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Mostrando postagens de Abril, 2005

Brasil: Justiça sem sensibilidade social

Impressionante como a justiça no Brasil, ao invés de ser uma instância de superação das desigualdades pela afirmação dos direitos, reproduz vergonhosamente pesos e medidas desproporcionais. Estamos cansados de ver os ricos escaparem do rigor das leis através de protelações proporcionadas por seus advogados e naturalmente concedidas pelos juizes e juizas, sob o argumento de que respeitam os ritos processualistas. Crimes contra a economia popular, contra o sistema financeiro, corrupção ativa e passiva, nepotismo, evasão fiscal, remessa ilegal de dinheiro, entre outros, cometidos por quem se encontra nos escalões mais abastados do País se arrastam uma eternidade e seus autores usam do direito de responder aos processos em liberdade.
Quando se inverte a pirâmide social dos acusados a coisa muda mesmo. Pobres cometem crimes e são severamente alcançados pelo rigor, muitas vezes sem a assistência legal obrigatória para os que não podem pagar um procurador.
O perfil social do criminoso e a natu…

Banana para Condolessa!

Calma pessoal.... não se trata de nenhuma frase ofensiva à Secretária de Estado norte-americana. Foi apenas parte do cardápio oferecido a ela pelo cerimonial gastronômetro do Itamaraty ontem a noite, após um dia em que, com ares de professora, desfilou por Brasília, dando aula de democracia e liberdade.
É interessante notar como a retórica dos EUA é fluente em definir o que acha ideal para os seus interesses econômicos e estratégicos. Ao defender que a Venezuela precisa de cuidados e de um certo monitoramento político no continente, em razão dos rumos preocupantes que está tomando com relação ao Governo Bush, Condolessa Rice se esquece de que seu governo foi responsável por alimentar a tentativa frustrada de golpe contra o Governo Chaves.
Uma das coisas fundamentais para dar credibilidade a um discurso é a coerência do retor. E não me parece que os EUA sejam um primor em democracia em qualquer dos campos que se possa imaginar. Sua política intervencionista no Oriente Médio, na América L…

Mais uma pérola do Presidente

"Às vezes, um cara está num bar tomando um chopp e xinga o banco, os juros, e no dia seguinte é incapaz de levantar o traseiro e fazer a transferência para um banco mais barato. É o comodismo"Presidente Lula ao discursar ontem

Definitivamente o Presidente Lula não avaliou com profundidade o que falou ontem ao lançar o Programa de micro-crédito para pequenas empresas. No afã de conquistar a simpatia dos circunstantes, fez uma afirmação tremendamente infeliz, culpando a classe média pelo aumento dos juros. Essa afirmação atinge em cheio o segmento mais punido pelo arrocho fiscal empreendido pelo governo.
Não se trata de desconhecer a necessidade que o Brasil tem de realizar ajustes fiscais. Desde que os recursos sejam efetivamente gastos em políticas públicas que reduzam a enorme dívida social. O que é inadmissível é se culpar a classe média que não tem os incentivos que estão sendo dados aos ricos - industriais, empresários do agro-business e banqueiros. A classe média paga sim…
para os curiosos..aqui vai! 

Superávit Primário e Conflitos no campo

A recente publicação do Relatório da CPT sobre conflitos no campo traz à tona uma questão que nos preocupa fortemente. A despeito da redução do número de mortes resultados de conflitos, o Relatório aponta para o crescimento das tensões e a falta de priorização do Governo Federal no enfrentamento da questão agrária. O número de despejos de familias aumentou. O assentamento de familias, estabilizando suas vidas e normalizando a produção de alimentos foi muito abaixo daquilo que o próprio governo planejou. O corte de 60% das verbas destinadas a Reforma Agrária, em virtude das metas de superávit primário acertadas com o FMI, coloca em destaque a prioridade de ajustes macro-econômicos.
Tudo isso revela a incapacidade política do governo de lidar com os interesses opostos entre agronegócio e agricultura familiar. Parece que, no jogo de forças entre estas duas vertentes, não se consegue esconder a opção pelo setor que tem trazido divisas através da expansão das exportações. Mas será que neces…

Poder e Fragilidades!

Como a transitoriedade do poder é visível cada vez mais quando assistimos o que acontece na pequenina nação do Equador. Um Presdidente que chega ao poder num rastro de legitimidade política fantástico e, faltando mais da metade seu governo, é obrigado a fugir de uma turba revoltada, desejosa de fazer uma verdadeira catarse coletiva contra quem as desconsiderou!
Esse fenômeno está cada vez mais frequente nessa nossa emotiva América Latina. Parece que as leis não conseguem reger de fato as relações políticas no continente. Cada vez mais se usa dos recursos da força - tanto governantes como governados - para fazer valer o que se entende que é melhor para a sociedade. E aqui fica a questão: qual a verdadeira consistência de um sistema político? Ou então essa: Quais são os limites da democracia representativa?
X-(

Esperança e Inquietude

A eleição de Bento XVI torna-se uma incógnita para os próximos dias. Como agirá o homem que durante duas décadas foi marcado pela imagem de um conservador dogmático e avesso a reformas na Igreja?
Isso o tempo dirá. Como Papa, nem sempre é possivel se ser apenas o que se quer. A Cúria tem seu peso e o cálculo político faz parte das manifestações do Pontífice que é também um chefe de Estado.
Ser prefeito de uma Congregação interna e importante da Igreja é uma coisa. Ser Papa é outra. Como Bento XVI se sairá no cenário internacional?
Existe o risco de isolamento, o que não é desejável politicamente. As pressões do laicato não são tão desprezíveis assim. Além do que, apesar do aparente consenso na sua escolha, o novo Papa sabe que há fortes segmentos, mesmo na Europa, além da América Latina, que reivindicam mudanças na estrutura e no discurso do Vaticano relacionados com questões ligadas à ética sexual, procriação e genética.
Inteligência e capacidade política o Papa tem. Resta ver se essa…

Igreja e Midia

É incrivel como a Igreja tem a capacidade de mobilizar a midia internacional para os seus ritos de passagem de poder. O papado de João Paulo II revolucionou esse campo e pôs a Igreja no centro das atenções.
Resta esperar que essa força midiática se converta em mobilização da opinião pública para os temas que afligem dois terços da humanidade como a fome, a exclusão e a guerra.