Desfecho pífio da era Parreira!

O país do futebol vive a ressaca da desclassificação. Mais uma vez a partida com a França revelou algo que nós brasileiros não nos acostumamos tão facilmente: nosso futebol burocrático, pálido, sem graça e sem raça. O Brasil nessa Copa não convenceu ninguém, apesar do pregmatismo adotado por Parreira sob o herético argumento de que o que vale é ganhar e não encantar. Futebol é arte. Não há arte sem a força da criatividade, da liberdade e da libido.
A era Parreira definitivamente deve ser sepultada, como ele mesmo se referiu ao dizer que o defunto deveria ser enterrado com dignidade. Contrariando o técnico, eu diria que o defunto deve ser enterrado com indignação. O desfecho dessa campanha não poderia ser mais melancólico. Não pelos méritos da França, mas pelos deméritos de um time de estrelas cadentes.
Em substituição a essa geração de estrelas, dominadas pela fama e preocupadas únicamente com suas carreiras individuais, deve-se redescobrir os novos talentos. E o Brasil sempre foi um celeiro de craques. Pena que o mercado os transformam em ícones da mídia e as grandes corporações tratam de controlá-los como modelitos de marcas, sujeitos a contratos milionários, para o que economizam a criatividade e a garra que tanto enriquecem o bom futebol.
Torci para que minhas intuições estivessem erradas, mas o favoritismo do Brasil antes da Copa tem antecedentes que já me deixaram de orelha em pé, já na estréia. Assim foi em 1974, em 1982 e 1998.
Que 2006 sirva de lição e a CBF, para além dos interesses midiáticos e financeiros, busque uma renovação do futebol brasileiro, recuperando o futebol e a arte que tanto credenciaram o Brasil em gloriosos momentos. E que venha o hexa quando a gente fizer por onde merecer!

Comentários

Roney Belhassof disse…
Saudações!

Sabe, sou um destes raros brasileiros que não sentem qualquer emoção com o futebol. Gosto mais de apreciar voley ou ginástica olímpica. Por isso não sou uma pessoa muito qualificada para comentar este post, mas vou arriscar uma opinião, tá?

Me corrijam se eu estiver errado.

O futebol é um jogo com um técnico e 22 jogadores. Ninguém além deles ganha algo concreto se obtém vitórias e ninguém interfere em suas táaticas, estratégias ou formação, certo?

A gente torce pela seleção no espírito de torcer pelo nosso país, não é?

Só que torcemos pelo nosso país muito mais quando ele participa de esportes do que quando ele participa de outras "disputas".

Será que deixando de ser bom no futebol a gente não começa a torcer pela nossa cultura, pela moralização da política ou pelo nosso desenvolvimento científico? Estas sim seriam conquistas coletivas resultantes dos esforços de cada um dos 180 milhões (dizem que já somos 186 milhões) de brasileiros, né?

Agora pode me dizer... fiz papel de chato? :-(

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