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Perdas e ganhos na semana política

Uma avaliação muito sintética da semana aponta ganhadores e perdedores no contexto político brasileiro.
Sem sombra de dúvidas foi o ex-ministro Palocci o grande personagem perdedor da semana. Creio que na história recente da política brasileira, ninguém caiu em tamanha desgraça política em tão curto espaço de tempo. Do gabinete do Ministério para um indiciamento policial. Mesmo aqueles como José Dirceu ou mesmo Roberto Jefferson que perderam mandatos não sofreram com tanta rapidez o desgaste de uma queda tão brusca. O deleite da oposição foi incalculável, mas não tão animador como esperava, pela conjugação de outros eventos que ameaçasse a figura do Presidente.
Perdeu também o candidato do PMDB, Antony Garotinho, com as denúncias de triangulação de favores políticos e econômicos entre o governo do Rio de Janeiro, fundações e os financiamentos recebidos para a campanha. Resta ver o impacto que isso terá na sua imagem. Mas ainda que venha a ser mínimo, ele com certeza terá que lutar muito para superar o racha de seu partido e garantir a candidatura.
Na faixa intermediária de ganhos e perdas, saiu-se o Ministro Tomaz Bastos. O depoimento na Comissão de Constituição e Justiça, na semana anterior, se não convenceu, pelo menos não o comprometeu como se esperava. A tentativa de chamá-lo de volta ao Parlamento acabou sendo abortada pelos aliados. Outro personagem que termina a semana na média é o caseiro Francenildo. As denúncias de que o dinheiro que entrou em sua conta não tiveram origem necessariamente clara, envolvendo terceiros em um ciclo de relações curioso, começaram a desconstruir a imagem de vítima dos poderosos.
O grande ganhador da semana foi o Presidente Lula. A blindagem dos aliados e a divisão nas hostes adversárias do PMDB e do PSDB fez o Presidente respirar um pouco mais aliviado. Alguns analistas acham que a crise está em queda vertiginosa e que o pior já passou. Acho cedo para pontificar essa tendência, mas parece plausível. Resta ver a próxima pesquisa eleitoral. O Presidente até fez ressurgir seu estilo de frases de efeito, provocativas, demonstrando que está emocionalmente mais confiante.
Outro que saiu ganhando na semana foi o ministro Mantega. Parece que a ministra Dilma ganhou um novo aliado no campo do desenvolvimentismo. A disputa verbal com o BC projetou o ministro junto aos segmentos que defendem uma maior liberalização do ajuste fiscal. Mesmo entre os saudosos e fiéis paloccianos, a acolhida da fala do ministro foi positiva.
Resta ver o que nos aguarda depois do feriadão! A gangorra vai funcionar!

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