Os piores momentos....

Com certeza 2005 passará para a história como um ano cheio de vergonhosas
cenas no cenário político brasileiro. Foi o ano da descoberta do Mensalão,
dos Jefersons e Dirceus da vida. Um ano em que a mídia e os abutres se
deleitaram com a sujeirada que a cada manhã aparecia como mais uma
curiosidade, transformada quase em folclore.
E o que parecia ser uma oportunidade de passar as coisas a limpo, se
transformou numa enorme pizza servida com o sabor dos votos do
corporativismo parlamentar.
Até a engraçada imagem dos macaquinhos se tornou o pradigma dos políticos e
seus partidos. Não falo, não vejo, não ouço. Milhões de reais ficaram
pulando de mão em mão, numa lógica capaz de fazer inveja à indústria do
tráfico de drogas. Às vezes nem tanto de mão em mão, conforme as cenas de um
operário da política no aeroporto!
E ai se estabeleceu o Estado-espetáculo. Governo e oposição bramindo suas
retóricas ensaiadas, previsiveis, de olho na mídia e nos eleitores.
E fico a pensar: qual o futuro da política? Vamos continuar fazendo de conta
que nada existe? Ou vamos começar a querer também uma boquinha dessas? Quem
sabe, não nos candidatamos todos a um cargo de deputado, de senador, de
governador ou mesmo de Presidente? Alguns de nós até levaria jeito pra
coisa. Uma boa assessoria de marketing nos transformaria num produto
interessante!
Felizmente ainda existem pessoas sérias nesse País. E serão elas que poderão
ajudar a mudar essa face. Não falo de candidatos. Falo de leitores. Ainda
acredito que o voto possa ser a única arma para banir os maus políticos.
O Brasil precisa de um projeto de Nação, cujos alicerces sejam a ética e o
compromisso com os excluidos, os sem mala!
Que venha 2006. Que venha a vergonha. Que venha a justiça!!

Indigenas e indigentes

Lastimável a ação da Polícia Federal na expulsão de cerca de 500 indígenas no Mato Grosso do Sul na manhã de ontem. Numa ação que seria de se esperar fosse feita contra o crime organizado, inclusive com agressão a repórteres, a PF retirou os indígenas Guarani Kaiowá de uma área já demarcada por decreto presidencial, mas embargada pelo Supremo Tribunal Federal.
Essa ação é apenas um dos retratos tristes de como a política indigenista tem sido tratada nesse Pais. O Governo Lula tem sido omisso no trato dos direitos dos indígenas e as ações levadas a efeito tem representado um retrocesso absolutamente injustificável. Por que? Talvez pelo fato de sua necessidade de contemplar os interesses do agronegócio, como um dos pilares de sua política econômica. Ou então porque o campo indigena não dispõe de um lobby tão eficaz quanto o de outros segmentos étnicos. Os intelectuais da esquerda brasileira, preocupados talvez com a macro política, não tem apoiado esses nossos irmãos com tanta veemência como o fazem com outros movimentos sociais.
Mas a raiz do problema está realmente posta no poder político do agro-negócio. Os indígenas brasileiros se tornam, por sua inserção geográfica, os verdadeiros obstáculos para quem deseja expandir a fronteira agrícola. E como são mais frágeis em sua articulação, têm sofrido derrotas constantes.
Mesmo em alguns segmentos da sociedade organizada, é visivel o processo de escamoteamento da questão indígena, ao contrário do poderoso lobby da comunidade afro-descendente.
Tenho sentido em alguns fóruns, inclusive do campo democrático popular, que quando se fala das questões raciais, a questão indígena não recebe a mesma atenção que outros segmentos.
Espero que esse quadro mude. E que esse Governo paute com mais determinação os direitos dos indígenas. Fica meu protesto por mais essa ação desrespeitosa e que depõe contra um Governo que se pretende popular!

