda indefinida é se será Serra o candidato. Por isso, o Presidente calculadamente está adiando sua definição enquanto acompanha o movimento das peças dentro do tucanato. Partindo da premissa que seja Serra, o Presidente já está ganhando aliados, pois uma coisa que não é forte do seu suposto adversário é o cuidado com as palavras. O prefeito de São Paulo não tem muito tato em lidar com audiências e costuma alfinetar impensadamente a esmo. Os setores organizados da sociedade civil já foram cutucados pelo prefeito de São Paulo, quando comparou o governo Lula a uma gestão de ONGs, argumento suficiente para acordar os segmentos organizados de um certo marasmo pelo desempenho decepcionante do Presid…

A Estratégia Política do Presidente: Terceiro Movimento

O Presidente conhece a ascendência que tem sobre seu partido. Construiu cada etapa de sua formação e conhece dada um dos companheiros e companheiras que ocuparam as instâncias dirigentes. Conhece inclusive as fraquezas e projetos de poder compartilhados desde as reuniões mais formais até aquelas em torno de uma mesa de bar, inspirados por uma boa cachaça. Muito da política se constrói em torno de copos sorvidos à larga. Dessa cumplicidade surgiu a luta política do PT, construída ao lado dos movimentos sociais e do processo de redemocratização do País. E assim foi nos embates pela Presidência nas três mal sucedidas eleições. A vitória de 2002 constituiu a glória do partido, mas igualmente seu grande teste ético. O golpe sofrido com a descoberta das negociatas e do valerioduto fez o partido sangrar. O Presidente já deu a tônica na entrevista ao Fantástico: o PT vai sangrar para poder renascer. Como interpretar essa frase? Lula mantém o PT refém de sua decisão de se candidatar porque s…

A Estratégia Política do Presidente: Segundo Movimento

Um dos recursos mais bem explorados pelo Presidente é o de um marketing bem construído. Ele será mais uma vez um importante movimento de peça para a campanha de reeleição. Aliás, a crise política já gerou uma propaganda do governo na direção de atacar o argumento da oposição, segundo o qual, o Presidente padece de imobilismo. Agricultura familiar, Bolsa família, Prouni, Comércio Externo já tem sido objeto de matéria publicitária oficial, destacando os avanços nessas áreas e sempre comparando essas realizações com "governos anteriores", deixando à oposição o ônus de se justificar discursivamente. O poder de fogo da comunicação oficial está explicita na PLO com um acréscimo de 14% na dotação para Política de Gestão de Comunicação do Governo. Isso somente no que tange à Presidência da República, sem contar com as dotações setoriais dos demais órgãos da administração federal. Ou seja, a oposição vai ter que espernear diante de uma agressiva política de propaganda feita dentro …

A Estratégia Política do Presidente: Primeiro Movimento

A menos que aconteça uma catástrofe política que se abata sobre o Palácio do Planalto, o Presidente Lula definitivamente será candidato. Mas só se declarará na última hora, dependendo do sucesso de uma estratégia que está devidamente definida por ele mesmo.
Os movimentos das peças desse xadrez são absolutamente previsíveis e, do ponto de vista de método, podem ser consideradas infalíveis se a oposição não usar de máxima inteligência para dificultá-lo.
O primeiro movimento é relacionado a obras de grande envergadura e manejo orçamentário. Para isso o Governo tem dinheiro em caixa, conseguido às custas de um arrocho fiscal e de um alivio nas contas. A falta de pressões externas, com a quitação de dívidas junto a credores internacionais, dará ao governo gordura de sobra para por em ação um programa de investimentos em infra-estrutura. Afinal são 28 bilhões de reais que tem para gastar. O programa de recuperação de estradas federais tem recursos que não se encontram na suma acima, pois trat…

O que nos espera 2006

Com certeza o ano que acabou poderia ser considerado como um dos mais dificeis para o nosso País. Especialmente para aqueles que sempre acreditaram no crescimento da maturidade democrática brasileira. As estatísticas econômicas, a despeito do esforço de representantes setoriais, revelaram um freio terrivel na economia. Mesmo a euforia com o comércio externo não esconde a decepção com os índices de crescimento no campo da agricultura, indústria e serviços. O único setor que passou ao largo da crise foi o financeiro, com os lucros bilionários das instituições financeiras.
No plano dos direitos humanos vimos crescer o clamor dos movimentos sociais organizados com relação ao descaso do Governo com relação ao meio ambiente, segmentos étnicos - especialmente o indígena - e a triste situação no campo, com o recrudescimento da violência.
No plano político, assistimos por mais de seis meses o espetáculo deprimente das CPIs e da exposição pública das maracutaias praticadas pelos corredores e gab…