Trazeiro ou Bunda? O que é Politicamente correto?

A idéia de publicação de uma Cartilha destinada a corrigir linguagem considerada politicamente incorreta causou repercussão negativa junto a vários segmentos da sociedade, especialmente nos meios intelectuais.
Na verdade a iniciativa revela um perigoso comportamento de regular a linguagem e promover mudança cultural de cima pra baixo. Parece que se quer reproduzir aqui no Brasil a neurose linguística nascida nos EUA com relação ao que se considera politicamente correto. Aliás uma cópia de muito mal gosto.
Quebrar preconceito é uma coisa. Todos devemos, no processo de amadurecimento político, construir novas formas de relacionamento com nossos pares, o que inclui a linguagem. Mas isso consome tempo e até gerações. A linguagem escrita ou verbal tem uma complexidade tão grande e nela estão contidos uma gama tão grande de elementos conscientes e inconscientes que nenhum Estado pode regular eficazmente a fala de seus cidadãos e cidadãs.
Daqui a pouco, em se levando adiante a proposta estapafúrdia de definir o que é linguisticamente correto, vamos nos meter em situações no mínimo hilariantes. Já imaginou você ter que chamar uma beata de pessoa portadora de compulsão religiosa? Ou então, chamar um anão de pessoa portadora de nanismo? Será que realmente alguém se sentirá contemplado - e ficará feliz da vida - pelo uso de uma semântica formal, e até cinica, com palavras politicamente corretas?
Acho que os iluminados e iluminadas (pra ser politicamente correto) autores e autoras dessa maravilha léxica deviam se preocupar com questões mais relevantes. A fome e a miséria, bem como a política macro-econômica atual causam mais prejuízos que qualquer coloquialidade rotineira desse País! Especialmente depois que o Presidente mandou (em linguagem politicamente correta?) a gente levantar o traseiro (porque não bunda?) da cadeira.

Comentários

Juliana disse…
HAHAHAHAHAHA! Goela abaixo é cruel mesmo. O problema é que muita gente está utilizando o vocabulário "políticamente correto" para não ser massacrad@ por companheir@s, principalmente neste mundo que a gente vive dos movimentos sociais e das ONGs.
Beijos

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