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Lula X FHC: o retorno?

A fala do novo coordenador político do Governo hoje é um sintoma de como o jogo do poder promete lances imprevisíveis pelos meses que faltam para a manifestação das urnas. A aparente insegurança da candidatura Alckmin e a falta de acordo entre PSDB e PFL tem dado aos aliados políticos do Presidente farto combustível para a construção de uma estratégia do tipo "dividir para ganhar".
E, para tanto, a personalidade e experiência de Tarso Genro cai como uma luva. Primeiro ele levantou dúvidas sobre a consistência da candidatura Alckmin. Depois jogou lenha na fogueira atribuindo ao PSDB a pecha de partido indefinido, aliás reforçando a velha tese corriqueira de "partido em cima do muro". E, por último, jogou a corda: FHC para Presidente.
Para quem está acostumado às estratégias psicológicas em contexto de disputa de poder, a afirmação do coordenador político do Governo é uma isca que certamente FHC não vai engulir. Mas causa estrago. Como se sabe que o ex-Presidente é pessoa com auto-estima elevada, a provocação é venenosa.
Um embate entre Lula e FHC seria a forra definitiva que o Presidente sonha. Seria a tentativa de dar o troco pelas duas derrotas do passado. Na verdade, a afirmação de que FHC tem ainda muita vitalidade constitui um torpedo direto na pessoa de Alckmin.
Como se sabe, Serra ainda não engoliu a derrota no primeiro round pela indicação. E, na medida que se comprovar a pouca autonomia de vôo de seu correligionário, poderá impor as condições para tentar salvar o partido de uma derrota. FHC, se não engolir a "isca" lançada por Genro, terá que se curvar diante da fragilidade de Alckmin e apoiar Serra, mesmo com o custo de saber que o ex-prefeito de São Paulo não tem o quilate de um político acadêmico.
Para o Governo, a semana não podia ser melhor. Jogou veneno no arraial tucano e vê o PMDB governista atacar Garotinho com denúncias de financiamento duvidoso de sua campanha.
O arquivamento do pedido de CPI contra Lula culmina, com o beneplácito do Presidente do Senado, dá fôlego à coordenação política do Presidente para enfrentar os próximos lances da eleição.

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