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O que nos espera 2006

Com certeza o ano que acabou poderia ser considerado como um dos mais dificeis para o nosso País. Especialmente para aqueles que sempre acreditaram no crescimento da maturidade democrática brasileira. As estatísticas econômicas, a despeito do esforço de representantes setoriais, revelaram um freio terrivel na economia. Mesmo a euforia com o comércio externo não esconde a decepção com os índices de crescimento no campo da agricultura, indústria e serviços. O único setor que passou ao largo da crise foi o financeiro, com os lucros bilionários das instituições financeiras.
No plano dos direitos humanos vimos crescer o clamor dos movimentos sociais organizados com relação ao descaso do Governo com relação ao meio ambiente, segmentos étnicos - especialmente o indígena - e a triste situação no campo, com o recrudescimento da violência.
No plano político, assistimos por mais de seis meses o espetáculo deprimente das CPIs e da exposição pública das maracutaias praticadas pelos corredores e gabinetes dos poderes Executivo e Legislativo.
Vimos também a queda vertiginosa da confiança do povo brasileiro no Governo Lula. Para alguns analistas, Lula perdeu mais de 20 milhões de eleitores - dos 53 milhões que o elegeram - desde que assumiu a Presidência.
Mas 2006 está ai. E vamos vivê-lo com a esperança sempre renovada de continuar a construção de uma cidadania plena nesse País.
Em toda a virada de ano costuma-se ouvir promessas. O próprio Presidente afirmou ao Fantástico que esse será o ano do povo brasileiro. É bom nos prevenirmos contra promessas que soam mais como discurso de campanha.
Qualquer sucesso na construção democrática não depende de discursos bem intencionados até, mas de um esforço cidadão coletivo.
A sociedade brasileira tem a obrigação de fazer de 2006 um ano de séria avaliação de suas instituições. Temos muitos desafios pela frente, a começar pelos políticos que precisamos retirar de onde nunca podiam ter estado. As eleições que teremos pela frente será uma ocasião impar para removermos de vez a falsa esperança que brota da boca de quem so pensa em manter-se às custas do dinheiro público. Mas, acima de tudo, é preciso construir uma rede de cidadania ativa. Que cobre do poder público a aplicação de políticas que realmente atendam as necessidades de nosso povo.
Que venha 2006 com todos os desafios que nos estão propostos. Precisamos avançar na direção de uma sociedade que não dependa de "salvadores" ou de "messias" mas de cidadãos e cidadãs que não transferem suas responsabilidades a ninguém.

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