Pular para o conteúdo principal

Golpe ou flancos abertos?

Tenho o maior respeito por Wanderley Guilherme dos Santos, por seu currículo e pelas análises feitas - a partir da Ciência Política - sobre importantes momentos históricos desse País. No entanto, acho que ele, ao defender a idéia de que está em curso um "golpe branco" contra o Governo Lula, pauta-se muito mais pela defesa apaixonada do Governo do que por um diagnóstico profundo da realidade.
Senão vejamos:
(1) Ele diz que o governo é bem sucedido. Em que aspecto? Que critério é adotado para definir que o governo Lula é bem sucedido? Na macro-eonomia? Sim. Mas acho que fora disso, os resultados são pífios. Basta perguntar aos setores ligados ao Meio Ambiente, movimento dos Sem Terra, Indígenas e mesmo a classe média arrochada tributariamente e ainda chamada de acomodada!
(2) Golpismo. Engraçado que em situações de crise os que estão no poder, acuados e em risco de legitimidade, sempre utilizam a falácia do golpe - velho "chavão" para desconstituir políticamente os adversários. Collor usou essa expressão também. Na verdade, o que está acontecendo é um jogo de forças políticas que procuram explorar os flancos abertos dos adversários. Neste caso, denúncias de corrupção constituem-se arma para enfraquecer o oponente. A questão é: a denúncia de mensalão é admitida como de conhecimento do governo - sem que isso signifique chancela do Presidente a essa prática. Ou seja, é elemento de investigação e investigação se dá pelos meios institucionais: onde há golpe ai?
(3) Tomas Jefferson - concordo plenamente que o curriculo do deputado não seja dos mais honoráveis, mas a pergunta é: se é assim, porque o próprio Presidente afirma ser capaz de assinar um cheque em branco para o deputado? Porque na construção das alianças políticas não se observou o curriculo das lideranças partidárias?
(4) Waldomiro/Correios - a crise começou em janeiro de 2003 com o escândalo Waldomiro e o governo fez de tudo para impedir uma CPI - que evidente não precisava mesmo - e agora usou de todos os esforços para impedir a CPI dos Correios. Ora para um partido que foi sempre o maior defensor de investigações quando estava na oposição - certo de que havia realmente culpa daqueles que seriam investigados - fica estranho não querer a investigação até para provar sua inocência como acusado. Políticamente seria devastante para a oposição ser desmacarada.
(5) Oposição forte - Sim concordo. Mas ela se torna forte na medida que o governo erra. Exemplo : onde há oposição forte contra um governo que tem 70% de aprovação? Era esse o índice de Lula em 2003. A força de uma oposição reside na direta proporcionalidade de frustração da opinião pública com o(a) governante.
(6) Imprensa - É delírio dizer que a imprensa é quem desestabiliza governos. E tratar a Imprensa como um retor unívoco, coeso, com vontade autônoma e projeto político é meio complicado. Porque a imprensa reflete interesses difusos. Isso sem esquecer que o maior complexo de comunicação do Brasil não está na cabeça desse movimento.
(7)Competência - concordo com ele quando afirma que está havendo uma incompetência na gestão da crise política pelo PT. Eu diria mais: mais que incompetência é arrogância. Aliás talvez este seja o adjetivo mais comum atribuido ao PT em confrontos eleitorais. Parece que a veemência da defesa de uma sociedade diferente se transforma em uma auto imagem de infalibilidade. Reconhecer limites é uma virtude de quem está em posições de liderança.

Essas seriam algumas das considerações que faço com a consciência de que não podemos tergiversar com falácias a busca da verdade. Se existem culpados devem ser responsabilizados políticamente. Faço minhas as palvras do Presidente: se necessário for, cortar a própria carne!
A análise de Wanderley em nada contribui. Só reforça a tese de que estamos sendo vítimas de um processo "golpista" articulado pelas forças invisiveis da Midia e do PSDB. O PSDB foi ferido de morte na eleição passada. Se ele ressuscitar, a responsabilidade será do Governo!

