A dança dos números

A primeira pesquisa eleitoral após a oficialização das candidaturas à Presidência confirma a tendência, já exposta antes, de termos uma eleição definida no primeiro turno. Embora ainda tenhamos a campanha na TV e no rádio como elementos que podem alterar preferências, os números divulgados hoje apresentam algumas características que é preciso notar:
1. O Presidente continua estável e com tendência de melhora - comparando os atuais números da CNT/Sensus com os anteriores se observa dois detalhes importantes: a de crescimento da preferência pelo candidato dentro da margem de erro para cima e o crescimento, também dentro da margem de erro para cima, da aprovação do Governo.
2. Alckimin finalmente consegue agregar votos de tendências que não tem candidato próprio. Isso é um dado importante porque revela que setores do PMDB e do PPS despejam sua preferência pelo mais importante candidato da oposição.
3. Heloisa Helena se estabiliza como o terceiro nome na preferência do eleitorado e se converte na candidatura dos descontentes da esquerda.
Para quem lê os números antes que as manchetes da midia, fica visivel uma certa tendenciosidade da grande mídia em gerar uma expectativa de segundo turno, que embora não possa estar descartada, contribuiria para gerar um certo clima plebiscitário no País. Nesse sentido, a midia está assumindo o jogo da oposição à Lula. Observe-se o destaque dado nas manchetes de hoje sobre o veto ao aumento dos aposentados e o veto sobre a obrigatoriedade de FGTS para em pregados domésticos.
A oposição, fazendo seu papel, quer colocar em pleno período eleitoral o ônus de vetos "anti-sociais" ao Presidente. Na verdade esta estratégia pode render ao Presidente mais votos junto à classe média, ao contrário do que a oposição imagina. Uma vez que o Presidente tem ampla e indiscutível maioria junto aos mais pobres, a oposição corre o risco de usar uma estratégia inconsequente! Ao passo que os votos da classe média, segmento ainda equilibrado entre Lula e Alckmin, poderiam se inclinar pelo Presidente com o alívio de não ter que pagar ainda mais encargos sociais advindos de propostas eleitoreiras como estas.
Vamos ver como os números se comportarão daqui pra frente. Agora com nomes e fotos definidas na campanha presidencial!

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