Tributo a Tookie

Até quando as sociedades chamadas de modernas vão manter a pena de morte como instrumento legítimo para enfrentar a criminalidade? Há exatos dois posts atrás, defendi a justiça para os assassinos de Dorothy Stang. E a sentença dos executores foi prolatada, estabelecendo-se o princípio de que, quando se cometem crimes tão perversos, como os praticados contra a vida das pessoas, a restrição da liberdade constitui pena adequada para garantir o respeito à integridade dos cidadãos e cidadãs!
No entanto, alguns sistemas penais consideram a pena capital como instrumento legítimo, cometendo o mesmo crime de eliminação da vida - nesse caso dos condenados - como uma verdadeira lei de Talião.
A contradição desse princípio é visível e por mais que tenhamos avançado em termos de civilização, continuam a ocorrer execuções de criminosos, seja por ação policial pura e simples - tão comum em nosso País - seja pela aplicação da pena de morte.
O caso de Tookie Williams é paradigmático nesse sentido. Condenado há 24 anos , esse ex-famoso chefe de "gangs" dedicou sua vida a purgar os crimes cometidos e a construir uma nova vida. Indicado ao Nobel da Paz por seus escritos para jovens adolescentes, desestimulando-os a seguir um caminho sem volta no crime, Tookie ganhou a simpatia das organizações civis americanas e do mundo inteiro. Sua transformação não foi capaz de sensibilizar o governo e o judiciário dos EUA. Após longos e sucessivos pedidos de revisão da pena e até o pedido final de clemência feito ao governador da Califórnia, a decisão de executá-lo com uma injeção letal foi mantida. E nessa madrugada sua vida foi ceifada.
Aqui deixo o meu tributo a ele, por ser ele um exemplo de que as transformações são possiveis. Como cristão, acredito na 'metanóia'.
Me uno aqui a todas as pessoas que condenam veementemente a pena de morte como instrumento penal legítmo. Os argumentos contra ela são fartos e incontestáveis. Mas para alguns, o simplismo da lei de Talião é mais fácil, exige menos da pedagogia de vida e alivia o Estado de seus deveres para com a vida daqueles que lhe ameaçam.
Espero firmemente que num futuro próximo a pena capital seja definitivamente abolida dos chamados Estados civilizados.
Tookie, onde você está agora, com certeza te dá uma compreensão de como somos falhos em acreditar nas pessoas e na mudança de vida delas. Perdoe-nos por isso!!

5 o'clock in the morning


5 o'clock in the morning
Originally uploaded by Lucypassos.
Essa paisagem é uma homenagem à linda cidade do Recife, praticamente meu berço, com o qual mantenho laços indescritiveis. Pelos belos momentos de minha vida por lá. Revê-la semana passada foi com um reencontro de belas imagens.
Sol, praia e gente querida. Uma equação entremada de uma culinária magnífica e um espírito de liberdade tremendo!

Justiça para Dorothy

Amanhã serão julgados os acusados de matar Dorothy Stang. Esse foi mais um dos crimes que se cometeu nesse País contra pessoas que marcaram suas vidas pela defesa dos direitos humanos. Crime de encomenda daqueles que se consideram senhores da terra e da vida das pessoas. Naquelas terras tão belas e selvagens do Pará, o sangue de muitos desfavorecidos tem sido derramado ao longo dos anos, sob o manto da impunidade.
Esperamos que se faça justiça de verdade. O testemunho de uma mulher frágil no físico mas tão gigante na alma não pode simplesmente ter acabado quando a vida lhe foi tirada. É preciso que sua voz continue ecoando em nossos corações e mentes, sempre nos lembrando que é preciso continuar a lutar contra os desmandos dos poderosos.
Se a sentença for proclamada em 24 horas, acontecerá no dia Internacional dos Direitos Humanos. Nada melhor do que dar à sociedade brasileira um testemunho de que nesse País há lugar para a seriedade. Os olhos da sociedade internacional estão sobre nós. É hora de dizer um basta à impunidade e à banalização da vida.
Precisamos acreditar num outro Brasil possível, onde as relações sociais e econômicas se pautem pela solidariedade. Como Dorothy, muitas pessoas estão de norte a sul do Brasil convivendo diariamente com os conflitos pela terra, pela moradia, pela dignidade. E todas carregam em suas almas a angústia de serem criminalizadas pelo aparelho de Estado e das elites que o usam para fins privados.
É aplicando a justiça e punindo exemplarmente os criminosos que poderemos inibir a ação dos que chacoteiam as leis. Criminosos são aqueles que desrespeitam os direitos fundamentais das pessoas. E não os sem-terra, os sem-teto, os sem-educação, os sem-saúde e tantos outros estratos de exclusão presentes na sociedade brasileira.
Queremos justiça e respeito. Que não se repita a farsa tão comum em casos passados onde o que se perdeu mesmo foi a vida de pessoas cujo único crime foi lutar por um Brasil melhor!