Comentários

Claudio Costa disse…
Depois da cafajerffestagem de ontem... sei não!
Juliana disse…
TOMAS Jeferson??? hehehehe
Excelente crítica, Xico, ou o governo se posiciona agora ou está perdido para sempre...
Beijoooos
dolcelips disse…
O meu comentatio nao esta relacionado ao seu inspiradissimo texto, mas sim sobre vc(Xico),pq se eu for escrever sobre a politica brasileira serei objetiva e breve.
Ha algum tempo nao entrava no yahoo,pois p. mim nao havia nenhuma graca e so me trazia decepcoes e ira.As vezes surtava de tantas bomvas q. os inulteis jogavam no meu id.Hj ja estou protegida contra essas bombas virtuais.
Porem hj resolvi conectar novamente. Entrei p. jogar conversa fora mesmo! Afim de me distrair e nao estava c/ aquela imensa perspectiva, a qual todos temos quando comecamos a teclar. Eu sei q. ninguem admiti isso,mas ca entre nos e a purissima verdade. Ate q.fui encontrada pelo adv.(Xico). Agora estou ate deixando um singelo comentario p. ele. Esta sendo um prazer te conhecer. Adorei suas opnioes e o q. vc tem pra falar, muito "baum".
Eliz 09/01/05

Postagens mais visitadas deste blog

PEC 241: futuro sombrio e o re-construir utópico do povo brasileiro

A aprovação da PEC 241 pela Câmara dos Deputados representa uma comprovação de que a aliança política entre partidos e as elites que os representam vai consolidando um projeto de desmonte do Estado brasileiro, à custa das maiorias empobrecidas.

A receita é amarga e comprova que a Casa Grande está eufórica para destruir qualquer esforço da Senzala em ampliar direitos. A exemplo de outras elites latino-americanas, a elite brasileira está se deleitando em recuperar os seus privilégios com a maior rapidez possível, tirando da gaveta projetos que haviam esbarrado na firme resistência dos governos progressistas.

A esperança agora se volta para o Senado que deverá também analisar a PEC e - não tenho muita esperança sobre isso - reverter este processo de enxugamento de políticas públicas afirmativas. Pelos próximos 20 anos a população pobre do Brasil pagará uma conta elevadíssima para manter os privilégios de poucos.

A Direita terá, com base numa legalidade destituída de legitimidade, a garan…

Resistir contra o Ensino a serviço do Mercado

Os tristes fatos que estamos assistindo em nosso país revelam o quão difícil é lutar por direitos. Com mais de mil escolas e quase 80 universidades ocupadas contra uma reforma educacional imposta de cima pra baixo, sem discussão com a sociedade e destinada a mudar a proposta de formação de futuras gerações, os estudantes e professores não merecem ser tratados com violência pelo aparelho militar do Estado e nem com desdém pela mídia elitista.

A primeira vítima já está configurada: um adolescente morreu dentro de uma Escola em Curitiba. Até quando o governo manterá seu insano autoritarismo de achar que nosso país aceitará retrocessos no campo das conquistas que construimos na última década? Temos conhecimento de que infiltrados neste movimento estão procurando amedrontar estudantes e professores para enfraquecer a mobilização. Estas pessoas devem ser identificadas e isoladas para que se identifique seus mandantes.

Precisamos, como sociedade, denunciar, resistir e lutar por meios legít…

Message from Primate of Brazil about Primate`s Decision on the recent meeting in Canterbury

Brothers and sisters,
As I expressed earlier, I did not want to communicate anything prior to the end of the meeting regarding the heat of the debates that followed the discussion taken by the majority of Primates in relation to the Episcopal Church of the United States (TEC). In other words, the temporary suspension for three years from all decision-making entities of the Communion, rooted in [TEC]’s decisions with respect to the Matrimonial Canon.

Today I arrived in Brazil and would like to share a pastoral word with the Church regarding this matter. This issue took up a disproportionate amount of time from the meeting and was very difficult for all of the Primates. The most extreme position of the GAFCON primates was to demand an apology or require the withdrawal from the Communion of both TEC and the Church of Canada. This position caused a reaction that brought the Primates into the center of the debate, and the more progressive members sought alternatives that might have caused a …