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E agora Presidente? De céu de brigadeiro ao Inferno de Dante?

O desfecho ocorrido ontem com a demissão do Ministro Palocci pode ter desdobramentos muito sérios para as pretensões do Presidente Lula. Isso vai depender da reação da opinião pública a respeito do afastamento do ministro. Há duas formas de se encarar o mais novo fato político. Uma positiva e outra negativa. A positiva é ter demitido por quebra de confiança, baseada em clara responsabilidade criminosa. Mesmo com o volume cada vez maior de denúncias contra o Ministro, o Presidente pode argumentar que manteve a confiança em seu auxiliar baseada na ausência de provas materiais de prática de corrupção. Pode alegar que se tratava de uma luta política para por o Ministro e o Governo na defensiva, diante dos resultados eficientes da política econômica.
A negativa é se o Presidente passar a idéia de que só demitiu porque não tinha mais saída. Se assim for, passará a idéia de que manteria o ministro de qualquer jeito, se não houvesse prova de seu conhecimento da prática do crime de quebra de sigilo. Essa imagem daria um contorno de fragilidade à pessoa de Lula, revelando-o como um mandatário dependente de seus auxiliares.
De qualquer maneira, numa e noutra situação, o ministro Palocci revelou uma irresponsabilidade infantil, quando não agiu conforme seu cargo exigia. Poderia ter reagido vigorosamente contra seus assessores, quando tomou conhecimento da quebra de sigilo. Preferiu ficar calado e esperar que acontecesse alguma manobra para se escudar. A imagem do ministro está definitivamente comprometida diante da opinião pública.
Resta ver o que isso causará à imagem do Presidente. Num cenário que se apresentava com relativa tranquilidade, recuperando sua credibilidade política, agora terá que administrar um novo fato político. Isso exigirá dispêndio de energia e de estratégia que não estava nos seus planos.
A sorte, no entanto, parece estar dando as caras. Seu mais forte opositor também está começando a ter que administrar desmando de seus assessores. Novos erros, porém, serão fatais. O Presidente não pode abusar da ventura.

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