A Estratégia Política do Presidente: Primeiro Movimento

A menos que aconteça uma catástrofe política que se abata sobre o Palácio do Planalto, o Presidente Lula definitivamente será candidato. Mas só se declarará na última hora, dependendo do sucesso de uma estratégia que está devidamente definida por ele mesmo.
Os movimentos das peças desse xadrez são absolutamente previsíveis e, do ponto de vista de método, podem ser consideradas infalíveis se a oposição não usar de máxima inteligência para dificultá-lo.
O primeiro movimento é relacionado a obras de grande envergadura e manejo orçamentário. Para isso o Governo tem dinheiro em caixa, conseguido às custas de um arrocho fiscal e de um alivio nas contas. A falta de pressões externas, com a quitação de dívidas junto a credores internacionais, dará ao governo gordura de sobra para por em ação um programa de investimentos em infra-estrutura. Afinal são 28 bilhões de reais que tem para gastar. O programa de recuperação de estradas federais tem recursos que não se encontram na suma acima, pois trata-se de dotação conseguida mediante acordo com o FMI para o Programa de Projeto Piloto de Investimento Público. Isso irrita a oposição porque ela não tem esse caixa, e se tentar usar caixa dois na campanha, com as orelhas e olhos de todo mundo alertas, ficará desmoralizada. Dinheiro para contemplar reivindicações dos setores sociais existe e será administrado com políticas compensatórias, especialmente junto aos setores da agricultura familiar e movimento dos sem terra. Outra grande arma do Governo é o manejo do salário mínimo. Com a inflação no patamar inferior a 5% em 2005, o Governo já jogou com a possibilidade de oferecer um aumento real bem mais substancial do que no ano passado, mantendo as centrais sindicais na mesa de negociação e retirando da oposição a pólvora que teve no embate anterior. O Programa Bolsa Família tem proposta orçamentária 12,18% superior ao ano passado, o que representará o alcance dos segmentos situados na linha de pobreza. Com tanto combustível assim, o Governo joga para a oposição a batata quente de criticá-lo e de se indispor com os segmentos marginalizados. Olhando assim, parece que Lula está adotando medidas de eficácia estrutural, o que não é verdade. Mas a oposição não tem poder de fogo para demonstrar o contrário, mesmo porque os segmentos mais identificados com políticas sociais não dariam respaldo politico a esse discurso. Portanto, o primeiro movimento de Lula é inteligente e representa um grande desafio para quem quiser enfrentá-lo. Mas esse é apenas o primeiro. Há outros três que analisarei nos próximos artigos. Mas já darei uma dica: será o do marketing. Aguardem.

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