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Beco sem saída: a estratégia equivocada de Israel

Mais de 1000 mortos, a maioria deles civis e crianças libanesas. Uma onda de críticas da sociedade internacional e a exigência de um cessar-fogo imediato. A incapacidade de construção de um consenso entre as potências sobre uma efetiva suspensão do conflito. Uma resistência além do calculado por parte do Hezbollah, revelando um crescimento objetivo de seu poder estratégico.
Fico imaginando se Israel não se arrepende agora, sem possibilidade de volta, de ter subestimado os riscos a que se submeteu quando iniciou a ofensiva contra o sul do Líbano.
A imagem de potência militar do Oriente Médio, calcada sobre campanhas heróicas, rápidas e eficientes contra seus desafetos árabes está definitivamente comprometida. A barbárie de uma ação militar que vitimiza covardemente civis, violando regras consensuais de guerra convencional e justificada com nenhuma consistência retórica, põe hoje Israel nas cordas.
Não fora a questionável conjugação de regras e forças desiguais dentro do Conselho de Segurança da ONU, já teria sido efetivamente condenada a ação do exército israelense e se abriria caminho para a aplicação de sanções políticas e econômicas.
Um último recurso será tentado por Israel: a internacionalização de um conflito que não teve capacidade de resolver com eficácia. Em outras palavras, está em jogo a tese do envio de tropas internacionais para desarmar o Hezbollah. Essa medida representaria uma saída menos vergonhosa do exército israelense do território libanês.
A questão de fundo é: quem vai se prestar a esse serviço? Tropas internacionais só se justificam a partir de um imediato cessar-fogo e o estabelecimento de claras condições de ressarcimento econômico ao destruído Líbano. Fora dessa hipótese, qualquer medida se mostrará apenas em um protecionismo injustificado a um país que não conhece outra linguagem mais eficaz do que a da guerra.
Mais do que nunca a sociedade internacional não deve assumir os custos de uma ação que não se justifica e nem foi pensada legitimamente com outras nações. Para Israel, a sociedade internacional passa a ser agora apenas sócia dos prejuízos de um desastre militar para cujo empreendimento nunca a consultou. Aqui se vê absoluta semelhança entre essa estratégia e aquela que Bush induziu seus aliados na sua fixação destrutiva contra o Iraque.

Comentários

Pois é, Xico! Uma carnificina... porque näo dizer "holocausto"? afinal, a quantidade de gente que já morreu no Oriente Médio nestas décadas todas...
E tudo isso patrocinado por quem se afirma cristäo e defensor da liberdade...
Tristes tempos...
Um abraço, aqui de Quito.
Carlos disse…
Primeiramente digo que sou contra tudo o que está acontecendo entre Israel e o Líbano, e fico muito triste com a morte de civis inocentes. Não há "santo" nesta história. Creio piamente que se o Líbano fosse comandado não pelo hezbolah, Síria e Irã, alguns equívocos não teriam sido cometidos. Se o governo libanês como um todo(formado por outras correntes), tivesse sido ouvido, com certeza a atitude de sequestrar o soldado Israelense não ocorreria. O Hezbolah, não permitiu que o "estado" decidisse por guerra ou paz, mas eles mesmo escolheram este enfrentamento. Tenho pena dos civis libaneses, o hezbolah sabe que não tem forças p/ enfrentar Israel, queria uma instabilidade na região, chamar a atenção. Será que valeu a pena? Com muitas dificuldades e lentidão "os problemas" estavam sendo negociados, com a "ajuda" da comunidade internacional. Ao fim de tudo isto, o Líbano terá de começar do zero, destruído, com perdas de vidas, etc. Se para o Hezbolah valeu a pena, p/ o "povo" manipulado por eles -foi um caos.

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