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Tudo como dantes no quartel de Abrantes

Os recentes desdobramentos da crise interna do PT apontam para um desfecho, no mínimo destrutivo para a imagem do partido.
A renúncia de Tarso Genro representa uma derrota para o segmento do partido que desejava fazer uma depuração de quadros e de rumos.
Se o PT estava na corda bamba do descrédito, agora se avizinha um caminho sem volta para seu fim iminente. Ou, no mínimo, para se converter em mais uma sigla disposta a lutar pelo poder sem a observância de principios tão caros e tão umbilicais na sua origem como ética e transparência.
Pelo menos para mim, eleitor e modesto cientista político, o PT acabou. Creio que muita gente nesse país, simpatizantes da sigla e de sua biografia, vai adotar a mesma postura.
A questão agora é: quem vai herdar a confiança do eleitorado que quer um partido que represente de fato as aspirações de uma política calcada na defesa de políticas realmente comprometidas com a melhoria da qualidade de vida de nossa gente.
Isso me faz lembrar que realmente Maquiavel estava certo. O exercício do poder é puramente pragmático. Essa coisa de ética e transparência conta muito menos do que a astúcia e a capacidade de se agarrar ao aparelho de Estado e fazê-lo instrumento de afirmação de força, de ideário, mesmo com a manipulação da moderna democracia representativa. É a manutenção do poder pelo poder.
Só o eleitorado, se tiver consciência suficiente para tal, poderia ser capaz de inviabilizar projetos dessa ordem.
Nesse sentido, as eleições de 2006, poderão ser um divisor de águas para a classe política brasileira. Se o PT mantiver a performance que teve nas últimas eleições municipais, quando ascendeu extraordinariamente no controle das máquinas municipais, será uma prova definitiva de que não há mais o que fazer para aprimorar nossa frágil democracia.
Resta esperar o desfecho da crise, suas implicações sobre os criminosos e a capacidade de se passar a limpo as coisas. Senão tudo vira pizza e permanece com dantes........

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