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Eleição Presidencial: os desafios da estratégia do Presidente (I)

Ao contrário do que pensam alguns, a candidatura Alckmin não é tão frágil como parece. Apesar da preferência de parte dos aliados do Governo em enfrentar um candidato com limitações discursivas e de pouco carisma, como seria o Serra. O Presidente, percebendo desde já a potencialidade do seu maior adversário, já determinou aos seus aliados uma profunda discrição. Como hábil jogador político - apesar de o acusarem levianamente de ser inculto - Lula sabe que terá que mover as próximas peças com muita habilidade. Como expressei anteriormente nesse blog, os movimentos do Presidente foram eficazes até agora com a definição do maior nome para enfrentá-lo, entre os demais que ainda serão definidos - leia-se aqui o candidato do PMDB que sairá nas prévias de domingo.
Analisarei aqui, em etapas, as três forças que são visíveis em Geraldo Alckmin: o apoio da FIESP, a apoio da Igreja Católica - leia-se aqui a ala conservadora - e o estilo de bom moço, com um discurso ético.
Nesse post analisarei o primeiro ponto, que tem a ver com o programa econômico das campanhas. Com certeza vai ser explorado o fraco desempenho de crescimento econômico. Haverá um racha nas elites econômicas: o setor financeiro a favor do Presidente e o setor industrial a favor de Alckmin. Não esqueçam que o grande mote da FIESP tem sido a taxa de juros, responsável pela inibição do crescimento e sua asa social: a geração de empregos. Essa conjugação de investimento e emprego, que nem sempre é vetorial, pode se tornar um dos grandes temas da campanha do candidato do PSDB. Mesmo com a relativa autonomia que tem demonstrado o COPOM, o Governo tem a seu favor a perspectiva de ir baixando os juros em doses homeopáticas.
Lula terá a favor de si, se o explorar inteligentemente, a demonstração de que produziu uma desconcentração de renda no país, gerando empregos e melhorando o poder aquisitivo da classe trabalhadora, especialmente nas regiões mais pobres. A prova disso é que São Paulo, reduto eleitoral de Alckmin, caiu na participação da riqueza nacional. Ou seja, sampa não é mais tão "centro" assim e perde cada vez mais o vigor de ser a máquina que move o País.
Outra frente a ser explorada pelos estrategistas do Presidente, no campo econômico, é "colar" Alckmin com seu padrinho político por gravidade: o ex- Presidente FHC. O candidato do PSDB terá que demonstrar que sua proposta não será a repetição daquilo que acabou levando Lula ao poder. Na verdade, Alckmin terá que resolver a equação entre mudança da política econômica e a manutenção da credibilidade brasileira diante do sistema financeiro internacional. Aliás, coisa em que Lula surpreendeu ao demonstrar ser um ótimo gerente do capitalismo financeiro.
Alckmin poderá explorar muito bem as baixas taxas de crescimento do Brasil, só que terá que reforçar sua retaguarda aberta para defender o maior processo de privatização e fragilização do Estado, adotado por FHC, incluindo ai o crescimento do desemprego e taxas também pífias de crescimento.
Some-se a isso o discurso dos demais candidatos, que com certeza não pouparão Alckmin. Aliás, antecipando como será a campanha, Rigotto já disparou seus ataques ao candidato do PSDB, acusando o partido tucano de ter criado uma quase insolvência econômica no Brasil.
Como se vê, essa campanha promete ser um embate muito renhido no campo da Economia. O vencedor nesse debate será o que melhor construir a sua retórica, com uma diferença: o "caixa" tá com o Presidente. Numa leitura maquiavélica - aqui ressaltada a natureza de estratégia política e não seu sentido pejorativo - o Príncipe tem as cartas! No próximo post analisarei a força "católica" de Alckmin e como isso será enfrentado pelo Presidente.

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